12/03/2020 às 08h00min - Atualizada em 12/03/2020 às 08h00min

O Pibinho Brasileiro e o Assassinato de Daniquel, Liderança Popular

CLÁUDIO DI MAURO
O “PIBINHO” de 1,1% no ano de 2019 É ABSOLUTAMENTE MEDÍOCRE. Esse é o resultado oferecido e entregue pela política econômica do governo federal sob liderança de Jair Messias Bolsonaro e Paulo Guedes. Resultado vergonhoso e patético para um País com as diversidades e potencialidades do Brasil!

O capitalismo no Brasil já passou por muitos momentos de crises, mas naqueles períodos de “recuperação econômica” nunca os resultados numéricos ficaram em níveis tão pífios e catastróficos. Esse resultado do que no Brasil estão chamando de “recuperação econômica”, apresenta números muito inferiores ao esperado, por exemplo pelo FMI, que previa resultados de mais do que o dobro, ou seja 2,6% no ano.

Seria esse o Brasil que os economistas estão planejando para nosso presente e para o futuro? O que justifica todo o prestígio oferecido às decisões do Paulo Guedes com apoio dos setores de governo e empresariais? Qual o lastro no passado administrativo de Paulo Guedes que lhe garante tanto respaldo? Certamente não seria a experiência no Chile! No dizer do meu amigo e deputado federal Ivan Valente: “Paulo Guedes enriqueceu fazendo manobras e trapaças no mercado financeiro. Seria mesmo o caso de investigar quem está ganhando com o dólar nas alturas, isso poderá oferecer resultados reveladores”. Enquanto os números econômicos do Brasil são de verdadeira catástrofe, os bancos registram enormes recordes de crescimento. Pobres mais pobres e banqueiros cada vez mais ricos.

Quais providências adotadas prometiam gerar trabalho, salário, renda e desenvolvimento no País? Que motivos explicam essa imensa decepção, mesmo para os setores que apoiam o governo Bolsonaro e suas políticas? Não apenas o Presidente da República, mas aqueles que o cercam entraram em guerra contra partes importantes das pessoas, organizações e movimentos existentes no país.

É claro que nenhuma pessoa em sã consciência gostaria de ver aproveitadores com o dinheiro público. Mas, reduzir drasticamente benefícios de famílias dependentes do Bolsa Família afetou as condições mínimas de vida de setores muito empobrecidos. Significou reduzir o acesso e circulação de mercadorias de atividades comerciais, especialmente em municípios que têm nesse projeto o impulsionador para reduzir dramas sociais. Ao mesmo tempo, o governo entrou em conflito com setores que dependem de aposentadoria para sobreviver, mudando regras e aumentando os descontos em seus proventos; mudando critérios com prejuízos para as políticas de recuperação do salário mínimo; atacando e reduzindo direitos de trabalhadoras (es), conquistados em duras disputas e lutas transformados em leis trabalhistas.

Com todas essas limitações, os setores populares não estão estimulados, sentem-se inseguros para fazer compras, concluir construções ou reformar suas casas. Fazer despesas e assumir prestações futuras, sem ter a garantia de que direitos e recebimentos serão mantidos é algo que deprime e abate o ânimo das famílias mais empobrecidas.

As atuais políticas do governo reduzem ou quase exterminam a credibilidade para uma população que é honesta e sempre cumpriu com dignidade as obrigações assumidas. Essas populações não conseguem mais fazer as despesas que realizavam no período anterior da história brasileira. Os setores detentores do capital que possuem empresas geradoras dessas mercadorias passam também por um período de redução de investimentos, gerando menos ganhos e acarretando desemprego. Com o dólar a quase 5 reais, afirma o jornalista José Simão, não irão para Miami nem as empregadas domésticas e nem mesmo suas patroas.

Toda essa trajetória desestimula os investimentos de capital estrangeiro que não sente segurança jurídica e nem credibilidade com a desestabilização legal. Daí se configura a falta de investimentos estrangeiros e também “fuga de capital”.

Como será o futuro caso continuem essas políticas socioeconômicas, incluindo ambientais? Com a previsão do governo para “crescimento” anual de 2% não há favorecimento para novos investimentos. Fora do governo brasileiro, as estimativas de crescimento são inferiores aos 2%, ou seja, outra vez teremos números catastróficos.

Enquanto isso, Regina Duarte assumindo a Secretaria Nacional de Cultura considera que a produção cultural no Brasil, corresponde ao PUM do Palhaço. Demonstração de ignorância à enorme e qualificada produção cultural presente no País, inclusive nos bairros ocupados pela população empobrecida, nos grotões e favelas. Ao invés de estimular a cultura, a educação, o esporte e a capacitação cidadã de sua população, o governo brasileiro estimula a repressão por parte de milícias e da Polícia Militar agressiva e autoritária. Trata-se de uma estrutura policial, militar que mata trabalhadores, como Daniquel de Oliveira dos Santos, da coordenação do MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, ao mesmo tempo em que defende os donos dos meios de produção, do sistema financeiro, os donos de terras urbanas e rurais. São soldados vindos da base social que são levados a reprimir e matar seus iguais para proteger a propriedade privada.

No Brasil atual valem mais as coisas, as mercadorias do que a vida das pessoas e a função social da cidade e da propriedade provada. É enorme a luta para transformar tais realidades, mas venceremos!


*Esta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.







 
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