06/10/2020 às 14h23min - Atualizada em 06/10/2020 às 14h23min

Homens, brancos e com curso superior são maioria entre os candidatos a vereador

Diário fez uma análise dos dados disponíveis no site do TSE; número de registros em 2020 bate recorde histórico na cidade

SÍLVIO AZEVEDO

A eleição municipal de 2020 contará com o maior número de candidatos a vereador da história de Uberlândia. São 869 postulantes a uma das 27 cadeiras no Legislativo, média de 32,19 candidatos por vaga. Porém, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desta segunda-feira (5), dois nomes já cancelaram e retiraram a candidatura. Em 2016, foram 687 registros; 2012, 669; 2008, 366; e 2004, 433.

De acordo com o cientista político Leonardo Barbosa, esse crescimento se dá muito pela mudança da legislação eleitoral, que acabou com as coligações partidárias, fazendo com que partidos tenham que montar chapas próprias para ter mais chances de eleger um vereador, refletindo também em um número maior de candidatos a prefeito.

“Proibindo as coligações, um partido pequeno que poderia indicar uma, duas, três pessoas para compor a chapa com outros partidos, agora precisa fazer uma chapa puro sangue. Então o número de pessoas que se candidata deve ser maior, sobretudo aquelas que não têm chance nenhuma, estão ali só pra completar. E isso desencadeou um segundo efeito, que é a necessidade de ter alguém para o cargo majoritário, pra poder capitanear espaço na propaganda eleitoral, na imprensa, e arrastar votos para o seu partido”.

Dentre os 869 candidatos são encontrados diversos perfis de escolaridade, idade e sexo. O Diário de Uberlândia analisou alguns desses dados publicados no site do TSE, como a participação das mulheres no pleito. Atendendo a uma determinação legal, o número de candidatas mulheres está pouco acima dos 30%. Dos 27 partidos que registraram, o Psol é o com maior proporcionalidade de mulheres, com 45,45% dos registros, enquanto PTB, PSB e PRTB não atingiram a porcentagem mínima. Apenas uma candidata, do PDT, utilizará nome social.

“A proposta de criação de cotas nas candidaturas tem um sentido importante de equilibrar a participação em ponto de vista do gênero, mas ela é ineficaz porque o que os partidos fazem é colocar figurantes do sexo feminino nas chapas para respeitar legislação. Mas no final das contas, eleitos e eleitas continuam sendo desproporcionalmente mais homens. O jeito de resolver isso seria deslocar as cotas das chapas para vagas na Câmara”.

Uma das características mais discutidas entre eleitores em rodas de conversas está a escolaridade dos candidatos. Em Uberlândia, a maioria nos registros é de pessoas com curso superior completo, com 34,52% (300), enquanto apenas seis se declararam apenas aptos a ler e escrever.

“O maior nível de instrução pode agregar para pessoa um conjunto de ferramenta para que ela sugira políticas públicas com melhor qualidade. Então isso, em tese, seria verdadeiro. Mas a gente pode ter pessoas que passaram pela graduação e pós-graduação, que estão próximas quase ao analfabetismo funcional também, com a dificuldade de ver a realidade nacional, a descrença na ciência, que é um comportamento típico do senso comum, de alguém que não passou pelo curso superior. A educação formal, a princípio, agregaria, mas não é uma garantia”, explicou Leonardo Barbosa. 

Porém, o cientista político acredita que privar a população de buscar se eleger para representar uma categoria por causa da sua escolaridade é sacrificar o conteúdo da democracia que é a representação”.

“A montagem das câmaras de vereadores é um processo que busca espelhar o sentimento do município. Elas podem ser representativas de uma vontade popular. E democracia é ver implementadas políticas que espelhem a vontade da maioria. E se a maioria não se realiza em alguém que tenha uma pós-graduação, mas em alguém que saiba ler e escreve e consegue transmitir um plano de governo dado pela sua assessoria e vislumbrar problemas e soluções”.

Outro dado apresentado pelo TSE é sobre a idade dos candidatos. A faixa etária com mais candidatos é a entre 40 e 49 anos, com 266 (33%). “Normalmente a relação nossa com as candidaturas guarda vínculo com a trajetória com entidades, associações de classe. O que normalmente acontece na nossa vida, a partir da universidade, é o movimento estudantil e associais profissionais, como a OAB. Começo a ganhar visibilidade, viver a relação entre o público e privado, reivindicações de categorias, reivindicar interesses. Então eu passo a ver importância”, disse Leonardo.

Por outro lado, o número de jovens candidatos com idade até 20 anos é somente três, enquanto entre os 21 e 24 anos, nove. O cientista político acarreta essa baixa procura a credibilidade política dos dias atuais. “Existe um fenômeno acontecendo no mundo inteiro que afasta um pouco o jovem da vida partidária, que é a deslegitimação dos partidos. Hoje a gente vive intensamente uma leitura de mundo que é antipartidária, que mostra que todo partido é ruim, que todas as pessoas que se envolvem são corruptas. A gente vê emergir formas de pensamento que questionam a vida parlamentar e partidária. E isso leva a juventude a ficar um pouco menos afeita a esse debate”.

PERFIL CANDIDATOS A VEREADOR EM UBERLÂNDIA

IDADE

20 anos - 3 (0,35%)

21 a 24 anos – 9 (1,04%)

25 a 29 anos – 30 (3,45%)

30 a 34 anos – 76 (8,75%)

35 a 39 anos – 104 (11,97%)

40 a 44 anos – 147 (16,92%)

45 a 49 anos – 140 (16,11%)

50 a 54 anos – 127 - (14,61%)

55 a 59 anos – 139 (16%)

60 a 64 anos – 57 (6,56%)

65 a 69 anos – 19 (2,19%)

70 a 74 anos - 9 (1,04%)

75 a 79 anos – 7 (0,81%)

80 a 84 anos – 1 (0,12%)

85 a 89 anos – 1 (0,12%)


SEXO

Homens: 593 (68,24%)

Mulheres: 276 (31,76%)

 

GRAU DE ESCOLARIDADE

Superior completo – 300 (34,52%)

Ensino Médio completo – 267 (30,72%)

Superior incompleto – 87 (10,01%)

Ensino Fundamental incompleto – 75 (8,63%)

Ensino Fundamental completo – 72 (8,29%)

Ensino Médio incompleto – 62 (7,13%)

Lê e escreve – 6 (0,69%)

 

COR/RAÇA

Branca – 511 (58,8%)

Parda – 203 (23,36%)

Preta – 120 (13,8%)

Sem Informação – 31 (3,56%)

Amarela – 3 (0,34%)

Indígena – 1 (0,11%)

 

ESTADO CIVIL

Casado(a) – 444 (51,09%)

Solteiro(a) – 282 (32,45%)

Divorciado(a) – 124 (14,27%)

Viúvo(a) – 12 (1,38%)

Separado(a) Judicialmente – 7 (0,81%)

 

OCUPAÇÃO (10 MAIS)

Outros - 145 (16,69%)

Empresário - 104 (11,97%)

Comerciante – 69 (7,94%)

Advogado – 45 (5,18%)

Servidor Público Municipal - 28 (3,22%)

Aposentado (Exceto Servidor Público) – 26 (2,99%)

Vendedor Pracista, Representante, Caixeiro-Viajante e Assemelhados – 22 (2,53%)

Professor de Ensino Médio - 19 (2,19%)

Dona de Casa - 17 (1,96%)

Motorista Particular – 14 (1,61%)



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