25/11/2021 às 08h00min - Atualizada em 25/11/2021 às 08h00min

Sobre os participantes do Acordo de Paris e da COP 26 em Glasgow

CLÁUDIO DI MAURO

Há sempre que se reafirmar que as chamadas crises ambientais, crises hídricas, em verdade são crises do sistema de exploração do Planeta, de seus componentes naturais e do trabalho humano.

A exploração citada se dá por ação de um sistema econômico fundamentado nos processos de crescimento econômico ilimitados.

O crescimento econômico ilimitado constante na média de 3% ao ano, implica em novas iniciativas que garantam aumento do enriquecimento para alguns setores sociais. Trata-se da transferência de recursos financeiros dos setores já depauperados para enriquecer ainda mais os já trilionários. O crescimento não é para atender toda população do globo, mas para aqueles setores que são considerados mais desenvolvidos intelectual e tecnologicamente. Assim é que o crescimento econômico não significa desenvolvimento.

Tais setores de corporações e trilionários, cada vez mais investem em melhorias nos seus sistemas de exploração e aperfeiçoamento das metodologias. Os que não possuem tal envergadura tecnológica ficam cada vez mais para trás. É como já afirmou Robert Kurz  em seu livro Colapso da Modernização do grupo inerente à Escola de Frankfurt “enquanto os setores privilegiados avançam como os coelhos, os países pobres rastejam como cágados”. Isso significa que as diferenças sociais e econômicas de concentração das riquezas ampliam-se a cada crise e a cada dia.

Na COP de Paris as metas para reduzir em 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 seriam insuficientes. Limitar o aumento da temperatura média do globo em 1,5ºC o que se pretende é reduzir em 45% a emissão de Carbono CO2, até 2030. Mas, na realidade, alcançar esse número significa que até lá haverá um aumento em 16% das emissões, comparativamente com a média atual.

Outra questão indispensável de ser vista é qual será a fórmula adotada para que o mundo pague a ambição desenfreada e consiga abandonar os combustíveis fósseis, pactuando como as nações mais vulneráveis serão ajudadas a sobreviver em relação às mudanças climáticas. Ainda que as nações desenvolvidas tenham assumido a responsabilidade de destinar 100 bilhões de dólares para esse fim, tais valores serão insuficientes.

O certo é que o mundo está diante de grandes problemas que não serão resolvidos no atual sistema de exploração econômica implantado, nos nossos casos, nestes países que fundamentam suas economias no modelo neoliberal, portanto, capitalista.

O Caso do Brasil

Na COP26 em Glasgow, o Ministro do Meio Ambiente Joaquim Leite anunciou que o Brasil reduzirá a emissão de carbono em 50% até 2030. Ele espera zerar as emissões de carbono até 2050. Não justificou, os motivos pelos quais precisa esperar tantos anos para chegar no zero, por exemplo, barrando os desmatamentos e as queimadas praticadas na Amazônia, geralmente de maneira ilegal.

Mesmo com essas limitações, o Ministro brasileiro não apresentou detalhes de quais serão as medidas a serem adotadas para alcançar esses objetivos. Não foram apresentados dados, base de cálculo, nem números para atingir as metas e depois o objetivo final. Por tais motivos, o Brasil se tornou vítima de muitas críticas. Apenas informou que até 2028 o País acabará com o desmatamento ilegal e que restaurará até 2030, pelo menos 13 milhões de hectares degradados. Assume assim a tolerância com os desmatamentos ilegais e deixa as metas a serem atingidas pelos futuros governos.

Contradizendo essas promessas feitas, o Presidente Bolsonaro, em outubro, visitou áreas de atividades da mineração ilegal na Raposa Serra do Sol em Roraima e se comprometeu com apoio ao Projeto de Lei 181, que regulamentará a mineração em terras indígenas.

Ao contrário do que prometeu no Acordo de Paris, o Brasil tem aumentado de maneira expressiva, por exemplo, a emissão de gás carbônico. Mais à frente, o Brasil pelo Ministério da Agricultura se colocou contrário à proposta de redução do consumo de carne.

Em função desses comportamentos houve importante reação de entidades internacionais, por exemplo:

O Observatório do Clima (OC); o Greenpeace Brasil, ressaltaram que o Brasil é o sexto país no mundo na emissão de gases de efeito estufa. O exemplo é que em 2020, durante a pandemia, o crescimento dessas emissões foi de 9,5%, enquanto que a média mundial produziu redução média de 7 %.

A Human Rigths Watch apontou que o Brasil tem promessas vazias tendo em vista que seus compromissos com as demais nações não foram transformados em políticas de governo e nem em Leis.

Por todos esses motivos a ativista ambiental sueca a jovem Greta Thunberg afirmou que o Relatório aprovado em Glasgow está repleto de Blá, Blá, Blá e que os movimentos para cessar o descontrole do sistema precisam ser feitos fora das salas onde foram selados os acordados que não serão cumpridos. 

No caso brasileiro é preciso romper com o modelo de mando representado por Paulo Guedes, bolsonarismo e tudo que está a serviço deste modelo de exploração. É preciso que os setores populares compreendam e assumam seus papéis históricos de impulsionadores na transformação dessas realidades. Se os movimentos populares não se rebelarem integrados com os setores da ciência e dos acadêmicos que possuem compromissos e engajamentos em favor das transformações sociais, ambientais e econômicas, enfrentando os “donos do poder mundial”, não haverá sucesso nas lutas para salvar a humanidade.

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.



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