29/09/2019 às 15h00min - Atualizada em 29/09/2019 às 15h00min

Sobre a inveja

JOÃO BOSCO

Recentemente me perguntaram o que eu achava da inveja. Sempre que alguém me questiona sobre essa megera cito uma cena que aparentemente beirou a cuja. Numa noite fria, dois casais. Saímos para tomar caldo. Todos nós pedimos o de feijão. O meu companheiro caiu na graça do cozinheiro. Para minha esposa e eu, um caldo ralo e para as companhias um caldo regado a costelinhas defumadas e rabinho “cotó”. Não deu para segurar! O meu semblante transfigurou, amarelou, reclamei, fui servido igual, mas o caldo perdeu o sabor. Quer saber? Perdeu até a cor! Fui para casa com o sentimento de que, para as companhias, eu havia tomado caldo de inveja. Mas não, o caldo tinha o gosto amargo da — pouco importa se involuntária — da discriminação. Desde então, tomo essa cena patética como parâmetro para uma autoanálise de minhas fraquezas. Caso tenha esse ingrediente na jogada, não é inveja e isso me deixa mais confortável com minhas reações. A propósito, não sinto inveja das pessoas melhores do que eu! E louvo por conviver com muitas.

*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.

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