21/10/2021 às 08h00min - Atualizada em 21/10/2021 às 08h00min

Impactos das mudanças climáticas

CLÁUDIO DI MAURO
Algumas décadas de observações e pesquisas, culminaram nestes meses de setembro de outubro quando fatos geográficos assumiram situações catastróficas. Foram registrados eventos climáticos mostrando perfil para o qual estamos conduzindo o Planeta Terra.

As nuvens de poeira com tempestades de materiais tóxicos encobriram diversos territórios com destaques para regiões urbanizadas, no Triângulo Mineiro, no Centro e Oeste do Estado de São Paulo, Sul e sudeste do Estado do Mato Grosso do Sul e até mesmo em Goiás, chegando na capital Goiânia.  São áreas de Planaltos e Bacias Sedimentares, onde o Cerrado tem sido devastado para a entrada da ganância do agronegócio capitalista para explorações canavieiras, sojas e da pecuária.

Se até pouco tempo nos cabia a dúvida sobre as causas desses acontecimentos, agora há elementos que demonstram a disponibilidade de solos revolvidos e desprovidos de cobertura vegetal. O Cerrado sempre teve funções muito importantes de preservação dos solos e rochas, reduzindo os impactos diretos das chuvas, favorecendo a infiltração das águas, alimentando os aquíferos.

A mudança no comportamento da distribuição de chuvas também tem acelerado processos erosivos. Há um crescimento da pluviosidade de maneira concentrada em períodos de tempo curtos. São episódios torrenciais. Ou seja, as mesmas quantidades de chuvas que se distribuíam no tempo para se precipitar, agora se concentram e chovem em períodos de temporais mais curtos.

Solos revolvidos e desnudados da cobertura vegetal original são submetidos com aceleração de processos erosivos. Formação de vossorocas, além da lavagem das camadas superficiais dos solos conduzindo sedimentos que assoreiam rios e entulham reservatórios de água. Acontecimentos cada vez de maneira mais acelerada.

Se anteriormente eram registrados os chamados “rodamoinhos” de ventos, eles se transformam de maneira crescente em nuvens de poeiras e vendavais com areias, misturadas com componentes químicos, adubos, aplicados nos solos e agrotóxicos usados para evitar ou eliminar pragas e doenças no processo produtivo pelo agronegócio capitalista. O sucesso do agronegócio capitalista tem se utilizado desses componentes de alta contaminação.

Nas áreas “urbanizadas”, a forma predatória de produção dos territórios, com ocupação de áreas sujeitas a inundações e alagadas resulta em enchentes cada vez mais desproporcionais. Populações, especialmente as mais empobrecidas, mas não apenas elas, ficam sujeitas às inundações: submergem pessoas, casas e bens. Em ruas e avenidas, veículos são transformados em “barcos”, levados pelas águas do escoamento superficial.   Aumentam as catástrofes afetando populações que habitam e circulam por essas áreas vulneráveis, sujeitas a riscos. Pela maneira displicente como são tratados os esgotos e os efluentes vindos de indústrias, granjas e outros usos das águas, essas substâncias fazem parte do líquido que escoa superficialmente e afeta as populações.

Durante muito tempo houve o debate para se ter o convencimento de especialistas que não aceitavam que as ações praticadas com fins econômicos, eram aceleradoras de mudanças climáticas. O argumento que defendiam, orientado na visão capitaneada por argumentos estadunidenses é que as interferências climáticas das ações produzidas pelas práticas econômicas só afetavam condições pontuais, locais. Aos poucos admitiram que as variações climáticas geravam em cidades, microclimas urbanos. Por falta absoluta de argumentos de contradição, concluiu-se que os chamados “rios voadores” produzidos pela evapotranspiração na Amazônia regam o sudeste brasileiro. Tais “rios voadores” estão reduzidos em suas interferências pelo fato de que o desmatamento na Amazônia afeta a evapotranspiração de vegetais e animais, reduzindo também a disponibilidade hídrica na atmosfera. Passaram a acatar que o regime das chuvas no sudeste dependia da preservação da Amazônia. Os desmatamentos e as queimadas são responsáveis pela redução nas precipitações pluviais no sudeste brasileiro.

As realidades cotidianas demonstram com contundência a função nefasta produzida por esse tipo de economia praticado nos diversos espaços territoriais do Brasil e suas interferências nas mudanças climáticas. A cada dia o Planeta estará mais submetido às vulnerabilidades e riscos de catástrofes em função das ações do clima. Ou são estabelecidos pactos de mudanças nas formas de produzir nos campos e nas cidades ou a humanidade será conduzida para verdadeira catástrofe com dimensões planetárias.

Mudanças de postura em relação ao sistema de produzir no campo e nas cidades passam obrigatoriamente por:
-  recomposição imediata de significativa parcela das coberturas vegetais, com base em espécies nativas;
- praticar uso e ocupação dos solos rurais, obedecendo critérios de conservação, favorecendo a infiltração das águas das chuvas visando alimentar os aquíferos livres e subterrâneos;
- cuidar e revegetar as nascentes dos córregos; 
- reduzir drasticamente o uso de agrotóxicos e fertilizantes nas atividades agropecuárias;
- cuidar dos esgotos de granjas e criadouros.

Estes são alguns procedimentos indispensáveis e urgentes.

Nas cidades torna-se indispensável a redução nos níveis de consumo de energia, água e produtos industrializados. É necessária a revisão do modelo de construção das cidades, do uso e ocupação dos espaços urbanizados e em urbanização.

Nas áreas urbanizadas e nas áreas rurais há que se garantir o cumprimento da função social da propriedade dos solos, das edificações e da própria cidade.

Existem componentes tecnológicos capazes de reduzir os impactos sobre as degradações ambientais nas condições climáticas. Essas providências dependem de decisões políticas com implementação.
Eventos internacionais produzidos pelas Nações Unidas têm assumido compromissos de mudanças nos procedimentos das nações. Mas, caem no esquecimento, após assinatura de protocolos por parte dos países participantes.  É muito difícil o crédito de que os países que mantêm tais sistemas de depredação socioambiental sejam signatários de compromissos para mudanças no modo de operar.
 
 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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