21/11/2019 às 18h41min - Atualizada em 21/11/2019 às 19h53min

Vereador Ismar Prado e ​William Alvorada confessam desvio de verba indenizatória

Investigados firmaram acordos nesta quinta-feira (21) após depoimentos no Ministério Público; Ismar deve renunciar ao cargo na Câmara de Uberlândia

CAROLINE ALEIXO
Ismar deve renunciar ao cargo na Câmara de Vereadores de Uberlândia| Foto: Denilton Guimarães
O ex-vereador William Alvorada (PRP) e o vereador Ismar Prado (PMB), investigados na Operação O Poderoso Chefão, confessaram os desvios da verba indenizatória por meio da empresa Ideal Assessoria e Serviços, apontada como de fachada nas investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia. Eles foram ouvidos nesta quinta-feira (21) na sede do Ministério Público Estadual (MPE).

De acordo com os promotores de Justiça Daniel Martinez e Adriano Bozola, foram firmados acordos de não-persecução penal a partir da confissão dos investigados. Os dois deverão ressarcir os cofres do Legislativo com os valores recebidos e devidamente corrigidos.

O Diário de Uberlândia recebeu a informação de que, além do ressarcimento, Ismar teria acordado em renunciar ao cargo no Legislativo de Uberlândia. Questionado sobre a renúncia,
 a Promotoria de Justiça confirmou a informação à reportagem.

Procurado, o presidente da Casa, vereador Hélio Ferraz-Baiano, disse que está em Belo Horizonte e não tem ciência do fato. A procuradora-geral da Câmara, Alice Ribeiro, não atendeu as ligações. 

A reportagem do Diário ligou para o vereador, mas o telefone estava desligado. O advogado de defesa de Ismar disse que irá se manifestar em momento oportuno via nota.

Em contato com o jornal, os deputados Weliton e Elismar Prado, ambos do PROS, deixaram em aberto a possibilidade da renúncia do irmão. Os parlamentares informaram que repudiam qualquer prática ilegal e apoiam o trabalho do Ministério Público e da Justiça para esclarecimentos dos fatos. “Não passamos a mão na cabeça de ninguém, quem erra tem que pagar e não merece ficar na vida pública, tem que renunciar”, informaram ao Diário.

William Alvorada reconheceu falha por não checar dados das empresa suspeita | Foto: Arquivo pessoal

O ex-vereador William Alvorada reconheceu ter falhado ao contratar um fornecedor sem checar as informações. “Foi uma falha não ter conhecido a gráfica antes, um erro da minha parte. Não ter checado, vai servir como exemplo”, disse.

Ele confirmou que utilizou os serviços da gráfica Ideal somente nos três últimos meses do mandato, logo após ter disputado a eleição e não ter sido reeleito. Alvorada ainda admitiu que o sistema de conferência na prestação de serviços na Câmara é falho e precisa ser aprimorado.

 “A Câmara tem que criar uma situação para checar as empresas. Tem que ter uma comissão para apertar lá. Ou o próprio vereador. O sistema é falho, deveria ter alguém que checasse [os fornecedores] e olhasse isso, e não tem até hoje”, finalizou.

William também era ordenador de despesas na Câmara na época dos fatos apurados. Atualmente, ele é servidor comissionado da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico. 


PECULATO
William recebeu R$ 23.400 da verba com serviços supostamente prestados pela empresa e Ismar R$ 93.480. Os valores corrigidos e que deverão ser devolvidos à Câmara de Uberlândia são R$ 34.309,73 e R$ 129.317, 54, respectivamente. Após homologação dos acordos perante a Procuradoria da Câmara e o Ministério Público, eles deverão fazer os pagamentos de forma parcelada.


Acordos dessa natureza, ao serem celebrados, libera o investigado de responder a processo criminal. Mas eles podem ser feitos apenas quando a pena mínima do crime cometido não ultrapassa quatro anos, nem que seja praticado mediante violência ou grave ameaça.

“Os dois confessaram o desvio e se comprometeram a fazer a devolução. O acordo de não-persecução foi celebrado porque os dois são primários, portadores de bons antecedentes e não há o indício de que integraram a organização criminosa investigada. O crime é de peculato (desvio), então a pena comporta o acordo e crime praticado sem violência ou grave ameaça”, explicou o coordenador do Gaeco, Daniel Marotta Martinez. 

Segundo o promotor, Ismar disse que pagava uma pequena parte do valor ao proprietário da Ideal, Marcos Esteves, apenas referente ao recolhimento de impostos. Já Alvorada informou que o empresário não teria feito qualquer cobranças, como se fosse um favor. 

DENÚNCIAS
Os vereadores Juliano Modesto e Alexandre Nogueira, principais investigados na operação, serão ouvidos novamente pelo Gaeco na próxima semana a fim de serem questionados sobre as verbas indenizatórias e gastos com a Ideal.

“Isso deixa evidente que a Ideal era uma empresa de fachada e usada pra desviar dinheiro público. Em relação aos demais investigados, a gente já está enxergando uma organização criminosa que se instalou na Câmara e na Ideal para fazer desvios.

As oitivas serão finalizadas na próxima semana para oferecimento da denúncia de organização criminosa em relação aos desvios no transporte escolar municipal, que é o principal foco das investigações. O MPE ainda irá aprofundar as investigações em relação à verba indenizatória para oferecer denúncia desmembrada, posteriormente, se for o caso.

Promotor Daniel Martinez fala sobre depoimentos colhidos nesta quinta-feira (21) no MPE | Foto: Caroline Aleixo




 
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