26/03/2020 às 12h56min - Atualizada em 26/03/2020 às 12h56min

Paciente com suspeita de coronavírus aguarda coleta de amostra em Uberlândia

Servidora disse que sentiu primeiros sintomas no dia 29 de fevereiro e que desde então espera por exame

SÍLVIO AZEVEDO
Paciente procurou atendimento no hospital Santa Marta, que notificou a Vigep para colher o exame | Foto: Google/Reprodução
Na semana passada, o Diário fez uma matéria com o advogado Jonathan Edward Rodovalho Campos, primeiro caso de contágio do novo coronavírus em Uberlândia. Na ocasião, ele relatou a falta de kits de coleta para a realização do exame na cidade. Quem está à espera da realização deste exame é a servidora pública municipal Eliane Rodrigues dos Santos. Segundo ela, desde o fim de fevereiro começou a sentir os sintomas da Covid-19, após ter contato com amigos que estiveram na Europa, Estados Unidos e no Japão.

Primeiro veio a febre e dor no corpo, em seguida a falta de ar. Com 52 anos, diabética e com crises de bronquite, ela faz parte da população dentro do grupo de risco. Mesmo com os sintomas e buscando ajuda médica, até o momento não foi feita a coleta do material de Eliane para a realização do exame, que constataria ou não a contaminação pelo novo coronavírus.

 “No sábado, 29 de fevereiro, comecei a sentir dor no corpo. No domingo já fiquei deitada o dia todo. Ainda trabalhei segunda e terça, e na quarta (4) entreguei os pontos e procurei o médico”, disse Eliane.

A partir daí, começou a saga da servidora para saber se tem ou não a Covid-19. Seu primeiro destino  foi a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Guarani. No dia seguinte foi a vez da Unidade de Atendimento Integrado (UAI) Planalto. Segundo ela, nos dois dias apresentou sintomas como garganta arranhando, tosse, febre, dor de cabeça e falta de ar. 

“Nos dois locais eu avisei que tive contato com pessoas que foram para a Europa, Estados Unidos e Japão. Mesmo assim não pediram exame nenhum, só me deram benzetacil para a garganta”.

Na quinta-feira (5) à noite, Eliane relatou que sentiu muita falta de ar, diarreia e a boca amarga. Decidiu então procurar ajuda no hospital Santa Marta. “Me deixaram em um quarto separado, medicaram e me mandaram para casa. Quando foi na segunda (9) levei o atestado que me deram. A tosse ainda estava absurda, falta de ar e comentei que não me sentia bem, por causa dos colegas. Me aconselharam a voltar ao hospital para fazer o exame”.

Eliane disse que voltou ao Santa Marta na terça e ficou novamente em isolamento. “Eles agendaram com o pessoal da Vigilância Epidemiológica (Vigep) para no outro dia colher o material para exame e me mandaram para casa. Voltei no outro dia, a enfermeira me chamou, pediu que eu voltasse para casa, permanecesse em quarentena por 14 dias e aguardasse o pessoal ir colher o exame em casa”.

Desde então, a servidora aguarda a visita dos agentes da Vigilância Epidemiológica para a coleta do material. “Ligo diariamente na Vigep, no Santa Marta, UBS e nada. Soube que o formulário, pedido de exame, deu entrada no dia 18 de março, mas em contato lá já me informaram que não vão colher, pois estou em quarentena em casa e só estão fazendo o exame em quem está em hospital”.

Já sem os sintomas aparentes da Covid-19, a maior preocupação de Eliane agora é se resguardar junto ao seu trabalho sobre as faltas devido à quarentena. “A situação está ficando complicada. Quando apareceram os sintomas eu já me afastei da faculdade, do trabalho, por precaução para não passar o vírus para ninguém. Não é justo. Me colocaram em quarentena e eu não tenho atestado ou um documento que me resguarde para apresentar aos meus superiores”.

A servidora relata ainda que durante o processo de espera do exame adquiriu pneumonia bacteriana. “Eu teria que voltar a trabalhar ontem, pois a quarentena acabou na terça. Mas conversei com meu superior imediato que vendo a gravidade da situação foi bastante compreensivo e sugeriu que eu voltasse ao médico. Ontem mesmo fui à UBS do Guarani e a médica confirmou que estou com essa pneumonia bacteriana. Continuo tossindo, mas graças a Deus sai da fase pesada e o pior já passou”. 

OUTRO LADO
O Diário de Uberlândia procurou a Prefeitura de Uberlândia, que informou apenas que o procedimento usado neste caso foi o correto. O Executivo não falou sobre o agendamento do exame junto à Vigep e sobre a falta de kits, pediu para verificar a resposta com o Estado alegando que o Município apenas executa as ações determinada por ele.

Sobre os kits, em nota a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Superintendência Regional de Saúde de Uberlândia, informou que “até a presente data, 25/03, não há desabastecimento dos kits de coleta de material para a realização de exame que detecta o coronavírus nos 18 municípios da região. Ressaltamos que a distribuição dos kits para os municípios está sendo feita de acordo com os critérios técnicos dos protocolos e notas técnicas, priorizando neste momento os casos com Síndrome Respiratória Aguda Grave, internados e profissionais de saúde com sinais e sintomas da Covid-19.”

A reportagem também buscou informações do Hospital Santa Marta, onde Eliane foi atendida duas vezes. Por meio de nota, a unidade de saúde informou que todos os pacientes que chegam ao hospital assintomáticos (com suspeita, mas sem sintomas) recebem a orientação de ficar em isolamento domiciliar e tomando medicamento. Disse ainda que “o hospital comunica a Vigep, eles que têm o Kit, para que eles possam colher o exame”.

Sobre o fato de o hospital não realizar a coleta do exame, a nota informou que o convênio de Elaine, a RN Sáude, “não cobria o exame, não está conveniado ao laboratório que faz o exame, por isso as orientações da vigilância foram passadas a ela”.

A RN também foi procurada pela reportagem, mas até o fechamento desta edição não teve retorno.









 

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