06/05/2021 às 09h39min - Atualizada em 06/05/2021 às 09h39min

Queremos nosso Brasil de volta

CLÁUDIO DI MAURO
Durante os governos Lula e Dilma, o Brasil se tornou a 6ª economia do mundo. Tivemos período de pleno emprego e os trabalhadores podiam alimentar suas famílias. As Universidades foram rapidamente ampliadas e novas foram implantadas, garantindo que as populações até então excluídas tivessem acesso aos bancos escolares.

Em viagem internacional pude verificar como o Brasil e suas lideranças eram respeitados na Europa e na América Latina.

Sim a participação ativa nos acordos entre Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul, os BRICs que na próxima fase devem ser ampliados, no Mercosul ofereceram ao Brasil uma posição de liderança e de respeito.

Estive na Itália acompanhando o então Ministro da Cultura Gilberto Gil e pude ver o carinho e o respeito dos italianos pelo Brasil e nossas lideranças.

Mesmo no modelo capitalista, o Brasil ascendeu aos postos mais altos do respeito internacional.

É verdade que essa importância do Brasil gerava ciúmes por parte das elites econômicas e alguns intelectuais do Brasil. Afinal, muitos indagavam, como podia um nordestino, de origem pobre, metalúrgica, sindicalista, que usava um português abrasileirado pelo sotaque, poderia ganhar tanto prestigio?

É certo que os governos Lula e depois Dilma não foram perfeitos. Muitos erros foram cometidos, entre os quais, na minha ótica a direção geral da macroeconomia na perspectiva que não rompia com o capitalismo. A população pobre deixava o mapa da fome da ONU, comprava diversos itens de consumo, mas não foi politizada numa perspectiva transformadora. Não entendeu que tais conquistas eram obtidas em um governo que precisaria avançar para um novo modelo que fosse capaz de oferecer sustentação para as conquistas e, portanto, gerar a socialização dos meios de produção.

Não estava compreendido pela população que as conquistas obtidas poderiam se perder. Bastou que equívocos econômicos fossem cometidos para que a classe média se rebelasse e acatasse os discursos demagógicos de que o país estava em mãos de gente corrupta. As elites econômicas empresariais, fortalecidas pelo setor financeirista, promotoras de concepções economicistas, articuladas com militares, congressistas e até Conselheiros do Supremo Tribunal Federal, com absoluto apoio nos meios de comunicação e de forças dos Estados Unidos, criaram a monstruosidade da operação lava jato, forjando processos tendenciosos para derrubar o governo Dilma e impedir a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com toda essa história, foi gerado um “mito” que não passa de imenso blefe aplicado contra a nação. Criou-se um processo de destruição das conquistas obtidas e conquistadas pelos trabalhadores. Tal destruição atingiu os aposentados, a saúde, a educação com a emenda constitucional do “teto de gastos”. Protegeu os bancos e passou a retirar os benefícios que estavam destinados aos setores de trabalhadores. Assim é que a população ficou abandonada às “leis do mercado” que é manietado pelos interesses corporativos do estrangeiro e do Brasil.

Instalou-se o governo fundamentado no discurso de ódio, negacionista, com índole fascista e sustentação em milícias, perseguidor de indígenas, dos sem tetos e dos sem terras. Para tanto foi estimulada a repulsa contra as esquerdas, especialmente contra o Partido dos Trabalhadores. Prenderam o ex Presidente Luiz Inácio da Silva por 580 dias, e depois, o Supremo Tribunal Federal- STF, descobriu e decidiu sobre os processos fraudulentos que foram realizados para retirá-lo da disputa eleitoral. 

Agora, ainda mais, se agravou a dívida social que o Brasil tem com suas populações empobrecidas.

A pandemia e o descompasso do governo Federal em relação ao enfrentamento das doenças e dos óbitos, colocam a nu, pelado, um governo que apostou na morte para reduzir idosos, aposentados e população empobrecida. Mesmo que juntos tenham ido ao óbito, setores que se enriqueceram com essa farsa instalada, o que interessava para os economistas de plantão, liderados por Bolsonaro e Paulo Guedes é que houvesse redução da população e das despesas.

Essa aventura via Bolsonaro e Paulo Guedes já custou mais de 400 mil vidas.

A destruição dos sonhos e dos brasileiros não se faz em uma única cajadada. Será necessário que as forças progressistas se articulem, preparem juntas uma lista de princípios pelos quais garantem a unidade. Entre esses princípios está a reconstrução do País e da Democracia, voltados para fazer justiça com distribuição da riqueza e fortalecimentos dos movimentos populares, chamados para ajudar nas decisões. Será indispensável a recomposição dos pequenos e médios negócios que foram e estão sendo destroçados. Há que se recuperar as perdas sofridas pelos trabalhadores que foram atacados em seus direitos de maneira tão vil. Recuperar as perdas impostas às famílias brasileiras.

Não é mais possível privatizar os lucros com tantas dores e socializar o sofrimento com tantas perdas materiais, espirituais e psicológicas. Para tanto há que se conquistar não apenas os governos, mas o verdadeiro poder. Poder que deve emanar dos povos e com eles ser exercido.

Parafraseando recente discurso de Luiz Inácio Lula da Silva “Jamais haverá crescimento e paz social em nosso país enquanto a riqueza produzida por todos for parar nas contas bancárias de meia dúzia de privilegiados”.  Assim é que no meu entendimento há que se socializar a riqueza.
 
 

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