16/06/2022 às 08h00min - Atualizada em 16/06/2022 às 08h00min

Estes seriam os jagunços do cerrado?

CLÁUDIO DI MAURO
Em visita a Uberlândia nesta quarta feira, dia 15 de junho, o ex-presidente Lula foi vítima de agressões com distribuição de outdoor por toda a cidade.

Agressões totalmente descabidas e que não devem resultar em vantagem eleitoral para os autores.

Não se caracteriza por agressões que tenham conteúdo para mudar as opiniões e tendências de votos definidos pelos eleitores. Ao contrário, mostram despeito e falta de argumentos consistentes. Essa forma de manifestação demonstra que as pesquisas eleitorais deixam adversários em estado de loucura. O medo de perder as eleições no I Turno, leva a essas manifestações apelativas.

Com essas atitudes, acirra-se o processo eleitoral e a divisão nitidamente observada nas relações sociais.

É interessante saber quanto custa para postagem desses cartazes nos pontos estratégicos e de maior circulação da cidade. Quem paga essa conta? Qual a procedência dos recursos financeiros dessa campanha antecipada?  Trata-se da luta de classes, expressa na disputa evidente? Ricos, bilionários estão com medo pelo fato de que poderão ter que pagar impostos sobre suas fortunas? 

As empresas que postam esses cartazes assinam contratos com pessoas que os patrocinam. Trata-se de crime e danos morais contra um postulante que teve todos os processos judiciais anulados e que, portanto, está diante de mentiras publicadas. Isso corresponde à “fake news” ?

Cabe ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral adotar as providências para apurar quem são os autores e aplicar as penalidades cabíveis contra os patrocinadores e empresas que realizam essas publicações.

Sob o ponto de vista eleitoral, quem são os responsáveis e quais são as penalidades previstas pela legislação, assim como pelo código Civil?
Afinal, haverá eleitor que deseja ser dirigido por gente com esse nível de agressividade?

Está demonstrada a pequenez dos adversários de Lula. No meu entendimento nem compensa uma reação contundente por parte dos eleitores que optam pelo ex-presidente. Ficaria melhor a utilização daquela máxima popular “enquanto o gado muge... a caravana passa”.

Mas, a Justiça Eleitoral tem sim obrigação de adotar as providências cabíveis. Cabe aos Partidos Políticos que se posicionam de maneira democrática, levantar os conteúdos desses cartazes, fotografá-los, identificar suas localizações, demonstrar o tamanho em metros de cada um, identificar a empresa que administra esses pontos e encaminhar para o Ministério Público e para a Justiça Eleitoral. Esse é o caminho para localizar os responsáveis e atuar por dentro da Constituição. A reação deve ser judicial, de acordo com os princípios da democracia.

Lula tem que ser indenizado por mais essa “baixaria” praticada por seus adversários, verdadeiros algozes.

Por redes sociais, há riscos de fazerem ameaças contra a integridade física das pessoas que receberão Lula. Cabe a apuração cuidadosa de autorias, caso existam. Ninguém deve ser submetido a constrangimentos pelo fato de democraticamente escolher seu candidato à Presidência da República.

Estamos diante de jagunços do cerrado mineiro ou isso está generalizado pelo Brasil? O Sertão de Guimarães Rosa é o cerrado mineiro onde jagunços não respeitam nenhuma lei tendo em vista a ausência das autoridades públicas!!! Mas, cada lugar do Brasil tem seu formato próprio de jagunço?

Enfim, estamos próximos do I Turno das eleições, mas ainda há tempo de um trabalho preventivo por parte dos administradores do pleito. Torna-se indispensável agir agora observando o rigor legal, como forma de prevenir acontecimentos mais desastrosos.

Os cartazes (outdoor), hoje, estão expostos em Uberlândia, mas poderão se repetir por outras cidades do Brasil. É importante cortar esse mal pela raiz, obedecendo os princípios legais e democráticos.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.



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