24/06/2021 às 08h00min - Atualizada em 23/06/2021 às 08h00min

No Brasil, passamos dos 503 mil óbitos por covid-19

CLÁUDIO DI MAURO
No final da semana passada ultrapassamos a marca de 500 mil óbitos provocados pelo covid19. O que justifica esses números tão elevados? Inferior apenas do que os registrados nos Estados Unidos da América do Norte, que já ultrapassou a casa de 600 mil óbitos.

É de se registrar que a população estadounidense é maior em cerca de 50% da população brasileira. Enquanto o Brasil tem cerca de 213 milhões de habitantes os registros oficiais dos Estados Unidos em 2019 eram de 331 milhões de pessoas.

Os Estados Unidos seguiram os projetos negacionistas de Trump e só foi revertida a trajetória crescente das mortes, após a mudança da Presidência da República. Biden adotou a vacinação em massa como estratégia para interromper tais óbitos em números crescentes.

No caso brasileiro, o negacionismo de Bolsonaro, inspirado na visão de Trump continua a produzir vítimas. Há sim o crescimento, ainda lento, nos números da vacinação, em função das lutas de governadores, prefeitos, na mobilização dos movimentos populares e instituições organizadas e pela instalação da CPI da Pandemia no Senado Federal. Em São Paulo, pode-se encontrar motivos para muitas críticas ao governo Dória. Mas, seu enfrentamento para produzir as vacinas no Butantan, permitiu que de fato houvesse início nas vacinações no Brasil.

No início desta semana, pessoas com idade a partir de 43 anos estão sendo vacinadas com a primeira dose, em diversas cidades do Estado. Até o final de setembro, há perspectiva de que as pessoas acima de 18 anos estejam vacinadas.

A seriedade do Butantan e da Fiocruz, com seus profissionais de alta qualificação científica e técnica está salvando milhares de vidas de brasileiros. Caso a programação de compra e distribuição de vacinas seguissem o ritmo que vinha sendo imposto pelo Presidente da República com seus ministros da saúde, a situação de óbitos ainda estaria muito pior.

Não restam dúvidas que se o governo federal tivesse investido nessas instituições, poderíamos ser o País referencial para o mundo, na produção de vacinas e nas campanhas de vacinação. Já está demonstrado na prática que o Brasil tem expertise para vacinar 2,5 milhões de pessoas por dia. Ou seja, em 2 meses, nosso país poderia alcançar a imunização esperada para controlar a disseminação do vírus.

Diante da realidade pela qual tivemos o Presidente da República dizendo que a doença não passava de uma gripezinha; que brasileiro tem casca dura, nada em esgotos, por isso tem anticorpos para combater e se livrar do vírus; apostando para a “imunização de manada”, na base na contaminação geometricamente progressiva; na recomendação de drogas indevidas para a doença e “vendendo ilusão”; a presença desse personagem promovendo eventos com aglomerações, sem distanciamento físico entre as pessoas e sem uso de máscaras.  Enfim, um comportamento macabro do personagem mais importante do país, o Presidente da República, servindo de “exemplo” negativo para o comportamento da população.

- O governo federal acreditava em “imunidade de rebanho”, na qual precisar-se-ia de 70% da população contaminada para desenvolver anticorpos, contudo, sem a garantia de que não haverá mais transmissão do vírus;

- Não previu que isso implicaria em um número muito elevado de internações hospitalares, sem infraestrutura adequada e sem medicações necessárias para “entubação”. Saliente-se que é muito elevada a proporcionalidade de óbitos para as pessoas entubadas. Ou seja, o erro na política adotada pelo governo federal, acarreta muitas mortes;

- O governo federal adotou a política de disseminação do “tratamento precoce”, com a utilização de Cloroquina, Ivermectina e outras drogas que serviam para curar outras doenças, mas que não são adequadas para combater o covid19;

- A postura que não recomendava o uso de máscaras e distanciamento físico com isolamento social, inerentes à política do Ministério da Saúde e do Presidente da República em relação à Pandemia por coronavírus;

- Faltaram orientações básicas CORRETAS e acompanhamentos liderados pelo governo federal;

- Com esses procedimentos e sem comprar as vacinas no momento adequado, não há como deixar de responsabilizar Jair Messias Bolsonaro, Presidente da República pela disseminação da morte pelo País. E, junto com ele estão em exposição e desgaste as Forças Armadas que possuem alguns milhares de membros da ativa e da reserva compondo o governo federal.

A Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI- instaurada no Senado Federal não terá justificativa para deixar de incriminar o Presidente e seus Ministros da Saúde pela situação produzida com tantas mortes.

As mobilizações das ruas, avenidas e praças em cerca de 400 cidades brasileiras nas datas de 12 e 19 de junho mostraram que a população chegou ao seu limite da tolerância. Já estava sem tolerar, mas passiva.

- Agora está chegando a hora do basta final.

Bolsonaro ameaça com golpes violentos contra manifestantes, contra jornalistas, contra Ministros do Supremo Tribunal Federal e contra as instituições democráticas. Mas, não parece contar com força política e apoio logístico para realizar a proeza de expor as Forças Armadas -FFAA a mais episódios grotescos de desgastes.

Militares têm familiares e andam pelas ruas das cidades vendo o comportamento e as reações de indignação da população que se encontra sofrida. Afinal o Brasil já convive com mais de 503 mil vidas ceifadas.

Para onde esse governo federal com apoio de setores das Forças Armadas desejam conduzir o País?

O Brasil precisa de toda a nossa população, nas ruas, cobrando providências e mudança imediata do governo federal com todos os seus asseclas.

Pela construção de um Projeto que seja de sanidade econômica, sanitária, ambiental.

O BRASIL PRECISA DE NÓS.



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