18/04/2019 às 08h13min - Atualizada em 18/04/2019 às 08h13min

Ideias de Jerico

JOÃO BATISTA DOMINGUES FILHO | CIENTISTA POLÍTICO
Avaliação de 100 dias da Presidência é uma tradição americana. Capitão-presidente do Brasil criou uma armadilha política para si com essa efeméride. A Casa Civil ao criar agenda positiva, em janeiro, contra a divulgação das movimentações financeiras suspeitas do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), apresentou 35 metas prioritárias para os primeiros 100 dias de governo, cujo capitão-presidente participava do Fórum Econômico Mundial, em Davos, excluindo a reforma da Previdência social como prioridade prometida ao mercado. Armadilha política: Presidência criou referência para vigilância crítica às realizações de sua governança, facilitando o trabalho da oposição e pressão do mercado pelas reformas estruturais necessárias ao crescimento econômico.

Presidência fez da festança dos 100 dias plataforma de anúncios, tornando-se o epicentro de uma série de crises políticas inúteis, cuja agenda causa mal-estar geral: orientação ideológica do nazismo, o comportamento do folião no Carnaval, a narrativa do golpe militar, utilidade do horário de verão, substituição das urnas eletrônicas, abandono das regras do acordo ortográfico e o fim da tomada de três pinos. Brilhante comemoração dos 100 dias com queima do capital político diante do Congresso nacional, mas tão eficiente para se manter em campanha para reeleição desse capitão-presidente, com pautas para animação da militância bolsonarista fiel e sempre raivosa, mostrando os dentes para quem pensa diferente do chefe do Executivo.

E o Brasil brasileiro? Que se exploda! Presidência cria despesas, abrindo mão de receitas a seu bel prazer, em campanha eleitoral com recursos públicos escassos. Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2020: reajuste salarial apenas para militares, dada reposição de soldos em janeiro, em quatro anos, de 25,4%. Para animar seus cabos eleitorais por todo o Brasil: capitão-presidente cancelou o reajuste de 5,7% no preço do óleo diesel determinado pela Petrobras. Cria agenda só para caminhoneiros como pagamento de promessas de campanha vitoriosa.  

Perda de tempo e recursos públicos a campanha de reeleição desse capitão-presidente do Brasil com suas “ideias de jerico” berradas aos quatro ventos, sem medo de ser feliz. Dá “beijinhos no ombro” para rejeição fundamentada à sua pauta governamental de demolição da ideologia marxista no Brasil. Os inimigos da pátria e da civilização cristã são fantasias custeadas com recursos públicos escassos para o capitão-presidente conquistar a reeleição, encobrindo sua incompetência em todos os sentidos para governar o Brasil, sem fazer as reformas estruturais socioeconômicas para alavancar o país ao patamar de pais rico de classe média para a maioria dos brasileiros.

Tudo indica que o Brasil arcaico será o vencedor mais uma vez, com choro e ranger de dentes para a maioria dos brasileiros à mercê de todas as crises inimagináveis para os países ricos do mundo. Brasil governado por essa direita conservadora sem imaginação, alienada e intolerante com quem ousa pensar diferente desses indigentes políticos, implacáveis com os progressistas e democráticos. Padrão da governança da Presidência são os ministérios da Educação, Relações Exteriores e da Família, garantidores dos votos necessários à reeleição do presidente Bolsonaro. Loucura presidencial tem método e conteúdo expostos por Olavo-Eduardo-Carlos-Flávio, cuja Presidência do Brasil é reduzida à ventriloquia desses “bobos da Corte”, produtores das “ideias de jerico” que saem da boca da Presidência em êxtase governativa.

Oito generais no primeiro escalão com pretensão fracassada de tutelar o capitão-presidente, conquistar prerrogativas perdidas e novo status para os projetos militares para si próprios, envoltos de interesse públicos. Presidência irradia radicalismo obscurantista, com reação do general Heleno Ribeiro, protetor-mor, com “cara de paisagem”. O vice-presidente general é escrachado por Olavo de Carvalho, como também o general ministro da Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz, com aprovação do capitão-presidente que não os defende e muito menos zanga com Olavo de Carvalho. Fatos absurdos não mudam em nada o comportamento presidencial: queda acentuada da popularidade, com perda de capital político para aprovar as reformas no Congresso Nacional, suspeição crescente dos empresários, investidores e parlamentares com as políticas públicas com referência à sua agenda para o mercado. Presidência existe para reeleição desse capitão-presidente do Brasil.


*O conteúdo desta coluna é de responsabilidade do autor e não representa, necessariamente, a opinião do Diário de Uberlândia.
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