24/08/2017 às 05h28min - Atualizada em 24/08/2017 às 05h28min

Trabalhadores do transporte suspendem greve por dez dias

Cerca de 250 motoristas e cobradores paralisaram as atividades ontem

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER
Trabalhadores fizeram passeata ontem no Centro, cobrando a permanência dos cobradores / Foto: Vinícius Romario

 

 

Depois de um dia de paralisação parcial no transporte público de passageiros em Uberlândia, motoristas e cobradores de ônibus decidiram retornar ao trabalho nesta quinta-feira e suspender o movimento grevista até o dia 13, quando as empresas e o Município irão apresentar uma nova proposta. Os trabalhadores cobram a regulamentação do cargo de cobrador e são contra a dupla função. Com a implantação da bilhetagem eletrônica nos ônibus, a tendência é reduzir significativamente o número de cobradores no sistema de transporte. 

Como manifestação, a classe fez ontem pela manhã uma passeata pelo Centro. Muitos usuários tiveram problemas para conseguir chegar em seus compromissos no horário em função da paralisação, que não passou de 25% da frota, mas gerou atrasos em algumas linhas, principalmente no início da manhã.

Um dia antes da paralisação, as empresas conseguiram uma liminar garantindo a circulação de 70% da frota nos horários de maior movimento e de 50% nos entrepicos.

Os protestos, segundo os trabalhadores, nasceram depois que as empresas de ônibus da cidade começaram a tirar cobradores de algumas linhas, processo que se intensificou a partir de julho deste ano. Em acordo firmado no início deste ano, as empresas se comprometeram a não fazer demissões de cobradores antes de 1º de setembro. 

No início da tarde, houve um acordo entre empresas e trabalhadores durante audiência realizada na Justiça do Trabalho (leia mais nesta página). A continuidade da greve, no entanto, ficou submetida à apreciação do acordo em assembleia. Os trabalhadores concordaram em suspender o movimento e aguardar que empresas e a Prefeitura voltem a se manifestar em definitivo.

Aproximadamente 250 trabalhadores aderiram ao movimento, de acordo com Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberlândia (Sinttrurb). Caso não houvesse o acordo mais cedo, a categoria pretendia ir para a porta dos terminais de ônibus divulgar o movimento na tentativa de aumentar a adesão.

“A partir das 20h quase 90% das linhas da cidade já estão funcionando sem cobrador. Sabemos também que oito motoristas já foram mandados embora por se negarem a cumprir a dupla função. Alinhado a isso tudo, temos cerca de 800 trabalhadores que poderão perder seus empregos”, afirmou o presidente Sinttrurb, Márcio Dúlio de Oliveira.

O motorista Abimael Ribeiro de Souza faz uma linha que já não conta com o auxílio do cobrador durante o fim de semana. De acordo com ele, as dificuldades e os riscos são grandes. “O tempo da viagem aumentou, há pessoas que passam sem pagar. Fica muito difícil para a gente ter que dirigir, cobrar e auxiliar os passageiros”, afirmou Souza.

Cobradora há seis anos, Maura de Oliveira Lima pede mais união na categoria para que o movimento tenha mais força. “A gente luta, mas muitos colegas não se importam. São nossos empregos que estão ameaçados e vamos cobrar nossos direitos”, disse Maura Lima.

Mirian Maria Mendes também está na profissão há seis anos e conta que o momento de indefinição vivido pela categoria atrapalha em planos futuros. “Não sabemos se vamos perder ou manter nossos empregos. Nesse momento de crise do País, tantos homens e mulheres podendo ser mandados para rua, pode piorar tudo”, ressalta Mirian Mendes. 

 

AUDIÊNCIA

Empresas vão apresentar estudo sobre fluxo de passageiros em dez dias

Representantes do Sinttrurb e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiro (Sindett) se reuniram em audiência na Justiça do Trabalho no início da tarde de ontem. A reunião contou também com a presença do promotor do Ministério Público do Trabalho, Paulo Veloso. 

Ficou acordado que o Sindett deverá apresentar em dez dias um estudo que comprove o fluxo de passageiros e a forma de pagamento mais utilizada em cada linha para que se possa determinar a presença de cobradores. Em contrapartida, o Sinttrurb terá o prazo de 15 dias para apresentar o mesmo estudo e os dados serão cruzados em nova audiência marcada para acontecer no dia 13 de setembro.

Em acordo coletivo assinado no início desse ano, ficou decidido que nenhum cobrador deveria ser dispensado, exceto por motivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), até o dia 1º de setembro.

Durante a audiência de ontem, os dois lados concordaram em prorrogar esse prazo até que os estudos sejam apresentados. 

Segundo o presidente do Sindett, José Luiz Rissato, a retirada dos cobradores acontecerá de forma gradativa. “É justamente com base nesse estudo que foi nos pedido que iremos trabalhar ajustando linhas que poderão operar sem o cobrador”, disse Rissato. 

“Esperamos que esse conflito seja resolvido de forma que possamos manter os cobradores em linhas que forem essenciais e também encerrar a greve”, afirmou o promotor Paulo Veloso. 

 

USUÁRIOS

A atendente Regina Santa esperou cerca de 30 minutos além do normal para conseguir pegar um ônibus que a levasse até o Centro. Ela afirma entender a situação dos motoristas e cobradores, mas disse ser preciso que o problema se resolva rápido para que não atrapalhe quem necessita do transporte público. “É constrangedor. Sabemos da luta que é para conseguir um emprego atualmente e esses trabalhadores podem perder os empregos deles, mas tem o nosso lado, o lado de quem precisa do ônibus para chegar até o trabalho também”, disse Regina Santa. 

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