13/02/2020 às 08h45min - Atualizada em 13/02/2020 às 08h45min

Manifestação antinazismo*

CLÁUDIO DI MAURO | GEÓGRAFO DOCENTE NO IG/UFU

Diversas entidades e personagens da Sociedade Civil, entre elas a Associação Nacional de Pós Graduação em Geografia preparou um Manifesto Antinazismo que será encaminhado como apoio à referida Representação feita pela PFDC. Lembrando as dores que acometeram o Brasil ao longo de sua trajetória, o Manifesto considera que quem conta histórias é a nossa arte, que transforma a dor em resistência para fortalecer a luta que não se curva à esse tipo de repetição.

O Manifesto lembra que todos os que não suportam a democracia, onde todas e todos tenham voz, independentemente de gêneros, orientações sexuais, raças, classes, religiões, odeiam e querem controlar, mas, se não conseguirem, atacam as artes para destruí-las.

O Brasil é um País cuja Nação é Multicultural. Nossa arte reflete essa realidade pela música, cinema, teatro, artes plásticas, lindas e maravilhosas poesias. Todas essas linguagens de artes são reconhecidas mundialmente e para ser expressadas precisam de liberdade com fortalecimento dos artistas, sem serem subjugadas à políticas repressivas, regressivas no estilo Adolf Hitler, ou seja nas posturas e comandos do 3° reich nazista.

O Manifesto Antinazista lembra que em 1937, na cidade de Munique, os nazistas inauguraram grande exposição de arte moderna com obras confiscadas dos principais museus do país. O objetivo dessa mostra era desmerecer as importantes manifestações artísticas para considera-las como “arte degenerada”. Entre as obras perseguidas figuraram as manifestações artísticas de Picasso, Georges Braque, Lasar Segall, George Grosz, Henri Matisse, Otto Dix, Max Ernst, e outros. A arte moderna foi banida do território alemão e os artistas que se expressavam por essas escolhas que não estavam em conformidade com os ideais nazistas foram perseguidos, ou mesmo assassinados.

De maneira contundente o Manifesto afirma que “...isso foi muito grave e ressalta que igualmente grave é o que vem acontecendo no Brasil.” Os signatários do Manifesto afirmam que o bolsonarismo brasileiro reproduz o nazismo. Confirmam essa posição tendo em vista o absurdo vídeo inspirado na estética nazista do então Secretário Especial de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim. Ressaltam que “...esse não foi um discurso isolado, ele sucedeu a fala repressiva e preconceituosa proferida pelo presidente da Funarte contra o rock.”

Também de maneira contundente os autores do Manifesto Antinazismo assumem: Isto tem que parar!

Assim, a iniciativa da PFDC, através da representação PFDC Nº 01/PFDC/MPF que pede a punição criminal do então secretário e a anulação de todos os seus atos é uma ação forte e vital para as artes no Brasil e precisa prosperar. Os autores consideram que este Manifesto Antinazismo é uma ação para defender os processos criativos, apoiando os artistas, defendendo acima de tudo o Brasil e nossas culturas.

Na conclusão o Manifesto afirma “não queremos reviver os tristes momentos do período da ditadura...”– a referência é a ditadura militar que teve o golpe deflagrado em 1964. Esse lamentável período da história do Brasil teve a presença de Uberlândia a partir da sombria participação de Rondon Pacheco, especialmente no AI-5. “...Este manifesto é um grito pela defesa da cidadania, da nossa Constituição e exigimos que a Procuradoria Geral da República (PGR) cumpra seu papel constitucional e dê imediato seguimento à representação PFDC Nº 01/PFDC/MPF punindo as práticas neonazistas”.

Tendo sido elaborado em Uberlândia e contando com muitas adesões de entidades e pessoas físicas de elevada representatividade entendemos que o Manifesto Antinazismo merece ser abordado com muito destaque pelos defensores dos Direitos Humanos e das liberdades. Este Manifesto Antinazista foi encaminhado à PFDC com assinatura de 13 entidades  com personalidade jurídica e 72 pessoas física. Trata-se de boa contribuição para andamento da Representação citada.
 
*Este texto foi elaborado tendo como base o “Manifesto Antinazismo” elaborado em Uberlândia pelo movimento antifascismo neste verão de 2020

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.









 

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