10/06/2021 às 08h00min - Atualizada em 10/06/2021 às 08h00min

A semana e a tragédia Brasil

CLÁUDIO DI MAURO
No Senado está em votação o Projeto de Lei que suspende as reintegrações de posse para as habitações, neste período da pandemia. Trata-se de uma decisão humanística que não deixa as famílias nas ruas, durante um período em que as contaminações do coronavírus estão crescendo, com ritmo estabilizado, mas em patamares muito elevados. Com isso, os óbitos continuam assolando a população brasileira, em especial os mais empobrecidos e que são carentes dos mínimos serviços públicos básicos.
 
Espera-se que os Senadores compreendam o sacrifício a que tem sido submetida a população brasileira. Solidariedade, neste momento, torna-se indispensável, daí o DESPEJO ZERO tem que ser a meta de governos sérios. A luta por uma cidade justa que cumpra suas funções sociais, ainda que isso não se confronte com a propriedade privada e portanto, com o capitalismo.
 
Na CPI da pandemia pelo covid19, os debates estão intensos. A oitiva do Ministro da Saúde, Queiroga, coloca temas em patamares graves, principalmente sobre a realização da Copa América no Brasil. Conclui-se que o Ministério da Saúde não teve peso na decisão de realização no Brasil, sequer foi ouvido. A decisão foi estritamente do Presidente da República.
 
O mesmo Presidente da República que estimula constantemente a aglomeração das pessoas em contraposição com o distanciamento físico e uso de máscaras. Bolsonaro faz questão de se apresentar sem uso de máscara e favorecendo a aglutinação de pessoas. São atitudes irresponsáveis que conduzem ao que pretendiam e chamam de contaminação de manada, objetivando a imunização natural das pessoas. Algo completamente inconcebível.
 
Mas, é ainda mais trágico o fato de que o Ministro da Saúde afirme que não conhece as bulas das diversas vacinas que estão sendo aplicadas no Brasil. Enquanto a bula define que a segunda dose de vacina específica deva ser aplicada após 21 dias que se tomou a primeira dose, o Ministério da Saúde aceita que esse tempo seja estendido por vários meses.
 
Ou seja, o Ministério sem amparo aceita que a bula do medicamente seja burlada. Em outras palavras, fica evidente que o laboratório que produz tal vacina fica isento da responsabilidade de sua eficiência e eficácia. Como o Ministro da Saúde que é médico, pode assumir tais responsabilidades?
 
Por incrível que possa parecer, até agora o Brasil não tem preenchido o cargo de Secretário(a) para atender e orientar as providências específicas nas ações para combate do Covid19. O Brasil continua na deriva, sem uma orientação geral no Ministério da Saúde para o combate à pandemia. Com isso, o País fica disponível para que o Presidente da República, que nada entende de Saúde, faça sua demagogia inconsequente, com aceleração das contaminações e mortes de brasileiros.
 
Outro assunto de muito destaque nesta semana é a interferência da Presidência da República na Seleção Brasileira de futebol. Situação semelhante aconteceu como antecedente no governo do general Médici durante a ditadura militar. Naquela oportunidade houve influência que gerou muitas consequências negativas. 
 
Neste momento, Bolsonaro decidiu pela realização da Copa América no Brasil, chegando a prometer a mudança do técnico da equipe e a punição dos jogadores que se negassem a jogar. É a exata mania de promover “circo” para desviar as atenções dos brasileiros diante da situação caótica vivida pelo País, no caso da pandemia sanitária e econômica que vivemos.
 
Assim, a cada dia fica mais forte o comprometimento de Bolsonaro com atos arbitrários e autoritários. Nesta semana aparece a investigação da Polícia Federal considerando que Bolsonaro e seus filhos Eduardo, Carlos e Flávio atuaram de 2018 até 2020 para estimular e promover as mobilizações que incitavam a população na prática de atos de subversão da ordem instituída.
 
Segundo o Portal da UOL, seriam “práticas que tinham como objetivos a obtenção de vantagens político-partidárias.” E o pior, aparecem como proprietários das contas que acarretavam tais ações, Michele Bolsonaro e o assessor da Presidência da República Tércio Arnaud Thomaz. Torna-se indispensável aprofundar essas investigações, pois poderão desaguar na impugnação da chapa Bolsonaro e Mourão no processo eleitoral que os elegeu Presidente e Vice-Presidente da República.
 
Em afirmação para a Polícia Federal o ex-Juiz e ex-Ministro Sérgio Moro, afirmou que sabia da existência do chamado Gabinete do Ódio, que agora aparece como tendo mensagens enviadas da residência de Bolsonaro e também do Palácio do Planalto. Embora sabendo, e se tratando de crimes, nos quais Carlos Bolsonaro e Tercio Arnaud tinham relacionamentos com a estrutura, Moro não adotou medidas para conter, investigar e punir tais práticas.
 
Essas informações constam do inquérito que apura atos antidemocráticos e no recente dia 07, segunda feira o Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal disponibilizou o inquérito, retirando o sigilo que o protegia.
 
A cada dia que passa, ficam mais evidentes e praticamente se comprovam as anteriormente desconfianças de que as recentes eleições Presidenciais e para o Congresso Nacional foram imensas armações contra o Estado Democrático de Direito. Essas pessoas fazem o que for para manter o poder sob seus controles.
 
A questão fundamental é que o Brasil não pode continuar em mãos tão tenebrosas. É preciso dar um basta nesses processos autoritários que geram tanto sofrimento para a população do nosso País.
               
 
Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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