17/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 17/12/2020 às 08h00min

O encontro da cúpula da ONU para discutir mudanças climáticas

CLÁUDIO DI MAURO

O Mundo pela ONU pede que os países decretem Estado de Emergência Climática. Isso permitiria que as providências sejam muito mais drásticas para evitar a gravidade das mudanças climáticas. Implica obrigatoriamente na redução da emissão de gases de efeito estufa, até que em todos os países se consiga a neutralidade na emissão de carbono.

Esta reunião virtual realizada no último sábado (12), serviu para comemorar os cinco anos do Acordo Climático de Paris (COP 21). O principal objetivo foi de exercer uma pressão sobre os países que precisam melhorar em muito suas ações sobre emissão de gazes.

Eu estive na França, no final da Cúpula de Paris, e pude assistir a ênfase dos representantes dos países ali presentes, acreditando que o Acordo daria um outro caminho para os impactos negativos ambientais contra o Clima. Não foi o que aconteceu. Infelizmente ficou na expectativa o pedido de esforço para que não houvesse ações que permitissem a elevação da temperatura do globo em 1,5ºC.

No entendimento dos cientistas vinculados à ONU, se forem mantidas as condições atuais chegaremos ao aumento da temperatura global, acima dos 3ºC, ainda neste século.

As pessoas não imaginavam que Trump seria eleito Presidente dos Estados Unidos e que retiraria o País do Acordo de Paris. O mesmo não se esperava do Brasil que se transformou em um “pária” logo após ter assumido muitos compromissos com reflexos mundiais. Ficaram ausentes o Brasil e a Austrália. Sabia-se que os Estados Unidos estariam fora das discussões sobre a contenção das mudanças climáticas.

Os oradores desta Reunião virtual foram escolhidos criteriosamente. Foram aqueles líderes que podem fazer com que seus países reduzam os impactos contra as mudanças climáticas. O presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente chinês Xi Jinping, além de representantes empresariais, da sociedade civil e dos povos indígenas.

Há muita expectativa na Cúpula mundial pela futura entrada do presidente dos Estados Unidos Joe Baiden, que se comprometeu nos primeiros momentos de seu governo retornar ao Acordo do Clima que foi negligenciado por Trump.

Esta reunião foi considerada como preparatória para a COP 26, que acontecerá em novembro de 2021 em Glasgow na Escócia.

Ocorre que a condução nas políticas mundiais e nacionais ignoraram as demandas apresentadas e empurram soluções para a posteridade que nunca chega. Está gerada uma persistente instabilidade na qual a base social tende a se indispor com a manutenção dessa “ordem” social, econômica e ambiental neoliberal. Ainda que essa indisposição não tenha assumido ações conscientes e organizadas. Tudo em torno de nós emite sensação de insegurança e quase todos estão descontentes.

Coloca-se em “crise” os princípios da democracia e das instituições. Há que se abordar os interesses e os benefícios oferecidos para os setores financeiros, bancos, entre outros e de grandes corporações que se constituem nos pilares da sustentação do modelo vigente.

Está claro que o modelo mundialmente adotado, o neoliberalismo não obteve sucesso e está fadado a produzir o sofrimento humano. O incentivo ao individualismo fundamentado no consumismo acelerou e recrudesceu a luta e os conflitos de classes, requalificou a luta entre as classes, em favor do “salve-se quem puder”. Daí, como acreditar que esses mesmos atores, responsáveis pelas condições do neoliberalismo, serão sinceros e atuarão para evitar o pior para a humanidade?



*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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