05/05/2022 às 08h00min - Atualizada em 05/05/2022 às 08h00min

Para a transformação do Brasil: comunicações e cultura

CLÁUDIO DI MAURO

A imprensa no Brasil está com sua credibilidade inteiramente arranhada e não consegue se comportar em condições de recuperação a curto prazo. A imprensa, fora de suas atribuições, tenta conduzir a política no Brasil, exercendo intencionalmente influência sobre as decisões da população, especialmente na definição das políticas nacionais e estrangeiras.

    

Quando Dilma Roussef venceu a reeleição, Aécio Neves que foi o segundo colocado assumiu que a ex-presidenta não poderia governar. Não respeitou os resultados da eleição. Fez um jogo parlamentar e social, apoiado pela imprensa criando todos os obstáculos.

 

Apoiado em muitos influentes órgãos da imprensa teve papel decisivo na condução do desgaste do governo Dilma e depois patrocinando o golpe que a removeu do Palácio do Planalto. Esses episódios, com apoio de parcela importante da imprensa, tiveram postura decisiva nesses episódios históricos e na condenação, a partir da lava jato, contra o ex-presidente Lula. Condenação que lhe rendeu 580 dias de prisão e que agora os Tribunais do Brasil, e mais ainda a Organização das Nações Unidas, confirmam que Lula foi submetido a uma deslavada fraude.

 

É necessário defender a liberdade de emissão de opinião, mas como afirma o Ministro Alexandre de Moraes, “liberdade de expressão não é liberdade de agressão”. Ou seja, a liberdade é de opinião e não de agressão contra desafetos. Especialmente, a liberdade de imprensa precisa ser valorizada e preservada e, por isso, precisa de disciplina e ética.

    

É importante a compreensão de que os veículos de comunicação são concessões públicas. Não poderiam e não deveriam adotar posturas de defesas de interesses políticos partidários. Nossa Coluna leva o nome de POLÍTICA: Uma Perspectiva. O título expressa e explica que há outros conceitos e posicionamentos cabendo ao leitor, conhecer as diversas abordagens sobre os temas e então se posicionar.

    

É necessário o cultivo desses hábitos democráticos. Os meios de divulgação eletrônica, assim como a imprensa escrita, precisam ter obrigações a serem cumpridas. É indispensável que haja a diversidade democrática. Não cabe o monopólio que precisa ser vencido, com espírito democrático e fazendo os debates abertamente.

 

Não se pode conviver com o controle econômico dos órgãos de comunicação. Isso não quer dizer que precisa ter o controle dos governos. Mas, todas as instituições precisam valorizar e respeitar a democracia. Por isso é preciso regular democraticamente, com liberdade de imprensa, garantindo a palavra para a pluralidade dos pensamentos.

 

Neste momento temos uma guerra declarada contra os serviços públicos, penalizando o financiamento da educação pública, da cultura e das artes. A invisibilidade para a qual têm sido empurradas as Universidades Públicas em conjunto ao rompimento com a ciência e a tecnologia, reduziram drasticamente os investimentos em pesquisa e extensão que precisam ser ampliadas e realizadas. Tudo ficou sob o controle dos interesses globais e aceitação das elites no Brasil. Em nossa leitura, expressivos setores da imprensa brasileira participam desse jogo, que em verdade é contra a Nação.

 

Experimentamos o crime contra a democracia, enfraquecendo o Estado Nacional. Precisamos que as pessoas e os grupos sociais se articulem e se posicionem com esforço maior para exigir a Soberania Nacional, com justiça social e visão ambiental na lógica de nosso verdadeiro desenvolvimento. E, para sucesso dessas aspirações, torna-se indispensável a participação de todos os órgãos das comunicações. Com isto se reconhece a importância das informações e das posturas dessas empresas ligadas às áreas das comunicações.

 

O Brasil é um País que se configura com mega diversidades nas questões ambientais, bem como nas culturas. Por isso, a valorização das culturas e ambientais devem ser entendidas como direito das pessoas. Não se pode adotar o preconceito contra as manifestações culturais e dos territórios.

 

Há uma guerra contra a produção cultural. A extrema direita, nazifascista que emergiu nestes recentes anos, impede que o Brasil seja uma Nação justa e na qual os direitos plenos sejam atendidos e assegurados. 

 

Não se pode apenas recomendar os valores materiais, mas também os simbólicos, as liberdades e o fortalecimento dos modos de viver.

 

Cabe ao Brasil, neste ano eleitoral, decidir qual país queremos.

 

Para construir a democracia temos que possuir uma imprensa livre, mas que aborde as diversidades. Os parâmetros precisam ser capazes de recobrir todas as pessoas em seu manto, para que de fato a sociedade seja democrática.

 

Em tempos do imenso desgaste que se abate sobre a democracia representativa, cabe a uma imprensa livre, democrática, valorizar todos os espaços culturais e se imiscuir nos meios das diversidades para valorizar todas as formas de viver.
 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
 

 

 
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