22/05/2019 às 08h05min - Atualizada em 22/05/2019 às 08h06min

Novo chefe da PF de Uberlândia prioriza combate ao tráfico e desvio de recursos públicos

Delegado Almir Soares retorna à cidade após seis anos

VINÍCIUS LEMOS
Almir nasceu na cidade de Cambará e ingressou na PF em 2003 | Foto: Vinícius Lemos
Nomeado como novo delegado chefe da Polícia Federal em Uberlândia no final de março, Almir Clementino Soares volta à cidade depois de um período de seis anos, aproximadamente. Ele foi delegado da PF na mesma delegacia entre os anos de 2009 e 2013. O retorno neste ano em uma posição mais alta se deve ao convite da Superintendência da PF de Minas Gerais, após o delegado chefe anterior, Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, ter sido convidado para assumir a Delegacia de Combate ao Crime Organizado no Estado do Mato Grosso.

Almir Soares nasceu na cidade de Cambará, no Paraná, e ingressou na PF ainda em janeiro de 2003, como escrivão, chegando ao cargo de delegado três anos depois. Teve passagens por delegacias nas cidades de Chuí (RS), Palmas (TO), Montes Claros (MG) e Belo Horizonte, de onde saiu para a volta ao Triângulo Mineiro.

Combate ao tráfico de drogas e crimes envolvendo recursos públicos são as prioridades de Almir Soares. Em entrevista exclusiva ao Diário, o delegado chefe explicou que o efetivo deficitário perto de 50% e a grande abrangência da Delegacia da PF em Uberlândia são desafios locais, mas que o trabalho segue em parceria com demais corporações policiais e com bons resultados, de acordo com sua avaliação.
 
Diário - Quando o senhor recebeu o convite para assumir a delegacia em Uberlândia, o que o levou a aceitar?
Almir Soares - O que me trouxe foi o desafio e a minha aptidão para administração. Dentro de um critério de competências, uma coisa que gosto e sei fazer é administrar pessoas e uma delegacia. Foi esse o desafio que me trouxe para cá. Fora o fato de já conhecer as pessoas da delegacia e saber que seria bem recebido foi um fator relevante. Na minha primeira passagem eu trabalhava com investigações e fazia conduções de inquéritos.
 
Que tipo de trabalho mais demanda a Delegacia da Polícia Federal aqui em Uberlândia?
Uberlândia é uma das cidades mais importantes do interior do Brasil. Ela possui entroncamento rodoviário que a coloca numa posição de destaque nacional e por aqui também passa o crime. Nosso trabalho é justamente impedir que a criminalidade cresça. Nosso foco é o tráfico interestadual de drogas, desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro. É importante frisar que a delegacia de Uberlândia é regional e engloba 60 municípios, que vão da divisa de Goiás até o norte do Estado, sendo que a cidade mais longe da nossa circunscrição é Chapada Gaúcha, a quase 700 km de distância. São 2 milhões de habitantes nessa área, sendo 10% da população de Minas Gerais na nossa circunscrição.
 
Uberlândia é ponto de chegada ou de passagem do tráfico de drogas?
Em razão do entroncamento rodoviário é mais um ponto de passagem que chegada. A droga vem das fronteiras e vai para grandes centros. Para alguma coisa aqui sim, mas é mais rota de passagem para outros centros do País.
 
A dificuldade é ter uma área tão grande para atuação? Como contornar isso?
A gente trabalha com investigação própria e conta com parceria de outras polícias. A gente troca informações e às vezes dá auxílio também.
 
Minas Gerais é um Estado de grande criminalidade nesses três focos que o senhor citou?
Esse problema é nacional e não uma coisa que ocorra só aqui. Tanto é que vemos investigações de outros Estados e de nível nacional demonstrando a ocorrência desses crimes. O que ocorre em Minas, em razão da dimensão do Estado, temos poucas delegacias. São sete no interior enquanto São Paulo tem 15 ou 16 (delegacias) e é um Estado geograficamente menor, ainda que haja população um pouco maior. Nosso desafio é fazer mais com menos. A gente trabalha basicamente com inteligência com investigações, de forma sigilosa, discreta, para identificar quem são os fornecedores. Com base nessas informações recorremos ao judiciário para obter medidas cautelares para que possamos atuar de forma eficaz na prisão desses criminosos. Outros crimes dependem mais de denúncias, de particulares ou um trabalho do Tribunal de Contas ou Controladoria Geral da União, além de outros órgãos que também combatem esses tipos de crimes (desvio de recursos públicos e a lavagem de dinheiro).
 
Ampliação de recursos ou de homens é prevista?
Isso é uma política que não depende de mim aqui em Uberlândia, é uma política nacional. Eu acredito que a Superintendência vê com bons olhos a necessidade de ampliação. Ajudaria sem dúvida alguma.
 
O que pode ser feito para ampliação do trabalho da Delegacia da PF em Uberlândia?
O que está sendo concluído é a construção de um prédio da unidade técnico-científica aqui ao lado. Isso com certeza amplia nossa capacidade e trabalho. Temos um trabalho em parceria por meio da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e dentro das nossas possibilidades. Acredito que para ampliar o trabalho passaria por aumento de efetivo.
 
O efetivo é deficitário?
Por questão estratégica não revelamos números de efetivo, mas entendo que hoje é carente. Acho que poderíamos tranquilamente aumentar uns 50%.
 
É um desfaio tentar coibir esse tipo de crime e trabalhar com pressão política?
Não vejo pressão política na Polícia Federal, não acredito que alguém tivesse a ousadia de fazer algum tipo de pressão política nesse sentido. Já está bem demonstrado que a PF é uma polícia de Estado e não de Governo. Trabalhamos com independência e autonomia.

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