09/08/2017 às 05h36min - Atualizada em 09/08/2017 às 05h36min

Ensino médio integral começa a ser oferecido na Rede Estadual

Em Uberlândia, Escola Ângela Teixeira é a primeira a adotar modelo

WALACE TORRES | EDITOR
Escola Estadual Ângela Teixeira da Silva, no Osvaldo Resende, ainda tem 30 vagas em aberto na modalidade integral / Foto: Walace Torres

 

A Escola Estadual Ângela Teixeira da Silva, no bairro Osvaldo Resende, é uma das 44 unidades do Estado e a primeira da rede pública em Uberlândia a oferecer a educação integral e integrada para alunos do ensino médio. Até o momento, 37 alunos já aderiram ao novo modelo, que oferece além do reforço na grade curricular normal, um conteúdo flexível com cursos técnicos e atividades nas áreas de cultura, ciência e tecnologia e linguagens múltiplas. Ainda há mais 30 vagas para a formação de uma segunda turma na escola.

A educação integral na rede estadual já era oferecida para o ensino fundamental e conta atualmente com aproximadamente 150 mil alunos inscritos nesta modalidade em Minas Gerais. Já para o ensino médio, a implantação começou este mês abrangendo cerca de 7,4 mil estudantes. Além de Uberlândia, outras duas escolas - em Indianópolis e Campina Verde - já implantaram turmas de tempo integral no ensino médio na área de abrangência da Superintendência Regional de Ensino.

Inicialmente, o tempo integral será oferecido aos alunos do 1º ano, que terão uma jornada diária igual ou superior a 7 horas. No tempo em que estiverem na escola os alunos recebem quatro refeições, incluindo almoço.

Com a reformulação do ensino médio, aprovada no Congresso Nacional, a jornada nas unidades estaduais passará de 800 horas/ano para 1.400 horas/ano. A nova legislação estabelece o prazo até o ano de 2024 para que todas as escolas de ensino médio ofereçam a educação integral.

Segundo o superintendente regional, Jakes Paulo dos Santos , a definição de quantas escolas irão ofertar a educação integral no próximo ano ainda depende do fechamento do plano de atendimento, que ainda está em fase de elaboração. “Precisamos saber quantas e quais escolas têm salas ociosas para preencher turmas integrais. Como parte do programa está sendo financiado pelo governo federal, também temos que aguardar a dotação orçamentária para pensar nisso”, disse.

Ainda de acordo com o superintendente, as escolas piloto do programa, como a Ângela Teixeira da Silva, em Uberlândia, já estão autorizadas a fazer contratações ou estender a carga horária dos professores para atender a ampliação da jornada. Estas escolas também estão recebendo verbas para reformas estruturais visando adaptar os espaços e capacitar os professores. Além de utilizar o espaço da própria escola, as atividades complementares poderão ser feitas em instituições parceiras que oferecem os cursos escolhidos pelos estudantes. A partir do 2º ano do ensino médio, por exemplo, os cursos técnicos em Uberlândia serão oferecidos pela Ultramig, que é uma fundação estadual.

 

QUESTIONÁRIO

Alunos têm a opção de escolher as atividades

O modelo de educação integral e integrada adotado em Minas Gerais ajuda a direcionar o aluno para o mercado de trabalho, como ainda prepará-lo melhor para o vestibular ou a prova do Enem. Na educação integral da Escola Estadual Ângela Teixeira da Silva a carga horária inclui duas aulas a mais de português, duas de matemática, uma de sociologia, física, química, filosofia e língua estrangeira.

No conteúdo diversificado, os alunos tiveram a opção de escolher quais modalidades seriam implementadas na escola, a partir de um questionário que foi entregue no início do ano. A maioria optou por aulas de robótica, música e informática. “O perfil do aluno de hoje é bem diferente. Eles querem uma escola mais participativa, com mais projetos e conteúdo diversificado”, diz a coordenadora do projeto na escola Ângelo Teixeira da Silva, Flávia Rúbia Silva. A grade inclui ainda aulas de dança e de instrumentos.

Outra novidade no currículo é a pesquisa de intervenção, que consiste no levantamento de alguma problemática ou situação verificada pelos alunos fora da sala de aula. Uma vez por mês, eles saem em busca de um determinado assunto em comum e trazem as questões para serem resolvidas com os professores. “Isso muda o conceito de aprendizagem e o modo de ver a escola”, diz a diretora Jaqueline Morais. 

Segundo ela, no início, os alunos do tempo integral demonstraram uma certa resistência ao modelo. “Ao perceberem que não se tratava de uma repetição de conteúdo, que não era uma mesmice, que a forma de dar aula era diferente, eles começaram a gostar mais”, conta a diretora.

Idário Arthur, de 17 anos, era um dos que mudou o conceito. “Estava em dúvida porque era o dia todo na escola. Mas depois eu vi que tinha coisas diferentes e comecei a gostar”, diz o aluno que pensa em fazer a faculdade de Engenharia.

Pedro Alexandre, 17, também não se arrependeu de ter optado pelo tempo integral. Ele conta que desde os 11 anos já estudava em dois períodos no ensino fundamental. Agora, no ensino médio, vai poder aprender robótica, que é uma de suas paixões. “Isso vai ser bom para o currículo, vou sair melhor preparado. E o bom que é de graça”, conta o estudante que também quer seguir a carreira de engenheiro civil.


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