04/09/2020 às 09h12min - Atualizada em 04/09/2020 às 09h12min

Pesquisadores da UFU analisam impactos da reabertura do comércio em Uberlândia

Estudo mostra que flexibilização das atividades influencia no aumento dos óbitos e casos de Covid-19

DA REDAÇÃO
Tendência foi de crescimento dos casos confirmados após a inauguração comercial e, com o fechamento do comércio, de estabilização | Foto: UFU/Divulgação
Pesquisadores da Faculdade de Medicina (Famed) e do Instituto de Geografia (IG) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) analisaram o impacto da abertura das atividades comerciais em Uberlândia em diferentes momentos da pandemia. O estudo apontou que a flexibilização de comércio tem influência direta no aumento dos números de óbitos e de testes positivos para a Covid-19 na cidade.

O objetivo do estudo foi analisar os dados epidemiológicos do coronavírus comparando-os com as determinações do poder público para a abertura e fechamento comercial. Os pesquisadores utilizaram as informações disponibilizadas diariamente pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 

O levantamento foi realizado a partir de três deliberações do Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19, publicadas oficialmente pela Prefeitura de Uberlândia, no dia 15 de abril determinando reabertura das atividades econômicas, 22 de maio sobre a abertura de centros de lazer e formação de condutores e, por fim, 19 de junho, o qual determinou um novo fechamento. Porém, em 17 de julho, foi estabelecida uma nova abertura comercial, que se estendeu até o fim do período estudado, de 21 de março a 7 de agosto de 2020.

De acordo com a pesquisa, 59.994 exames foram feitos, 14.389 deles sendo positivos (23,98%) e 45.605 negativos (76,02%), com 265 mortes e uma taxa de mortalidade de 1,89%. A tendência foi de crescimento dos casos confirmados após a inauguração comercial e, com o fechamento do comércio, de estabilização, levando em consideração o monitoramento da média móvel 14 dias após os decretos municipais. 

“Entender sobre a epidemiologia da Covid-19 nos ajuda a propor estratégias de prevenção e controle mais eficientes para o enfrentamento da doença”, afirmou o professor Stefan Vilges de Oliveira. Integrante da equipe de pesquisadores, o docente trabalha na área de epidemiologia, especialmente com doenças emergentes e zoonoses, como é o caso do novo coronavírus.

O estudo epidemiológico foi publicado na Plataforma Scielo, no último dia 26 de agosto. “Nós observamos grandes investimentos no aumento da capacidade de suporte hospitalar; no entanto, esquecemos que precisamos pensar em estratégias para reduzir essas internações, o que é possível por meio da vigilância epidemiológica constante do coronavírus”, alertou Oliveira.


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