26/06/2020 às 09h28min - Atualizada em 26/06/2020 às 09h28min

Procura por renegociação de aluguéis chega a 30% em Uberlândia

Locatários tiveram que ceder à redução no valor de contratos para não perder inquilinos

DHIEGO BORGES
Redução do valor ou parcelamento da taxa tem sido a alternativa encontrada para tentar sobreviver à crise econômica | Foto: Marlucio Ferreira
A procura por renegociação de contratos de aluguel em Uberlândia cresceu, pelo menos, 30% nos últimos três meses. A estimativa é do Sindicato da Habitação do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (Secovi-Tap).  A redução do valor ou parcelamento da taxa tem sido a alternativa encontrada para tentar sobreviver à crise econômica causada pela pandemia do coronavírus. 

Se para inquilinos residenciais ou locatários de imóveis comerciais essa é a saída para manter tanto a moradia como o negócio aberto, para os locadores, na maioria dos casos, a renegociação também é a única alternativa para não perder por completo essa fonte de renda. De acordo com o presidente do Secovi-Tap, Ronaldo Arantes, a procura se intensificou a partir de abril. 

A estimativa, segundo ele, é de que pelo menos 1/3 dos contratos nas imobiliárias de Uberlândia tenham sido renegociados. “É preciso avaliar caso a caso, vai depender da necessidade tanto do locatário quanto do locador. Em média, os contratos têm sido renegociados com prazo em média de 2 a 3 meses, com descontos variáveis”, explicou Ronaldo Arantes.  

Ainda segundo o presidente do Secovi-Tap, os setores mais afetados nesse quesito são academias, salões de festa, igrejas, escolas particulares, bares e restaurantes. De acordo com Ronaldo, o índice de desocupação também cresceu e permanece em torno de 10% na cidade. 

LOCATÁRIOS
Dono de duas academias em Uberlândia, o empresário Lucas Kabal conseguiu a isenção do aluguel de um dos imóveis, localizado em um shopping, e o parcelamento do valor do segundo, no bairro Martins. “Seguimos pagando apenas a taxa de condomínio na unidade do shopping e no segundo negociamos um parcelamento. Estamos pagando 1/3 do valor, mas teremos que repor isso depois”, destaca.

Com os dois estabelecimentos fechados há praticamente 100 dias, desde o anúncio do decreto que fechou o comércio em março, o empreendedor disse que essa foi a alternativa para não encerrar de vez as atividades. Segundo Lucas, o aluguel representa hoje 15% do faturamento da empresa, sendo a maior despesa do negócio junto com a folha de pagamentos, que, de acordo com ele, tem sido outra grande preocupação. “Não é só o aluguel, nosso benefício com o governo termina esse mês, e a partir de julho teremos que retornar com o salário integral dos funcionários”, disse.

Quem também teve que recorrer à renegociação para manter o funcionamento do estabelecimento foi o empresário Victor Hugo Silva de Almeida. Dono de um restaurante no bairro Santa Mônica, o empreendedor contou ao Diário que conseguiu há três meses uma redução de 50% no valor do aluguel. 

A negociação provisória, de acordo com ele, foi intermediada através da imobiliária, mas termina neste mês de julho. “Se não fosse isso, já tínhamos parado. Se o comércio não reagir, teremos que tentar entrar em novo acordo”, afirmou.  

LOCADORES
Proprietário de noventa imóveis em Uberlândia, Nelson Xavier conta à reportagem que teve que renegociar praticamente todos os contratos. A procura, segundo ele, teve início ainda em fevereiro, bem antes da crise, e chegou a crescer 90% nos últimos meses. 

Segundo Nelson, a renegociação tem sido oferecida por um prazo de 2 a 3 meses em média. A estimativa é de aproximadamente 40% de redução, considerando todos os imóveis. Ainda de acordo com o proprietário, que tem nos aluguéis sua única fonte de renda, o lucro diminuiu 50% com a pandemia. 

O desconto está sendo oferecido sem retorno e a expectativa é que o valor seja retomado de forma integral após a crise. “Não deixamos de renegociar nenhum dos imóveis. O comércio principalmente tem sido bastante afetado, então estamos dando um prazo para tentar manter o inquilino”, destacou.

Ainda segundo o locatário, mesmo com a renegociação, muitos dos imóveis, cerca de 10%, estão com inadimplência. O índice de desocupação, segundo ele, também cresceu aproximadamente 20%. 

Para o representante comercial autônomo Enivaldo Linhares, que é dono de cinco imóveis residenciais em Uberlândia, a renegociação também foi a única saída. O locatário contou à reportagem que teve que renegociar dois contratos. Uma das negociações, feita no último mês, resultou em uma redução de 10% no valor do aluguel por um prazo de três meses. 

Ainda de acordo com Enivaldo, um dos imóveis da família está desocupado há 30 dias. “Já faz um mês que liberei o imóvel para aluguel e não houve procura até agora. É um momento difícil para todos”, destacou.















 

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