10/12/2020 às 08h00min - Atualizada em 10/12/2020 às 08h00min

Vacinação em massa contra Covid-19

CLÁUDIO DI MAURO

No sábado passado, a Rússia iniciou a vacinação em massa de sua população. Começou pelos militares, grupos de riscos e professores. Mesmo sem completar a pesquisa na fase 3, o país recebeu o aval de seus pesquisadores, afirmando que a vacina Sputinik V é eficiente e eficaz, podendo ser aplicada na população. Nesta semana em trânsito, há pretensão de vacinar mais de 2 milhões de pessoas. Todos os militares do país estarão imunizados.

Nesta terça-feira (8) foi a vez do Reino Unido. Confiando na vacina da Pfizer, o Reino Unido começou a vacinação em massa de sua população. Claro, nos dois casos, Rússia e Reino Unido há um plano de vacinação que estabelece os setores prioritários que estão tomando a vacina no primeiro momento e esse processo vai crescendo até atingir toda a população.

O próximo país a iniciar a vacinação em massa, na sexta (11), é os Estados Unidos da América do Norte. Os estadosunidenses apresentam o mais alto nível de contaminação e óbitos entre todos os países do globo. Impressionam os números divulgados e pedem o imediato início da aplicação das vacinas. Até o final deste ano, México e China, segundo as afirmações de suas autoridades, iniciarão o processo em seus países. Portugal promete esse início para janeiro de 2021.

O Brasil ainda deixa muitas dúvidas. Embora o Instituto Butantan afirme que está pronto para iniciar a vacinação, bastando para isso obter o registro da Anvisa, ainda vivemos cercados por muitas dúvidas. Espera-se que a Anvisa não adote postura contrária, apenas para atender a opinião despreparada e não científica de Jair Messias Bolsonaro.

A vacinação de brasileiros se transformou em um embate político partidário que dificulta o entendimento e a clareza do que se pretende. Temos um presidente da República que não assume de fato a liderança para o enfrentamento da pandemia. Continua brincando, como se a Covid-19 fosse apenas uma “gripezinha”. Uma “gripezinha” que já matou perto de 180 mil pessoas. São pessoas, seres humanos com familiares, amigos que choram pelo sofrimento a que foram submetidos.

Trágico é o fato do presidente da República, criminosamente, não acreditar na doença e também não se dedicar na busca de uma vacina capaz de criar a defesa para toda nossa população. Essa forma de não lidar com a pandemia tem provocado críticas internacionais ao modelo brasileiro. Até onde vai a postura irresponsável do governo brasileiro? Há uma nítida aparência de que a intenção é mesmo dizimar um número muito grande de pobres e idosos.

O Estado de São Paulo, em uma “queda de braços” com o governo federal, na segunda feira anunciou seu plano para vacinação, que pretende ser iniciado em 25 de janeiro para o pessoal da linha de frente no combate ao coronavírus, os trabalhadores do setor da saúde, os mais vulneráveis que vivem em quilombolas e os indígenas. Na sequência, há previsão de vacinar quem tem de 75 anos para mais até chegar nas pessoas da faixa etária acima de 60 anos. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo considera que serão vacinadas as 7,5 milhões referentes a esse conjunto de pessoas. Essa fase da vacinação com duas doses pretende-se terminar no dia 22 de março.

Mas, o que pensa disso a Anvisa? Não há como desconsiderar que em determinado momento a Agência suspendeu a pesquisa da Coronavac, vacina desenvolvida sob liderança do Instituto Butantan sob a alegação de que teria acontecido um imprevisto de alto risco. Depois, concluiu que o óbito daquele caso não tinha ocorrido em um paciente que tomou a vacina. Não teria sido o caso de fazer essa verificação antes da interrupção da pesquisa, evitando o contratempo? O tempo e os acontecimentos demonstrarão se a Anvisa atuará com sua imensa trajetória, experiência técnica ou terá interferência política partidária!

Assim vai seguindo o sofrimento da população brasileira submetida a uma pandemia que é tratada pelos governos como um espaço de disputa já pensando nas eleições de 2022. Nem conseguimos digerir o resultado das eleições de 2020 e os interessados já estão em campanha para 2022. Como acreditar nos personagens deste momento da história do Brasil?



*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

 

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