23/06/2020 às 13h12min - Atualizada em 23/06/2020 às 13h12min

Apesar da crise, Uberlândia segue atraindo investimentos

Características locais continuam chamando a atenção de empreendedores do setor imobiliário

DHIEGO BORGES
Construtora escolheu Uberlândia para instalar sede regional | Foto: Divulgação
Infraestrutura, mão de obra qualificada e localização geográfica privilegiada, características apontadas por especialistas como pontos-chave para a atração de novos investimentos. Considerada a capital da logística, Uberlândia carrega consigo essas e outras particularidades que continuam chamando a atenção de empreendedores mesmo em tempos de pandemia, especialmente do setor imobiliário. 

As vantagens econômicas favoráveis atraíram para cá a empresa Inter Construtora, de Juiz de Fora, que na última semana lançou seu primeiro empreendimento em terras uberlandenses. De acordo com o gerente de marketing, Pedro Alvarenga, a cidade se destaca pela economia diversificada e a localização. 

Segundo o responsável, o “namoro” com o município teve início há aproximadamente dois anos e foi consolidado com o lançamento do empreendimento e a escolha da cidade como sede regional da empresa. 

“Uberlândia foi a sétima cidade em que abrimos atuação por ter um ótimo aspecto econômico e a localização, que facilita nossa mobilidade por estar próxima de cidades como Uberaba e São José do Rio Preto (SP), onde já temos outros empreendimentos”, destacou.  

O primeiro investimento da empresa é um condomínio vertical no bairro Martins, com 360 apartamentos. Segundo o gerente de marketing, a previsão é de que as obras durem aproximadamente dois anos e o Valor Geral de Vendas (VGV) estimado é de R$ 60 milhões. 

O empreendimento deve gerar em torno de 500 empregos na cidade.  Além do residencial, a empresa também desenha uma parceria com uma rede de supermercados para abertura de uma unidade aberta ao público no local. A pandemia do coronavírus, segundo o responsável pela empresa, não afetou tanto o planejamento de vendas.

 
“Impactou muito pouco para a gente, porque fazemos o processo praticamente online. Notamos também que com toda a crise e a queda do dólar, muitos clientes que possuem recursos aplicados estão procurando outras maneiras de investir, voltando a olhar melhor para o mercado de imóveis”, afirmou. 

Outra empresa que encontrou um cenário positivo para investimentos foi a CIA, que atua na cidade há oito anos com coordenação de vendas e atração de incorporadoras do setor imobiliário. De acordo com o diretor regional, Cláudio Leite, a cidade foi a responsável pelo sucesso nas vendas de três empreendimentos residenciais. 

Segundo ele, foi a partir daí que houve a decisão de dar maior foco no município. “Acreditamos no potencial da cidade e após obtermos bons resultados, decidimos que Uberlândia é um polo interessante e por isso estamos montando nosso escritório fixo e fazendo contato com novos incorporadores”, destacou. 

Ainda segundo o diretor, a pandemia atrasou um pouco os planos, mas a tendência é retomar os investimentos em breve. “Apesar dessa pandemia, nós não paramos. Os incorporadores não recuaram, apenas paralisaram para analisar o cenário. O mercado está retornando e devemos seguir com os investimentos planejados para o segundo o trimestre, já vislumbrando datas para o lançamento”. 

ECONOMIA E INFRAESTRUTURA
Uma economia cada vez mais diversificada e infraestrutura favorável. De acordo com o economista Cesar Piorski, Uberlândia continua sendo uma boa cidade para se investir principalmente por esses dois fatores.

Segundo uma pesquisa desenvolvida pelo economista, de 2009 a 2018, houve uma diversificação de atividades no mercado local, com destaque para o crescimento de setores como fabricação de alimentos e fumo (97%), indústria têxtil (91%) e papel e celulose (85%). Além da diversidade e da localização, a cidade tem diversos aspectos que chamam a atenção dos investidores. 

 
“Uberlândia é uma das cidades com menor custo transação e já ultrapassa a dinâmica de grandes centros. Temos um forte polo universitário, mão de obra qualificada, localização geográfica e ótima infraestrutura com porto seco, aeroporto com operador de cargas e polo tecnológico. Tudo isso diminui os custos de produção”, afirma.

Para o especialista, a cidade pode sofrer um pouco menos na recuperação econômica pós-pandemia. “O Município deve se recuperar rápido pela forte capacidade produtiva e uma menor pressão social sobre os serviços públicos”. 

Um estudo produzido pela empresa Urban Systems e divulgado em 2019 coloca a cidade como a 7ª no ranking de Infraestrutura das Melhores Cidades para Fazer Negócios no Brasil. O município fica atrás apenas de grandes capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Goiânia e cidades do interior de SP: Guarulhos e Campinas. 







 





 
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