29/10/2019 às 17h09min - Atualizada em 29/10/2019 às 18h18min

​Prefeitura de Araguari exonera servidor alvo na Operação O Poderoso Chefão

Advogado Simeão da Costa Júnior é apontado como braço jurídico da organização investigada pelo Gaeco de Uberlândia

CAROLINE ALEIXO
Município de Araguari anunciará novo controlador nesta quarta-feira (30) | Foto: Ascom/Araguari
A Prefeitura de Araguari informou por meio de nota à imprensa, na tarde desta terça-feira (29), que exonerou o controlador-geral do Município Simeão Antônio da Costa Júnior. A medida ocorre em virtude da prisão dele na Operação “O Poderoso Chefão”, realizada na última sexta-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Uberlândia. 

O servidor foi afastado das atividades logo após a prisão e a exoneração será publicada oficialmente nesta quarta-feira (30), junto ao novo nome que irá assumir o cargo no Executivo. 

“A referida acusação, se refere ao tempo que ele exerceu o cargo de assessor na Câmara Municipal de Uberlândia e não possui nenhum envolvimento em relação à Prefeitura de Araguari, face ao fato ocorrido, o prefeito Marcos Coelho declarou a exoneração do secretário de suas funções”, cita trecho de nota enviada pela assessoria da Prefeitura.

Simeão é advogado e ficou lotado no gabinete do vereador Alexandre Nogueira (PSD) de janeiro de 2013 até janeiro deste ano. No mês de março, assumiu as funções perante o Município de Araguari. 

 

O Ministério Público Estadual (MPE) aponta que ele seria o “braço jurídico” da organização criminosa investigada na operação com o intuito de dar suporte ao suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Cooperativa dos Transportadores de Passageiros e Cargas (Coopass) e a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP). 

O Diário entrou em contato com a defesa do investigado que informou que já entrou com um pedido de revogação da prisão preventiva e aguarda análise da 3ª Vara Criminal da comarca de Uberlândia. Sobre as investigações, o advogado informou que ainda não teve acesso aos autos do processo para comentar o assunto.

ENTENDA
Além do advogado, são investigadas pelo Gaeco outras 15 pessoas. Entre elas estão os vereadores de Uberlândia Alexandre Nogueira, Juliano Modesto (SD) e Wilson Pinheiro (PP), e ainda o ex-controlador da Câmara Municipal de Uberlândia, Adeilson Soares. 

A apuração indica que o mesmo grupo que comanda a Coopass criou a ATP para ser uma "associação espelho", uma vez que a Coopass poderia ficar proibida de contratar com o poder público em razão de descumprimento de cláusulas contratuais firmadas com o Município de Uberlândia. Contratada, a ATP então passou a apresentar planilhas adulteradas da quilometragem rodada para receber os valores superfaturados da administração municipal. 

 

São apurados crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro praticada para maquiar a origem dos valores. Segundo o Ministério Público, os valores eram desviados por meio de pagamentos a um grupo de empresas constituído pelos próprios integrantes das associações.

ARAGUARI
Durante coletiva de imprensa na última sexta-feira (25), os promotores de Justiça comentaram sobre o mesmo grupo econômico investigado continuar em atividade e prestando serviço, por exemplo, à Prefeitura de Araguari com valores expressivos.

“Em 2018, em Araguari, tinha uma outra empresa que não era desse grupo econômico que cobrava por km rodado R$ 1,85. Com a inserção desse grupo investigado na operação, o km rodado em Araguari estava chegando a R$ 4. O curioso é que em Uberlândia o valor praticado é R$ 1,79”, disse o promotor Adriano Bozola.

O Gaeco informou que ainda será investigado se houve prática de crimes nos contratos da associação também firmados com o Município vizinho. 
 
Em coletiva de imprensa, promotores falaram sobre atuação do grupo econômico no Município de Araguari | Foto: Caroline Aleixo






 

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