26/08/2017 às 05h01min - Atualizada em 26/08/2017 às 05h01min

Agosto tem o dia mais quente e a mais baixa umidade do ar

Há 98 dias não chove em Uberlândia; Dmae registra aumento no consumo

WALACE TORRES | EDITOR
Estação de tratamento Bom Jardim, no rio Uberabinha, que baixou o nível com a estiagem / Foto: Dmae/Divulgação

 

Próximo de alcançar a marca dos 100 dias sem chuva, o mês de agosto teve o dia mais quente e também mais seco do ano em Uberlândia, de acordo com os dados no Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A temperatura mais quente do ano foi registada no dia 10, quando os termômetros chegaram a 32,8 graus no período da tarde, superando os 32,7 graus registrados no início de janeiro. O dia 10 de agosto também teve o menor índice de umidade relativa do ar no ano, chegando a 15%, o que é considerado como estado de alerta.

O estado de alerta, no entanto, tem se restringido aos horários mais quentes do dia, que vai das 14h às 17h. No período da noite, os índices voltam a subir. Segundo a Organização Mundial de Saúde, é considerado estado de atenção o índice entre 21% e 30%; entre 12% e 20%, de alerta; e abaixo de 12%, estado de emergência. O índice considerado ideal é 60%.

A estiagem em Uberlândia completa hoje 98 dias e, por enquanto, não há previsão de chuva para as próximas semanas. O recorde em Uberlândia sem chuvas é de 120 dias. A última precipitação significativa na cidade foi registrada no dia 20 de maio, quando houve uma chuva de 17 milímetros.

A baixa umidade relativa do ar tem prevalecido nas últimas semanas por períodos curtos do dia e é resultado de uma massa de ar seco que deve predominar por mais algum tempo na região do Triângulo Mineiro. “Para as próximas semanas, não há nenhuma previsão de chegada de frente fria”, diz o professor de climatologia da Universidade Federal de Uberlândia Paulo César Mendes. Segundo aponta, os índices estão historicamente dentro da normalidade para essa época do ano. “Nos meses de julho e agosto geralmente cai uma leve precipitação, mas nada capaz de mudar o cenário. A diferença é que nesse ano não choveu”,  diz. Ele explica que o período de estiagem na região começa em meados de maio e vai até outubro. “Nesse período, são registrados somente 10% da precipitação do ano todo”.

Com a baixa umidade relativa do ar, a recomendação é que as pessoas evitem atividades físicas nos horários mais quentes do dia, além de reforçar a hidratação das vias aéreas e a ingestão de líquidos, especialmente crianças e idosos.

 

CONSUMO DE ÁGUA

Com a estiagem prolongada, o consumo de água em Uberlândia tem se mantido acima do previsto pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). Nos seis primeiros meses do ano, o consumo foi maior do que o registrado no mesmo período de 2016. Em junho, por exemplo, a população consumiu 11,83% a mais do que o verificado em junho do ano passado. Apesar da situação, o Dmae garante que o abastecimento segue normalizado. “Os níveis dos canais ainda não estão comprometidos, apesar de estarem um pouco baixo”, diz a supervisora de projetos ambientais da autarquia, Ana Paula Carvalho, reforçando a necessidade de a população se conscientizar sobre a situação. “Se a população continuar gastando mais água, os níveis do lençol freático reduzem. Temos que lembrar que o rio Uberabinha também abastece outras cidades, portanto, o aumento do consumo compromete essas populações”, ressalta.

Desde o fim de julho, o Dmae desligou o sistema de bombeamento hidráulico e acionou o elétrico, como forma de evitar a retirada de um volume maior de água do rio. Por outro lado, o custo com energia elétrica aumenta. “Na estiagem, as bombas hidráulicas são desligadas para preservar o nível do rio. Para cada litro de água tratado, cinco correm rio abaixo. Se a população consome muito, é preciso bombear mais água, o que aumenta o custo de energia”, diz.


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