01/10/2020 às 08h30min - Atualizada em 01/10/2020 às 08h30min

Ano de disputa eleitoral

CLÁUDIO DI MAURO

Foi dada a largada para o ano eleitoral, a partir das convenções partidárias. Com a homologação das candidaturas, já não teremos mais os pré-candidatos, mas candidatos que devem cumprir e respeitar as normas da Justiça Eleitoral.

Candidatos a prefeitos e vice, e candidatos a vereadores iniciam a fase de divulgação de seus nomes e propostas de trabalho, em caso de eleitos.

Muitos preferem nem indicar o Partido pelo qual se candidatam. Esse tipo de campanha demonstra o nível da vergonha desses candidatos em função do descredito partidário. Preferem fazer campanha como pessoas físicas, como se não tivessem vínculos com um partido e fossem candidatos avulsos. Candidaturas avulsas, sem vínculo partidário não é uma modalidade abrigada pela legislação eleitoral, portanto, todas as candidaturas têm vínculos com partidos.

Candidatos a prefeito(a) e vice de municípios com mais de 200 mil eleitores poderão ser submetidos a II Turno em caso de nenhum dos candidatos ter alcançado a metade mais um dos votos válidos. Portanto, não basta ser mais votado(a) para vencer a eleição no I turno. Torna-se indispensável a conquista de mais da metade dos votos válidos.

No caso da eleição para vereadores é necessário que a somatória de votos obtidos pelos candidatos pela legenda e mais os votos dados no Partido, alcance o que se chama quociente ou coeficiente eleitoral. Vejamos um exemplo para partido político que obteve coeficiente eleitoral que permite eleger dois vereadores. Nesse caso, os dois candidatos que obtiveram maior número de votos pela legenda serão os eleitos.

Há circunstâncias em que um candidato a vereador obteve votos em número muito maior do que os que foram eleitos por outra legenda. Mas, se o partido pelo qual se candidatou não alcançou o coeficiente eleitoral, não será eleito. Nos dois casos exemplificados, torna-se indispensável que eleitores observem os partidos a que estão vinculados os candidatos em quem pretendem votar. Em grande parte das situações,  há decepções. Vota-se em candidato(a) bem votado(a), mas quem se elege é alguém em quem não se confia.

Os partidos que não alcançam o coeficiente, somente poderão disputar as vagas que sobrarem, depois de considerados todos os casos em que houve cumprimento do coeficiente. Portanto, isso só alcança alguns casos excepcionais de candidatos e de partidos.
Com base nessas informações, eleitores(as) precisam estar atentos na hora de atribuir seu voto. Não se deve atribuir o voto para candidato(a) vinculado a partido no qual não se confia. Poderá se eleger com o voto de eleitores alguém para qual nunca atribuiria seu voto.

Na hora de entregar o voto o primeiro critério que deve ser observado é o partido no qual o(a) candidato(a) é filiado(a). Só depois disso decidir o voto.

Atualmente temos uma bipolaridade na qual, de um lado estão os partidos que apoiaram e apoiam o governo Bolsonaro e os governadores que lhes dão suporte. No outro ponto estão os partidos que não apoiam Bolsonaro e buscam a reestruturação do Estado Democrático de Direito no Brasil. Não há meio termo. As eleições são uma maneira para os eleitores(ras) demonstrar o lado que apoiam e qual é o Plano de transformação do país para o qual oferecem seu voto.

Entendo que o Brasil, nossos Estados e Municípios da maneira como estão sendo administrados não resolverão os principais problemas da população.

Vivemos tempos nos quais a situação social e econômica entrou em profunda crise. Sim, há um aprofundamento na crise causada pela pandemia. Mas, não é apenas a maneira indevida de enfrentamento do coronavírus que gera tantos desequilíbrios. Há sim uma crise estrutural com destruição do tecido social gerando transferência da riqueza produzida para o setor financeiro, a partir do desmonte das políticas sociais.

Não conseguiremos reabilitar o Brasil se não houver uma incisiva ação para beneficiar nossa população interna. A economia não pode se pautar apenas pela política de exportação. É indispensável exportar para articular uma boa relação de entrada de divisas. Mas, nunca se pode abandonar a população interna. É esta população que permite o desenvolvimento de uma economia de pequena e média envergadura, típica dos municípios. É esta economia que ajuda na produção de alimentos, comércios e serviços locais. Base para sustentação do bem estar social.

Se couber um aconselhamento, recomenda-se buscar partidos e candidatos(as) que se comprometam com um cenário objetive a abolição dos discursos de ódio e incitação à violência. Temos que combater o racismo estrutural que está vigente na sociedade brasileira, o machismo, a misoginia, a homofobia e o preconceito. Não podemos acatar o ataque à Ciência, à Cultura, a Arte e todas as formas de liberdade de expressão. É indispensável incluir no projeto de país, os indígenas, os sem-terra e nossos biomas.
Enfim, este é um ano muito importante para que o Brasil expresse com clareza para onde devemos caminhar. Tenhamos muitos cuidados nas escolhas, sejamos justos e solidários com nossa população.
 
Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte, discente do curso de Jornalismo da UFU
 

*Este conteúdo é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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