Diário de Uberlândia | jornal impresso e online Publicidade 1140x90
12/04/2019 às 17h44min - Atualizada em 12/04/2019 às 18h44min

​Réu é condenado a 13 anos de prisão pela morte de professora em Uberlândia

Clóvis Durade era policial militar quando assassinou a ex Veridiana Rodrigues em 2015; defesa vai pedir nulidade da sentença

CAROLINE ALEIXO
No julgamento, ex-sargento da PM disse que não se lembrava de nada e negou a autoria | Foto: Caroline Aleixo
O ex-policial acusado de matar a professora Veridiana Rodrigues Carneiro em Uberlândia, no ano de 2015, foi condenado a 13 anos de prisão. Clóvis Durade Cândido teve um relacionamento amoroso com a vítima e, durante uma discussão, a executou com diversos tiros no bairro Santa Mônica. júri popular dele foi realizado na tarde desta sexta-feira (12).

O julgamento iniciou por volta das 13h30 após o sorteio dos sete jurados. Ao todo foram ouvidas cinco testemunhas de acusação, além do réu, o promotor de Justiça no caso e o advogado de defesa.

A primeira testemunha foi um policial militar que fez o registro da ocorrência de homicídio no dia 27 de outubro de 2015. Em seguida, duas testemunhas que presenciaram o crime falaram ao juiz, depois o sobrinho de Veridiana.

Por último, a mãe da vítima foi ouvida. Muito emocionada, ela relembrou como era a filha e alegou que a morte ocorreu porque, até então, o sargento da Polícia Militar não aceitava o fim do relacionamento dos dois.

Ainda que ele tenha confessado o crime anteriormente aos autos, além de provas contundentes como as imagens que registraram o fato, o réu negou o homicídio em plenário dizendo que não se lembrava de nada, nem que teria atirado contra alguém algum dia.


Câmeras flagraram ação na avenida Doutor Laerte no bairro Santa Mônica | Foto: Reprodução

O promotor de Justiça Sylvio Fausto de Oliveira defendeu aos jurados que Clóvis estava consciente ao cometer o crime e pediu uma condenação justa, para que a pena dele não fosse atenuada. Isso porque a defesa solicitou um laudo psicológico, homologado no processo, atestando que o autor é semi-imputável.

De acordo com o advogado Júlio Antônio Moreira, o cliente já fazia tratamento psiquiátrico ainda estando na corporação e o laudo comprovava que ele tinha parcial perturbação mental. Contudo, o júri não acatou a tese e julgou o réu culpado pelo homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e dificuldade de defesa da vítima

 
SENTENÇA
Com base na votação dos jurados, que reconheceram a autoria do réu e não reconheceram a semi-imputabilidade, o juiz Dimas Borges de Paula determinou a pena de 14 anos de reclusão a Durade pelas duas qualificadoras.

Contudo, a pena foi reduzida a 13 anos por ele ter confessado o crime à polícia na época dos fatos. A pena deverá ser cumprida em regime fechado.

A defesa tem cinco dias para recorrer da sentença e informou que vai entrar com pedido de nulidade absoluta para invalidar a sentença.


"Ficou cinco a dois. Eu vou pedir nulidade porque tinha exatamente cinco jurados conversando com o promotor na sala do café a respeito do laudo. É um absurdo. O juiz mandou constar na ata e eles alegaram que estavam conversando sobre jogo. Eles não podem conversar nada, não podem comunicar entre si e nem com o promotor", justificou Júlio. 

O promotor não concedeu entrevista à imprensa ao final do julgamento. 


RELEMBRE O CASO
Veridiana tinha 36 anos quando foi executada no final da manhã do dia 27 de outubro de 2015 em via pública, depois que saiu da escola onde trabalhava e chegava em casa. A polícia teve acesso a imagens das câmeras de segurança que flagraram o ex-sargento da Polícia Militar (PM) atirando contra a mulher na rua Doutor Laerte Vieira Gonçalves. Ela foi atingida por 13 disparos de pistola. 
 
A professora chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos. O sobrinho dela contou ao juiz durante o julgamento que ouviu uma discussão envolvendo a tia e que ela pediu para que ele chamasse a polícia. Mas no momento em que ele acionou a polícia, ouviu os disparos de arma de fogo e muitas pessoas em volta, próximo de casa. A PM chegou poucos instantes depois.

Após o crime, o autor confesso foi encontrado em um bar na região e preso em flagrante pela própria PM. Durade, com 46 anos na época do crime, chegou a ficar internado e depois detido em uma cela do 17º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Com a exclusão da PM, ele foi transferido para a Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, onde há uma ala destinada a ex-policiais.
Veridiana professora morta Uberlândia

Veridiana professora morta Uberlândia


Veridiana era professora na rede municipal e foi assassinada próximo de casa, após retornar da escola que trabalhava | Foto: Reprodução/Facebook

Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Diário de Uberlândia | jornal impresso e online Publicidade 1140x90