13/07/2021 às 08h00min - Atualizada em 13/07/2021 às 08h00min

Quanto de charges têm os memes e quanto de meme têm as charges?

LUCIANO FERREIRA
No contexto de imagens estáticas, charges e memes são expressões de humor gráfico que têm vários pontos em comum, portanto vale a pena observar os elementos em comum entre esses gêneros.

Evidentemente, a charge tem a prerrogativa da invenção e do uso frequente de elementos gráficos que os memes têm utilizado atualmente, mas as charges têm acompanhado o uso dos recursos criados e desenvolvidos pelos memes. Embora também seja preciso lembrar que o próprio espaço de visualização gráfica de celulares, notebooks, tablets e computadores acabaram por interferir no modo de produção e no modo de exibição de charges cartuns e afins.

Alguns exemplos são a tela, a barra de rolagem verticalizada e as variações de dimensões e resolução, afetam diversas características visuais de charges e memes. Mas esse tipo de especificidade técnica foi tema de outra coluna do presente jornal (Web Comics, em 16/03/2021) e não diz respeito diretamente aos elementos visuais, mas sim ao uso de aparelhos eletrônicos como suporte de artes visuais.

De início, a própria estrutura de composição visual, geralmente centralizada, é um aspecto que os memes herdaram das charges, do mesmo modo os enunciados, legendas, balões de pensamento de fala e afins.

Existem diversos fatores expressivos que são comuns a qualquer tipo de produção visual, mas é no sentido de diálogo com o público e utilização de informes da audiência, onde as charges começam a tomar emprestado os recursos que têm sido desenvolvidos pelos memes e produções gráficas similares.

O melhor exemplo disso é o uso pelas charges,  de expressões verbais meméticas, como gracejos,  trocadilhos e frases de efeito, sendo que essas são popularizadas por publicações de republicações de usuários das redes sociais e auxiliam as charges enquanto um recurso de empatia com o público, ainda que por meios artificiais, pois atuam como forma de alavancar o conteúdo a partir de termos específicos irreconhecíveis pelos algoritmos que determinam a visualização de elementos compartilhados pela internet.

A influência de um meme, seja audiovisual, sonoro ou estático, pode incentivar chargistas a transformar uma hashtag memética em um elemento visual, como uma representação ou de forma textual, como é o caso das charges que associaram o ex-ministro do STF com o Batman ou as charges sobre o perfil do Twitter “Pavão Misterioso’’, ambos com movimentações criativas iniciadas na veiculação de memes, antes que se tornassem populares na opinião pública e redação de jornais.

Memes nem sempre buscam um equilíbrio entre a ética no uso do humor e o total escárnio, pois são frequentes os memes que abusam de fake news ou exploram temas de forma degradante. Somando a isso, o fato do que a utilidade de um determinado meme é momentânea, se torna difícil encontrar grandes movimentos de criação chargística e memética que articulam criações com conceito visivelmente compartilhados.

Uma possível exceção é o movimento ‘’Nós somos Charlie’’ (Je suis Charlie), uma série de memes, charges e demais expressões dos quadrinhos, que articularam homenagens aos cartunistas da revista Chalie Hebdo, vítimas de um ataque terrorista no início de 2015.
 
 
Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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