19/03/2019 às 17h12min - Atualizada em 19/03/2019 às 19h43min

MP investiga possível aliciamento para trabalho na obra do Sistema Capim Branco em Uberlândia

Cerca de 30 trabalhadores do Nordeste tiveram a promessa de emprego na cidade frustrada, apontam denúncias

DA REDAÇÃO
Sistema de Captação Capim Branco é considerado a maior obra de saneamento da região | Foto: Dmae/Divulgação

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em Uberlândia apura uma denúncia de que cerca de 30 trabalhadores teriam sido aliciados em estados do Nordeste, como Maranhão e Piauí, para trabalharem nas obras de construção do Sistema de Captação de Água Capim Branco, do Departamento Municipal de Água e Esgoto de Uberlândia (Dmae). Contudo, a promessa de emprego teria sido frustrada.  

As primeiras informações da Procuradoria do Trabalho dão conta de que, conforme as denúncias, eles saíram das cidades de origem com a garantia de que trabalhariam na obra, mas já estão em Uberlândia há vários dias e ainda não foram contratados. Eles arcaram com despesas de transporte da origem e estão tendo despesas com alimentação. "Não tenho mais dinheiro para arcar com as despesas básicas, nem para voltar à origem", relatou um dos trabalhadores. 

Na tarde desta terça-feira (19) foi realizada uma audiência entre as partes e representantes do consórcio responsável pela obra para tratar o assunto. Os empregadores se comprometeram a fornecer refeições aos trabalhadores, que estão alojados num local providenciado pelo consórcio.

Segundo apurou o procurador, o primeiro grupo que chegou a Uberlândia foi empregado, mas o restante veio posteriormente não conseguiu o contrato e está sem trabalho há mais de um mês. Ainda de acordo com os relatos, a Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho ajudou com a distribuição de cestas básicas.


Procurador Paulo Veloso fala sobre investigação ao Diário de Uberlândia | Foto: Daniel Pompeu

Uma nova audiência com representantes do consórcio e também do grupo de trabalhadores foi realizada. Na ocasião, o procurador do Trabalho disse ainda que haverá uma inspeção no alojamento para verificar as condições dos trabalhadores, além dos detalhes sobre as contratações. “O aliciamento de mão de obra sem a observância dos requisitos legais pode configurar crime de aliciamento de trabalhador ou mesmo tráfico de pessoas”, disse Paulo Veloso.

Procurado, o Dmae informou que a responsabilidade das contratações é do consórcio. A reportagem tentou falar com representantes do consórcio ao final da audiência, mas nenhum deles quis se manifestar.


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