Uberlândia teve queda nos registros de homicídios nos últimos meses. Dados do Observatório de Segurança Pública de Minas Gerais mostram que, após uma redução no número total de casos em 2025, o município também registrou recuo nos primeiros cinco meses de 2026.
Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 49 homicídios, sendo 29 tentados e 20 consumados. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 61 casos (34 tentatados e 27 consumados), uma queda de aproximadamente 19,7%.
A redução também aparece na comparação anual. Em 2024, Uberlândia registrou 153 ocorrências de homicídio, sendo 83 tentados e 70 consumados. Em 2025, esse total caiu para 134 casos, com 75 tentativas e 59 mortes, uma redução de 12,4%.
Os números mostram que os homicídios tentados representam a maior parcela das ocorrências registradas na cidade. Do total de casos analisados, aproximadamente 58,7% correspondem a tentativas de homicídio, enquanto os homicídios consumados representam cerca de 41,3%.
Para o especialista em segurança pública e criminalidade, Giovanni Oliveira, o resultado está diretamente ligado ao fortalecimento das ações integradas entre as forças de segurança e ao trabalho desenvolvido junto à população.
"É importante atrelar esse cenário a alguns fatores importantes. Primeiro, as ações integradas de segurança pública, hoje a Polícia Militar, Civil e Federal realizam um trabalho mais pontual de inteligência, mapeando os locais de maior criminalidade, pontos de tráfico e trabalham de forma mais pontual. Outro fator são as ações públicas com a própria comunidade, trazer a comunidade como elo participativo dessas ações são importantes em ações esportivas e sociais", disse.
TENDÊNCIA POSITIVA
Embora os indicadores apontem redução nos últimos anos, o especialista avalia que ainda é cedo para afirmar que o município atingiu um cenário definitivo de queda da violência letal, especialmente pela influência de fatores como o tráfico de drogas e disputas entre organizações criminosas.
Para Giovanni Oliveira, os resultados são animadores e a tendência é de continuidade da redução, desde que o trabalho integrado seja mantido.
"O histórico tem uma tendência de redução, como podemos ver nos últimos 3 anos. Mas, o homicídio ligada a outros fatores, principalmente ao tráfico de drogas, talvez seja um pouco cedo para dizermos que isso irá perdurar ao longo do tempo. Mas eu acredito que sim, a tendência é realmente diminuir, não só pelo número em si, mas pelas ações que temos visto dos órgãos de segurança", analisou.
VÍTIMAS
Ainda de acordo com os dados, cerca de 90% das vítimas são do sexo masculino. A faixa etária mais afetada concentra-se entre 20 e 39 anos, especialmente jovens entre 20 e 29 anos. Em grande parte dos casos, as vítimas são solteiras e os crimes aconteceram em vias públicas, como ruas e avenidas.
Outro dado observado é que muitos homicídios têm origem em conflitos interpessoais, discussões ou disputas relacionadas ao tráfico de drogas. Segundo Giovanni Oliveira, três fatores ajudam a explicar esse perfil recorrente.
"São 3 fatores importantes que aumentam esse índice de crime. O primeiro é a disputa entre organizações criminosas, por pontos de droga, acertos e esse público de jovens e homens é a tendência. O segundo ponto é o conflito interpessoal, que através de brigas acabam fomentando algum tipo de homicídio mais focado em arma de fogo. E o terceiro ponto importante é a reincidência criminal, grande parte das vítimas possuem histórico criminal existência, seja por tráfico, furto, roubo e por algum tipo de acerto entre eles acaba ocorrendo o homicídio", afirmou.
COMUNIDADE E PREVENÇÃO
Além do trabalho policial, o especialista defende que políticas públicas voltadas à inclusão social, educação e oportunidades para crianças e adolescentes são fundamentais para manter a redução dos índices de violência.
Segundo ele, segurança pública não depende exclusivamente da atuação das polícias, mas também da participação ativa da comunidade.
"Não existe uma bala de prata. Só o órgão de segurança pública não consegue fazer isso sozinho, mesmo com toda a tecnologia e inteligência, então as ações públicas são importantes. Eu acredito que o que vem acontecendo dentro do cenário de Uberlândia e precisa se fomentar ainda mais é trazer a comunidade para esse pleito. Trazer no sentido de estar mais ligada aos órgãos de segurança pública, as ações em escolas, ações de atividades esportivas ou profissionalizantes nos bairros que tirem realmente a oportunidade dessas crianças e jovens terem contato com o tráfico, as drogas", afirmou.
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