09/09/2021 às 08h00min - Atualizada em 09/09/2021 às 08h00min

Depois de 7 de setembro

CLÁUDIO DI MAURO
Bolsonaro prometeu que 7 de setembro seria o dia em que faria as maiores manifestações da história de Brasília. Com tal mobilização invadiria o Supremo Tribunal Federal –STF, também o Congresso Nacional para desalojar o Ministro Alexandre de Moraes.

Imaginou que teria força popular para destituir Ministros do STF. Promessa frustrada. Não entregou o que prometeu.

Mais uma vez, Bolsonaro teve que recuar no que prometeu. Aliás, como já fez em muitas outras vezes.

Mas, na avenida Paulista, em São Paulo, longe de Brasília, agora prometeu que não acatará determinações do STF procedentes do Ministro Alexandre de Moraes. Enfim, Bolsonaro fez declarações bombásticas e completamente desprovidas de fundamentos.

Provocou reação do Supremo. Ministros do supremo já se articulam para efetuar a resposta compatível com a gravidade de suas afirmações que desrespeitam o Estado de Direito. E isso é necessário. Não há como ignorar as bravatas e o desrespeito institucional.

Agora, Bolsonaro prometeu que reuniria o Conselho previsto na Constituição para discutir sobre a implantação do Estado de Sítio. Mais uma promessa frustrada, tendo em vista que nem sabia a composição do referido Conselho.

Fica mais uma vez confirmado que Bolsonaro é um falastrão, completamente despreparado para governar o País.

O certo é que as manifestações favoráveis a Bolsonaro, não lhe deram a força que esperava para promover as agressões pretendidas contra a democracia. Seus projetos não estão completamente afastados. Bolsonaro é inesgotável em suas bravatas e tentativas autoritárias.

Na mesma data, os Movimentos Populares, contrários ao governo Bolsonaro, se mobilizaram no GRITO DOS EXCLUÍDOS e atingiram cerca de 200 municípios com manifestações de ruas. No mesmo tempo, são contabilizadas quase 600 mil mortes pela Covid, cuja pandemia ficou incontrolável graças às bravas presidenciais.

As manifestações a favor e contra Bolsonaro se equivalem em termos de expressão popular. O certo é que nas páginas de divulgação dos aficionados de Bolsonaro, foram publicadas fotografias de manifestações realizadas em 2016 como se fossem de 7 de setembro. Ou seja, mais um “tiro no pé” de Bolsonaro, prejudicando ainda mais sua imagem já tão desgastada. A mentira, prevalece em seu atos
É verdade que as manifestações em favor de Bolsonaro possuíram expressão. Afinal ele conta com 20% de apoio de populares que chegam ao fanatismo. São militantes muito engajados e com Bolsonaro estão disponíveis a promover atos de violência, vandalismo e agressividades contra pessoas e instituições.

Para onde se dirigirão as ações do Presidente da República, de agora para diante? Ele conseguirá controlar as “bestas feras” que estimulou? Muito maior do que Bolsonaro, se configurou a representação bolsonarista que abriu as portas para tantas ações violentas, infernizantes.

Por outro lado, as discussões sobre a oportunidade de impeachment estão crescendo. Integrantes do PSDB e do PSD já se declaram dispostos a iniciar o tratamento partidário dessa possibilidade, que antes de 7 de setembro parecia muito distante.

Assim é que no âmbito das Instituições (STF, TSE e Parlamento) esse assunto já não é tão desconsiderado. Nas sucessivas pesquisas apresentadas, a aprovação de Bolsonaro está caindo de maneira abrupta. Enquanto isso, a aceitação do ex-presidente Luiz Inácio LULA da Silva como candidato a novo mandato, cresce vertiginosamente. Nestes momentos a eleição de Lula é absolutamente previsível, com risco de acontecer no I turno, caso tais condições sejam mantidas.

Dúvidas ainda são plausíveis: os partidos do campo liberal, aceitarão a derrota para Lula com tanta antecedência? Não criarão o que chamam de 3ª. via, alternativa?

Essa tem sido uma tarefa de difícil realização, ou seja, a garimpagem para localizar um nome que unifique os chamados liberais e que tenha densidade eleitoral. Interessados existem diversos, mas nenhum aparece nas pesquisas com densidade eleitoral para disputar contra Lula. Mas, tudo é possível, em tempos tão distantes. Para isso se efetivar, haveria necessidade de que a candidatura de Bolsonaro para reeleição fosse inviabilizada, o que não aparece como probabilidade, pelo menos por agora.

A questão que aparece neste momento é se os setores da direita poderão desalojar Bolsonaro da Presidência da República de modo a inviabilizar sua candidatura em 2022? Aparentemente isso não deverá ocorrer, pois Bolsonaro ainda atende os interesses de setores dos enriquecidos e classe média. Como se colocarão os representantes das Forças Armadas que estão alojados no governo de Bolsonaro e usufruem de interesses “nababescos”. Estarão dispostos a “abrir mãos” de suas “boquinhas”, em alguns casos, milionárias?

O certo é que no dia 7 de setembro ocorreram acontecimentos que colocaram todas essas incertezas no processo eleitoral para 2022. O certo é que se as Instituições (STF, TSE e Congresso Nacional, pelo menos) não agirem, permitindo novas bravatas bolsonaristas, a democracia profunda continuará em risco. Os democratas, nas várias matizes, não podem ficar imóveis.
 
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