28/05/2020 às 10h45min - Atualizada em 28/05/2020 às 10h45min

DUAS DATAS TENEBROSAS PARA A HISTÓRIA DO BRASIL

CLÁUDIO DI MAURO*
No dia 22 de abril ocorreu, no Palácio do Planalto, a reunião do presidente da República com seus ministros, cuja gravação foi liberada e ouvida na última sexta-feira (22). Essa gravação, pelo seu conteúdo fatídico, tem circulado o mundo para perplexidade das pessoas que possuem alguma sensibilidade política em favor de justiça e respeito humano.

Há pessoas que consideram o que ali está exposto como o óbvio nos intestinos palacianos. Daí, ao não se surpreenderem, minimizam os fatos e os naturalizam, como se tudo tivesse que ocorrer daquela forma. Para essas pessoas seria natural, tudo ocorrer como está gravado! Essa visão das estruturas de governo é deprimente, repugnante e nos causa indignação.

O presidente da República em reunião oficial, com seus comandados, emite 34 agressões contra pessoas, instituições, contra a Constituição “em vigor”. Isso não poderia parecer normal para nenhuma pessoa que respeita o bem comum.

Um ministro, por mais incrível que parece, o da Educação, mostrou a falta de apreço pelas instituições, agredindo os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), agredindo-os com palavras e propugnando por suas prisões. Isso pelo fato de não estarem agindo de acordo com suas maneiras ditatoriais de enxergar as instituições e relações entre poderes.

Naquela quinta-feira de maio tínhamos 21 mil mortos no Brasil pela pandemia coronavírus. Foi quando o ministro do Meio Ambiente considerou que o governo estava em um momento de tranquilidade, dado pelo recolhimento da mídia impressa e eletrônica. Por isso, havia ali uma oportunidade importante para desregulamentar as Leis Ambientais, especialmente do combate ao desmatamento da Floresta Amazônica, com repercussões em todos os demais biomas brasileiros. Um oportunismo irresponsável e que deveria causar perplexidade no Brasil, pois no estrangeiro, em muitos países causou reações desastrosas para a imagem de nosso país.

Na mesma reunião, o ministro que cuida da economia do País lança o impropério de que se deveria rapidamente vender “essa porra” do Banco do Brasil. O Banco do Brasil, um extraordinário patrimônio da Nação é visto como  “porra” pelo ministro Paulo Guedes. Além do “entreguismo” inato nessa afirmação há uma imensa desconsideração para a importante e histórica instituição que tem missão de auxiliar bravamente no combate da pandemia entre tantas de suas atribuições. E mais, em brados e palavrões, Guedes afirmou que os empresários devem se ferrar (F.). Realmente um conjunto de absurdos que nem merece maiores referências. Mas uma afirmação também não pode ser ignorada, ao dizer que colocou uma granada nos bolsos dos servidores públicos que ficarão 2 anos sem reajuste salarial. Transforma os servidores públicos no grande problema nacional.

No outro lado da mesa, a ministra Damares afirma que devem pedir as prisões de prefeitos e governadores que atuam para o distanciamento social como forma de enfrentar a pandemia por coronavírus. Ao mesmo, a partir dos Estados Unidos, o presidente Trump está decidindo por impedir a entrada no país dos voos procedentes do Brasil. A posição da ministra Damares vai na contra a mão da realidade, pois quem merecer ser presos são os governantes que não adotam os procedimentos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e os especialistas e infectologistas.

Mas em uma reunião coordenada pelo presidente da República que se dirige aos governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro como “bostas e merdas”... Nada ficaria pior do que ele dizer que se precisar chamaria seus apoiadores e afirmando... esses “bostas” que empunharão essa “merda” de bandeira, se referindo ao Pavilhão Nacional para me defender.

O problema maior não é apenas o uso desses termos pelo presidente da República que não tem o mínimo decoro, inerente ao cargo que ocupa, mas a maneira descortês como se refere às autoridades e até mesmo aos seus seguidores.

Realmente, esse governo brasileiro precisa ser interrompido... como um todo. Não é possível esperar sucesso de gente que tem essas deficiências de caráter.

Talvez por esses motivos o ministro decano do STF Celso de Melo mandou para a procuradoria Geral de República a indagação sobre a necessidade de apreender o celular do presidente Jair Bolsonaro, levou o ministro e general Heleno a mandar um texto com ameaças explícitas. Isso levou o governador do Mato Grosso Pedro Taques afirmar que o que se pretendeu um ofício, em verdade foi um bilhete.

Realmente a República está em chamas. Onde vai parar o cotidiano da vida no Brasil? Este País voltará a ter respeito das Nações do mundo? Depende de nós!!!
 
Participação de Jhenifer Gonçalves Duarte, discente do curso de Jornalismo da UFU*



Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.



 
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