04/06/2020 às 09h15min - Atualizada em 04/06/2020 às 09h15min

Unidade nas diversidades contra o fascismo genocida

CLÁUDIO DI MAURO*
As experiências vividas neste ano 2020 nos mostram que precisamos construir no Brasil os processos democráticos, na perspectiva popular. Infelizmente, o “bolsonarismo” está implantando uma forma de viver fundamentada no ódio, na agressividade, no armamento miliciano, na prepotência.

Rejeitando a ciência e optando pela escolha do caminho aparentemente mais fácil, o “bolsonarismo” decidiu com base no terraplanismo ignorar as recomendações médicas, da Organização Mundial de Saúde, chamar as pessoas para que não acatem o confinamento e o distanciamento redutor da curva de contaminação, permitindo que as  pessoas infectadas tenham chance de obter a cura.

A visão genocida sabe que a predominância das mortes ocorrerá entre os setores populares pobres e miseráveis, de cor negra que habitam os bolsões de pobreza das cidades, aqueles que não possuem habitação digna ou sequer têm onde morar, vivendo nas ruas, os setores pertencentes às nações indígenas, os idosos, especialmente aposentados.

Essas decisões do governo federal são apontadas como genocidas, típicas da “necropolítica”. Tais atitudes estão implantadas em Políticas Federais, de muitos Estados e Municípios, a partir do estímulo do Presidente da República.

Ao invés dos governos municipais exercerem suas obrigações demandando da União apoio aos pequenos e médios empresários, benefícios aos desempregados e desvalidos, preferem acatar a pressão irresponsável empresarial para reduzir abruptamente as políticas de afastamento social. Esse é o caminho para aumento das contaminações e do adoecimento, sem que haja estrutura para atender tantas demandas, com a certeza de que teremos um verdadeiro colapso nos serviços de saúde. Nesse momento não haverá outra alternativa a não ser radicalizar no confinamento, fechando todas as atividades e as cidades.  O resultado será ainda mais grave, mas antes conviveremos com o crescimento do número de mortes.

O tempo está passando e as providências indispensáveis estão prestes a não ter mais efeito. O caminho possível deveria ter sido a pressão articulada dos prefeitos e Câmaras junto aos governos Estadual e Federal para que disponibilizem os recursos financeiros de socorro para os setores mais enfraquecidos.

Há quem imagine que o Brasil não tem estrutura financeira para atender tais demandas. Mas, o socorro ao setor privilegiado pelo governo federal, os Bancos e endinheirados já são atendidos. O Ministro da Economia afirmou na fatídica reunião de 22 de abril que não ajudaria os pequenos, mas terá preferência por atender os grandes empresários e o setor financeiro.

Quem serão os responsabilizados por essa política genocida, a chamada necropolítica?

Nas cidades, os movimentos de cidadania apontam para esses riscos, exigindo maiores explicações sobre as condições de infraestrutura implantadas.  Geralmente, sem obter respostas qualificadas dos setores governamentais.

Prefeitos, como em Uberlândia, fazendo “firula”, agem só nas periferias dos problemas, sabendo que suas “ações” não reduzem os níveis das contaminações, ao contrário estão estimulando o crescimento dos números apresentados em cada dia. Jogam na sorte, todas as suas apostas.

Tais governantes municipais jogam e apostam na sorte o destino e a vida de seus concidadãos, diante de concepções irresponsáveis de administração. Em Uberlândia, a partir desta quinta-feira, a Prefeitura faz retornar à situação de confinamento que tinha sido iniciada no começo da pandemia. É o reconhecimento do terrível equívoco que representou a liberação de mais atividades, sem respeitar as determinações da ciência e das autoridades sanitárias. Muitas são as consequências negativas registradas.  Não faltaram avisos de que a liberação das atividades era um imenso risco para contaminação e aumento de óbitos.

Diante de toda essa escolha administrativa, cabe aos setores populares se unirem com aqueles que estão dispostos a lutar pela Democracia Popular. Assim é que surgem diversos movimentos de articulação local e nacional, englobando uma imensa diversidade de concepções e cidadãos com o objetivo comum de derrotar o fascismo expresso nessas atitudes governamentais. No domingo as torcidas organizadas do Corinthians, São Paulo e Palmeiras se uniram em São Paulo para propagar o rompimento com o neofascismo e a construção da democracia popular.

O Economista Eduardo Moreira desencadeou a campanha #Somos70porcento que em poucos dias somou um número enorme de participantes. Outros Movimentos também florescem, como o BASTA, constituído por juristas, o Manifesto #estamosjunto que articula milhares de participantes, bem como o Movimento LULA LIVRE que passa a se organizar como BRASIL LIVRE. Esses movimentos, de acordo com seus perfis políticos e ideológicos buscam apoio, neste momento. Para eles, as disputas e ideológicas virão depois.

Há sim imensa sensibilidade para que sejam articulados os setores democráticos, se unindo em torno do objetivo comum de derrotar o fascismo genocida. Deixa-se de lado as divergências pontuais ou estruturais inerentes às ideologias para que o presente e o futuro da democracia no Brasil sejam as pautas comuns. Depois do cumprimento dessa enorme tarefa será possível a articulação e o embate nos pontos que caracterizam divergências ideológicas. Agora a base teórica da luta é garantir a preservação da democracia, para nós, a democracia popular para atender prioritariamente as demandas populares.
 
 
*Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte, discente do curso de Jornalismo da UFU



Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.


 
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