22/11/2018 às 09h30min - Atualizada em 22/11/2018 às 09h30min

Direita volver

JOÃO BATISTA
A direita brasileira tem seu primeiro líder popular eleito presidente da República Federativa do Brasil. Jair Messias Bolsonaro Paz e Amor? Nova persona necessária para ser presidente do Brasil. Amor e ódio dividiram os cidadãos-contribuintes na eleição 2018. Nossas emoções determinam nossos modos de interpretar e interagir em sociedade. Não é a razão. Voto é determinado pela emoção. Sendo um vitorioso ressentido que cultivou paixões perversas com fins eleitoreiros, será capaz de atos positivos de governança para todos os brasileiros? A violência que vitima mais de 60 mil brasileiros por ano foi determinante para eleição do Bolsonaro. 

Daí o presidente eleito que sempre ganhou notoriedade, mídia e tornou-se “Mito” entre seus fiéis seguidores histéricos, sendo sempre adulado como uma criança mimada, apesar de suas debilidades sem fim, as quais são qualidades nobres para seus eleitores. Ao bel-prazer, Bolsonaro, como um “Messias”, leva ao êxtase seus fiéis ao revelar seu racismo, sua homofobia e seu menosprezo pelas mulheres, alimentando mentes e corações de sua tribo: família estendida composta de seus quase 58 milhões de eleitores.
 
Novidade eleitoral: o golpe civil-militar de 1964 e a ditadura militar de 1968 a 1985 foram colocados no centro do debate. Sua eleição representa o fim da “Nova República” em 1985 com a democracia advinda do pacto constitucional de 1988, com suas cláusulas pétreas quanto à diversidade ética, religiosa e pluralismo. São direitos fundamentais inscritos na CF/88. Geisel xingou Jair Messias Bolsonaro de “mau militar” por ser membro da facção que se opunha à abertura iniciada em sua governança. A participação dos militares na administração pública sob ordens do Bolsonaro é ameaça de golpe permanente? Assim nascem as suspeitas concretas com a problemática: Qual o real interesse dos militares ao assumirem postos chaves na gestão pública?
 
Como responder a pergunta: Como foi possível esse deputado federal por sete eleições vivendo na periferia do sistema político conquistar o centro do poder político? Grande parte de seus eleitores votaram sem conhecer o suficiente suas ideias e ideais. Votaram nele por repugnância à podridão institucional expelida pelo Mensalão e Lava-Jato; à injustiça social; e contra a crescente pobreza e desigualdade. Eleito com cerca de 55% dos votos válidos – pouco mais de um terço do eleitorado –, um quarto da população, mas suficiente legalmente para se tornar o Presidente popular da direita brasileira.

Regras do sistema representativo criaram nosso sistema partidário a partir de 1994 com três características por duas décadas até eleições de 2014: polarização entre PT e PSDB na disputa presidencial; PT na Presidência por mais tempo que qualquer outro na historia da república; e fragmentação no congresso com alta pulverização de partidos. É desse ecossistema político-partidário que vicejou o presidente da direita brasileira. Dois fatores associados entre si trituraram esse sistema partidário: manifestações de 2013, expondo nacionalmente seu conteúdo antipolítica em protestos que começaram a minar a legitimidade do sistema representativo; e, em  segundo, a Operação Lava-Jato, tirando do mapa político PT, PSDB, MDB e Centrão (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade). Todos foram igualados por participarem da gigantesca corrupção em todas as instâncias do Estado brasileiro.

O staff de Bolsonaro que irá interagir com o Congresso é tosco, imaturo e precoce, fracassando de início frente à sofisticação que são as negociações entre Executivo e Legislativo na Câmara e Senado. Os políticos eleitos desse Congresso só obedecem aos seus eleitores: “memorável público” eleitor soberano, os quais não são eleitores dos presidentes da Câmara e do Senado. Seu colegiado familiar não tem poder sobre 513 deputados e 81 senadores na definição dos resultados das votações, com discurso de desqualificação da política e dos políticos. Onyx Lorenzoni foi do baixo clero, sem liderança própria, estourado e tem inimizades por ter sido relator das dez medidas anticorrupção, falando de corda em casa de enforcados.

Em tempos de incertezas quanto ao funcionamento virtuoso da democracia brasileira, Presidente Bolsonaro representa o nascedouro da corrosão das instituições democráticas? Sua governança autocrática, sem violar a CF/88, é possível, para deleite de parte da sociedade civil? Assistimos ao nascimento da “Nova Ordem e Progresso” da direita popular brasileira? Pense!!!
           

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