A Polícia Civil (PC) finalizou as investigações do homicídio cometido contra Renata Bocatto Denari, registrado em novembro de 2020 no bairro Presidente Roosevelt, em Uberlândia. De acordo com a corporação, o crime foi organizado e ordenado por Cláudia Soares Alves, conhecida por sequestrar uma bebê recém-nascida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). O inquérito foi enviado ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Justiça.
Segundo as investigações, Cláudia coordenou o homicídio contra Renata, com a execução do crime sendo realizada pelo vizinho dela. Um outro homem havia sido preso temporariamente, mas foi solto em seguida, já que não havia indícios de sua participação no ocorrido.
A médica e o executor foram presos temporariamente pelo prazo de 30 dias e, após a obtenção de novas provas, a Polícia Civil representou pela conversão da prisão temporária em preventiva. Eles permanecerão presos por tempo indeterminado.
Na fase final da investigação, foram realizadas oitivas e confecções de laudos periciais que confirmaram que Cláudia, além de ter arquitetado o crime juntamente com o executor, forneceu apoio logístico no momento do homicídio, destruiu provas e ainda falsificou um prontuário médico, registrando uma ata notarial para tentar forjar um álibi de que estaria sendo atendida no momento exato do crime.
A Polícia indiciou os autores pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe, pagamento e emboscada, além dos crimes de uso de documento falso, fraude processual e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Cláudia continua presa na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga e o executor está detido no Presídio Professor Jacy de Assis.
RELEMBRE O CASO
A professora e neurologista Cláudia Soares Alves, conhecida por sequestrar uma bebê recém-nascida no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), foi presa novamente no dia 5 de novembro, em Itumbiara (GO). Ela foi apontada como mandante do homicídio cometido contra Renata Bocatto Denari, de 38 anos, registrado em novembro de 2020 no bairro Presidente Roosevelt.
Renata morreu no dia 7 de novembro na avenida Cesário Crosara, quando chegava para trabalhar. Imagens de uma câmera de videomonitoramento instalada nas proximidades mostraram o momento em que um homem de capacete chega, entrega algo a ela e, em seguida, saca a arma de fogo e dispara os tiros. Confira abaixo.
Vídeo: ReproduçãoDe acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil, na época do crime, Cláudia se casou com o ex-marido de Renata Bocatto Denari, mas o casal se separou dois meses depois. Segundo os investigadores, o homem teria percebido que a médica possuía algum transtorno de personalidade. Foi revelado também que a neurologista tinha a intenção de assumir a maternidade da filha menor que o casal anterior tinha em comum.
Renata, percebendo que a médica era uma pessoa perigosa e desequilibrada, proibiu sua filha de conviver com o pai enquanto ele estivesse na companhia de Cláudia. Após a separação, suspeita-se que a médica teria organizado e mandado matar Renata, motivada pelo desejo de reatar seu casamento e, por consequência, assumir a maternidade da filha menor do ex-marido.
Durante as investigações, foi apurado que uma motocicleta com a placa adulterada foi utilizada no crime. Os policiais constataram que o veículo já havia sido usado anteriormente pelos vizinhos de Cláudia. Durante o interrogatório, todos os envolvidos confirmaram que estiveram em Uberlândia exatamente no momento do crime, e criaram um álibi que se comprovou falso.
SEQUESTRO DE BEBÊ
Cláudia Soares Alves ficou conhecida após sequestrar uma recém-nascida na maternidade do HC-UFU, em julho de 2024. A neurologista é formada em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), de Uberaba, e possui título de especialista em Clínica Médica pela Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM). No currículo, consta que ela possui título de especialista em Neurologia reconhecido pelo Ministério da Educação.
A bebê foi encontrada e resgatada na manhã do dia 24, em Itumbiara (GO). Em agosto de 2024, Cláudia Soares Alves foi indiciada pelos crimes de falsidade ideológica e tráfico de pessoas. O inquérito do caso foi conduzido pela Delegacia da Mulher e a Delegacia de Apuração de Atos Infracionais de Itumbiara, em conjunto com a Polícia Civil de Uberlândia. De acordo com os investigadores, ela utilizou nome falso e premeditou o crime, simulando uma gravidez e comprando um enxoval de bebê. A médica foi solta em março deste ano, mas foi presa pela PC nesta quarta.
As investigações apontaram ainda que a neurologista e professora universitária entrou no HC-UFU com um nome falso e sequestrou a bebê que havia acabado de nascer. Antes do crime, Cláudia tentou adotar crianças em outros estados, utilizando métodos de fraude e aliciando pessoas vulneráveis. Além disso, foi apurado que Cláudia havia obtido aprovação em um cadastro nacional de adoção, utilizando documentação falsa para comprovar sua aptidão psicológica.
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