26/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 26/03/2020 às 08h00min

Autoridades (?) e a desfaçatez com o coronavírus

CLÁUDIO DI MAURO*
Os brasileiros estão abatidos, tristes. A crise na saúde no mundo e no país se transformou em pandemia global e nos destroça as emoções.

O que se pode fazer para reduzir essa pressão e esses impactos tão doloridos?

Autoridades pedem para termos hábitos de higiene, como mãos, braços, rosto lavados cuidadosamente com uso de sabão; aplicar álcool em gel para desinfetar mãos e rosto, ficar reclusos em casa, evitar sair nas ruas especialmente em aglomerações. Se sair de casa por extrema necessidade devemos usar roupas e calçados específicos para as ruas. Qual o número de populares, no Brasil que sequer podem cumprir tais recomendações? 

É isso o que se pode fazer?

Brasileiros se sentem impotentes para contribuir com ações mais concretas, capazes de estancar o sofrimento da espera e das dores que estão por vir. Dores físicas e psicológicas em vista de outros sinais da doença que exigem leitos hospitalares, respiradores, leitos em UTIs, infraestrutura para isolamentos, entre tantas necessidades. Tudo isso está por vir (e virá ?) para milhares ou milhões de pessoas só no Brasil.  

Difícil verificar como nossas autoridades negligenciam, não se prepararam para enfrentar a crise que está apontada e se aproxima. No âmbito municipal, estadual e nacional as autoridades não assumiram como deveriam as providências de prevenção em função de suas responsabilidades como lideranças. Fazem discursos pelas redes sociais como se estivessem agindo firmemente. Mas, na prática, as ações são insignificantes diante das duras realidades que atingiram a China, a Itália e a Espanha, por exemplo. Há inclusive ocupantes de cargos eletivos, a exemplo do Presidente da República que de maneira irresponsável desdenham dos riscos da doença. Gente acometida pela falsidade e por ações desumanas.

Em Uberlândia, até a vacina destinada à gripe que teve início de campanha agendada para 23 de março, exatamente ao meio dia havia acabado as doses. Nem para isso se organizaram as autoridades do setor da saúde local, estadual e nacional.

Ainda pior, temos na Presidência da República um ser que foi aposentado por insanidade, aos 33 anos de idade. Alguém que nunca mereceria a confiança de gente que efetivamente deseja o bem para a nação. Esse Presidente, que desdenhou da doença, considerando-a como uma “gripezinha” tem a “pachorra” de participar de manifestação pública enquanto se investigava sua possibilidade de conter o vírus.

Assim segue a nave por mares diversos, sem saber em que porto atracará.

Um assunto nos assombra principalmente ao vermos as imagens do desespero de profissionais da saúde em ação na Lombardia, Itália. A falta de estrutura física e de pessoal para atender as pessoas que se encontram acometidas pela doença e com maiores riscos de morte. Há quem diga que as equipes atendentes dos doentes não conseguem se dedicar a todos, sendo obrigadas a escolher quem receberá mais atenção. Para quem está prestes a morrer, espera-se o desenlace em uma espécie variada de eutanásia. 

Olhando e analisando esse quadro, voltamos nossos olhos para o Brasil e nossos municípios. Como está a preparação de Uberlândia, de Rio Claro, de Lins para enfrentar a pandemia, nesses momentos mais difíceis?

Temos leitos hospitalares suficientes para essa atenção? Temos leitos de/em UTIs para suprir tais necessidades sem que se precise escolher quem entubar e quem não receberá essa alternativa?

Cabe aos serviços de saúde dos municípios terem a coragem de especificar como está a realidade em cada lugar.

Dispomos de quantas equipes para atendimento médico, na higienização dos locais nos momentos em que a crise se agudizar? E isso não é algo que se pode apenas esperar, nem só supor. Tem sido a dura realidade nos diversos locais onde a pandemia se instalou de forma mais abrupta.

Temos leitos hospitalares para atender toda a demanda que haverá, com certeza? E leitos para Unidades de Terapia Intensiva, de quantos disporemos, especificamente para atende as(os) contaminadas(os) pelo coronavírus?

Enfim, qual é o planejamento das autoridades para tranquilizar nossa população? 

As providências são indispensáveis e cabe ao poder público nutrir a cidadania das informações que explicitem a realidade.

O presidente Bolsonaro deixou de cumprir a Lei que obriga os órgãos públicos e seus servidores a oferecerem todas as informações demandadas pela população brasileira. Lei de 2013. Será que a intenção é esconder a realidade da população brasileira?

Em Uberlândia um coletivo foi criado no WhatsApp há sete dias, o “Coletivo de Luta dos Atingidos pelo Coronavírus  1”  e promoveu uma incrível assembleia virtual no debate e apresentação de propostas, construindo uma pauta, já revisada por advogado. Nesse momento, são duzentas pessoas participantes de apenas um grupo. 

A pauta abrange reivindicações nos planos macro e micro político, no nível da nação, do estado e do município, ela será entregue ao Comitê Municipal de Enfrentamento ao COVID-19, a Câmara Municipal, aos órgãos do Estado e da Federação e a muitos outros foros. Trata-se de um conjunto de pontos que devem ser considerados pelas autoridades do Executivo, Legislativo, Judiciário e Ministério Público. 

O coletivo atuará com firmeza na defesa dos pontos da pauta no intuito de conter a COVID-19, e indicar omissões dos governos em relação a pandemia e o acirramento da crise econômica que ela tende a acelerar de forma trágica. 

Para quem usa as redes sociais, especialmente o WhatsApp o acesso a esse material produzido pode se dar pelo seguinte link: https://chat.whatsapp.com/GfizMvw5ak3lmVVxDsNBWL 

Coleta de assinaturas: http://abre.ai/coletivolutaudia

É recomendável que a cidadania que se utiliza do WhatsApp acesse o link referido e ajude no processo de conseguir que as autoridades atendam as demandas amadurecidas.


*Texto elaborado em coautoria com Iara Helena Magalhães, Professora e Pesquisadora em Comunicação

*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.








 
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