21/06/2020 às 09h17min - Atualizada em 21/06/2020 às 09h17min

Instituições sociais inovam para promover festas juninas em Uberlândia

Período é importante para arrecadar recursos financeiros e manter tradição

BRUNA MERLIN
Festa Junina da Ação Moradia foi transformada em delivery de comidas típicas | Foto: Arquivo Pessoal

O mês de junho é o mais aguardado, pois traz um dos eventos mais típicos do país, a festa junina. As festanças, repletas de shows com artistas locais e regionais, sorteios, bingos e as comidas características da época, foram diretamente impactadas pelo decreto de distanciamento social para evitar a proliferação do novo coronavírus. Com isso, diversas instituições sociais de Uberlândia estão se aliando às inovações para proporcionar o evento de forma diferente e conseguir recursos que são destinados aos projetos.

Todos os anos, organizações de assistência social realizam diversos investimentos para a produção das festas juninas que já fazem parte da cultura da cidade. O evento caipira é um dos mais importantes para as instituições e o que mais gera renda para ser aplicada em atividades comunitárias. Em virtude da Covid-19, a 28ª edição da Festa Junina do Umuarama está acontecendo de forma diferente. A praça da Paróquia São Francisco de Assis, que até o ano passado recebia uma grande estrutura e milhares de pessoas, foi transformada em uma área para drive-thru de comidas típicas.

Segundo Luciano Alves Faria, presidente da Casa da Misericórdia, que é beneficiada pela renda arrecadada no evento, a arrecadação desta época não poderia ser suspensa. Sendo assim, a instituição está realizando a preparação e venda online de comidas típicas. Além do drive-thru, o serviço também contempla o delivery. 

 

“A Casa não poderia ficar sem essa ajuda. Essa é a época que mais conseguimos recursos para atender os acolhidos que vêm de outras cidades e fazem tratamento no Hospital do Câncer. Sendo assim, tivemos que reinventar a forma de oferecer essa festa ao público”.


O evento, denominado de “Festa Junina do Umuarama #emcasa”, começou no primeiro fim de semana de junho e será realizado até domingo (21). Todas as comidas, como caldos, chica doida, canjica, pamonha, arroz doce e milho, são produzidas por voluntários e cada grupo cuida de algum alimento. A venda dos produtos é feita somente de sexta-feira a domingo. Os pedidos podem ser  feitos a partir das 14h pelo WhatsApp da instituição, por meio do número (34) 3212-7185, e o cliente escolhe a forma como quer receber, se por delivery ou drive-thru.

AÇÃO MORADIA
A 24ª edição da Festa Junina da Ação Moradia também teve que ser readaptada devido à pandemia do coronavírus. O evento, que tradicionalmente acontece na praça Sérgio Pacheco, foi transformado em delivery de comidas típicas. A assistente social e coordenadora de projetos da instituição Franciele Ferreira explica que em todos os anos as festas tinham como objetivo arrecadar dinheiro para ser aplicado no desenvolvimento de novos projetos e atividades. Desta vez, o recurso será revertido em cestas básicas para as mais de 600 famílias em situação de vulnerabilidade atendidas pela organização e que moram na região do bairro Morumbi. 

“Mudamos o nosso objetivo porque muitas famílias foram impactadas com essa crise causada pela Covid-19 e ela estão precisando de ajuda neste momento. Além disso, nossos serviços presenciais foram suspensos”. Desde o início da pandemia, a Ação Moradia já distribui mais de mil cestas básicas com alimentos e produtos de limpeza e higiene pessoal. Conforme Franciele, cerca de três mil pessoas foram beneficiadas e o propósito é alcançar cada vez mais.

O serviço de delivery começou no dia 11 e vai até 28 de junho. Ele é realizado de sexta a domingo, das 16h às 21h. Todos os alimentos característicos da época, como galinhada, caldos, canjica, pé de moleque e outros, são produzidos pela equipe da organização de forma voluntária. Os pedidos podem ser feitos pela plataforma disponibilizada para a ação. A taxa de entrega é cobrada a parte.

LIVES
As apresentações ao vivo realizadas em plataformas virtuais e adotadas por muitos artistas durante o isolamento social também viraram aliadas das instituições que querem promover um dia junino online. É o caso da Ação Moradia, que promoveu uma live no Youtube para inaugurar o serviço de delivery. A live aconteceu no dia 11 de junho. O evento abriu as portas para a realização de pedidos das comidas típicas e contou apresentações do Trio Sucupira e de quadrilhas.

 

“Conseguimos cerca de R$ 4 mil com a live. Foi uma oportunidade muito boa para divulgarmos o delivery e proporcionar uma festa junina em casa”, ressaltou a coordenadora Franciele.


A Casa da Misericórdia também já está programando uma live beneficente para o dia 24 de junho, data em que é comemorado o Dia de São João. De acordo com o presidente Luciano Alves Faria, a proposta é fazer uma festa junina virtual para o público curtir em casa.

O evento online, que será transmitido no canal do Youtube Festa Junina do Umuarama, contará com shows, sorteios, leilão e outras apresentações artísticas. “Não conseguimos realizar os shows presencialmente. Sendo assim, vamos transferi-los para a live. Além disso, contaremos com a ajuda do público para a realização de doações durante a transmissão”.

ARRECADAÇÃO
Mesmo com tantas alternativas adotadas pelas organizações sociais para conseguirem recursos às pessoas e famílias acolhidas, a queda significativa na quantidade de dinheiro arrecadado é uma realidade. Franciele Ferreira, da Ação Moradia, acredita que será registrado uma redução de mais de 90% no número de arrecadações. “Em média, com as festas tradicionais nós costumamos conseguir um lucro de cerca de R$ 120 mil. Agora, ele pode cair para R$ 8 mil. Infelizmente, será uma queda muito grande”.

A Casa da Misericórdia, que conta com um espaço para atender 36 pacientes e familiares, também sentirá os reflexos devido a não realização da festa tradicional. Luciano Alves Faria acredita que com a oferta de menos produtos no esquema de drive-thru e delivery, consequentemente, a renda também será menor.

Mas, apesar das circunstâncias, o presidente da instituição se sente confiante com as alternativas que foram encontradas para que a época junina fosse lembrada e comemorada pela população.

“Foram as saídas que encontramos para driblar essa situação que atinge todos. Não queríamos que esse momento afetasse nossos pacientes e a festa típica da região”, finalizou. 












 

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