14/03/2020 às 12h39min - Atualizada em 14/03/2020 às 12h39min

Uberlandenses que moram na Europa relatam situação durante pandemia do coronavírus

Cancelamento de atividades e quarentena domiciliar são medidas cautelares cumpridas pelos entrevistados

BRUNA MERLIN
Na Itália, Leonora Fuga e a família estão em quarentena domiciliar | Foto: Arquivo Pessoal
O novo coronavírus atinge 121 países no mundo inteiro, de acordo com um levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgado nesta sexta-feira (13). A pandemia, que se espalha rapidamente, já contaminou mais de 134 mil pessoas, sendo que 5.043 mortes pela enfermidade já foram registradas em diversas regiões. Depois da China, o território europeu é o mais afetado pelo Covid-19 e a cada dia novos casos e óbitos são confirmados.

A Itália é o país europeu mais atingido pelo coronavírus. Até o momento, são 15.113 casos confirmados da doença e mais de mil mortes. As 20 regiões do país registraram casos e os óbitos aconteceram em oito delas.

Leonora Fuga Buiate, que é natural de Uberlândia, mora há aproximadamente três meses em Cesano Maderno na Itália, onde há um caso confirmado de coronavírus. A cidade fica localizada a 14km de Milão, uma das cidades mais atingidas pela enfermidade. Segundo a brasileira, todos os moradores têm a sensação de estar vivendo em uma cena de filme dos fins dos tempos onde a população é inexistente e a cidade está abandonada.

A publicitária de 38 anos se mudou para Cesano Maderno com os filhos de 6 e 8 anos com o objetivo de oferecer uma melhor qualidade de vida aos pequenos. Hoje, ela está morando com a irmã e todos estão de quarentena domiciliar conforme indicado pelo governo italiano como medida cautelar.

 
“Estamos vivendo com muita cautela. Como o quadro de infectados evoluiu muito rápido, passamos por algumas fases. Começamos com a fase da atenção a essa doença e medidas de segurança e higiene, depois passamos pela fase de suspensões de atividades como escolas, teatros, igrejas e museus. Como a situação continuou crítica, tivemos que parar todas as atividades e estamos em quarentena em casa. Para compensar o tempo perdido, as crianças estão recebendo atividades por e-mail das escolas”, relatou Leonora.

Na última quarta-feira (11), foi anunciado o terceiro decreto, em cinco dias, do primeiro-ministro da Itália Giuseppe Conti, que determinou o fechamento de todo o comércio em âmbito nacional para reforçar ainda mais as medidas a fim de limitar a infecção do Covid-19 o mais rápido possível. Policiais foram colocados em ação para fiscalizar a saída dos moradores. Se algum cidadão precisa ir ao supermercado ou farmácia, ele é orientado a manter distância de 1 metro das outras pessoas.

Ainda de acordo com Leonora, é proibido se locomover para outras cidades do país. As pessoas que precisam se deslocar por motivos profissionais devem ter uma declaração da empresa atestando que estão em horário de trabalho. Se a determinação for descumprida, o cidadão está sujeito a uma multa de 300 euros, podendo até ser detido pela infração.

 
“A Itália parece estar em ritmo de domingo de manhã devido à paralisação”, ressaltou a publicitária.

Leonora conta que apesar da situação ser complicada, as famílias estão se apoiando mesmo em quarentena domiciliar. Nas redes sociais, os cidadãos de Cesano Maderno estão postando fotos usando a hashtag #iostoacasa, que significa “eu estou em casa”, para compartilhar alguns dos momentos perante à crise que estão vivendo.

“Outra atitude inspiradora surgiu para ajudar os idosos que são os mais afetados pelo coronavírus. Para evitar que eles saiam de casa, alguns jovens têm se oferecido para assumir tarefas que os idosos precisam fazer na rua, como compras em supermercados. “É bonito ver a solidariedade acontecer em momentos de aflição”, detalhou a uberlandense.

Por fim, a publicitária uberlandense diz que se sente protegida com as orientações e notícias que são divulgados a todo instante. “Se cada um fizer sua parte, seguindo as medidas que a OMS pede, tudo irá dar certo e iremos sair dessa situação em breve”, finalizou.
 
OUTRAS REGIÕES
Dâmaris Borges mora em uma das regiões de Portugal mais atingida pelo corona | Foto: Arquivo Pessoal
 
Mesmo que a proporção de casos confirmados do coronavírus seja menor em outras regiões da Europa, as medidas cautelares impostas pelo governo europeu estão impactando todos os moradores do continente. É o caso da Espanha, que até esta sexta-feira (13) contabilizava mais de 3 mil casos registrados e 84 óbitos, e Portugal que tem 112 casos confirmados da enfermidade, mas sem mortes até o momento.

Dâmaris Borges Fernandes, de 37 anos, mora há pouco mais de dois anos no Concelho de Braga, que é distrito da cidade de Braga no extremo norte de Portugal, região mais atingida pelo coronavírus. Ela, que é natural de Tupaciguara, morou por muitos anos em Uberlândia e se mudou para o país europeu buscando mais qualidade de vida.

Braga ainda não tem casos confirmados do Covid-19, mas o medo entre a população existe. “É uma mistura de sentimento, mas tento não me desesperar com a situação e sempre seguir as recomendações dos órgãos”, explicou Dâmaris.

Várias atividades na cidade e no distrito já foram encerradas. A mineira conta que, além de escolas e universidades, alguns bares e restaurantes interromperam os serviços por um prazo. Uma conhecida dela teve o voo ao Brasil cancelado pois sairia de Porto, que é uma das cidades mais afetadas pela enfermidade. A família de Dâmaris está com uma viagem marcada também para o Brasil no dia 26 de março, mas acredita que será cancelada devido à situação.

Apesar de ver muitas pessoas sendo atingidas pelas medidas cautelares, Dâmaris diz que as coisas estão mais fáceis para ela porque consegue trabalhar de casa. “Isso evita bastante a minha circulação, mas estou tomando outras medidas para me prevenir como evitar o convívio direto com pessoas externas, sempre higienizar as mãos e quando sair usar máscaras”, disse.

O armador de ferragens, Ronaldo Albenes da Silva, de 54 anos, mora em Las Palmas, que é capital de Gran Canária, uma das Ilhas Canárias espanholas no noroeste da África. Segundo ele, a ilha vive de turismo e recebe muitos turistas da Itália e Holanda. Até o momento, o local tem oito casos positivos para coronavírus, sendo um paciente que é morador da ilha e os demais turistas.

 
“É uma preocupação muito grande com o futuro, já que mais da metade da ilha vive do turismo”, ressaltou Ronaldo, que é natural de Uberlândia e mora em Las Palmas há aproximadamente 19 anos.

Ronaldo Albenes vive em ilha espanhola que recebe turistas da Itália e Holanda | Foto: Arquivo Pessoal

No dia 25 de fevereiro, foi anunciado em diversos jornais brasileiros que um hotel nas Ilhas Canárias havia sido colocado em quarentena, após um médico italiano hospedado no local ter sido testado positivamente para a enfermidade. Cerca de mil hóspedes foram impedidos de deixar o local.

As medidas de segurança impostas pelo governo europeu também são aplicadas em Las Palmas, segundo Ronaldo. Campeonatos esportivos foram cancelados, visitas a hospitais e asilos tiveram que ser suspensas e os meios de transporte público como ônibus estão operando em modo restrito.

 
“Estamos todos tentando nos informar bem sobre a situação. Procuro evitar sair de casa, não vou mais em bares e eventos porque a coisa é mais séria do que a gente pensa. Mas, se cada um fizer sua parte, muita coisa melhora”, finalizou.






















 
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