09/05/2022 às 19h00min - Atualizada em 09/05/2022 às 19h00min

“Eu já vendi”, vazamento de áudio de vereador durante votação de projeto gera polêmica em Uberlândia

Parlamentar que participava da sessão de forma remota deixou microfone ligado e foi questionado: “já vendeu o voto?”

DHIEGO BORGES I DIÁRIO DE UBERLÂNDIA
Vereador já protagonizou outras cenas como essa; em 2021 teve áudio vazado conversando com a esposa durante sessão “Oi amorzinho, eu tô cremosinho” I Foto: ALINE REZENDE/CMU

Uma fala do vereador Charles Charlão (PP) gerou polêmica durante uma sessão realizada nesta segunda (9) na Câmara Municipal de Uberlândia. Sem perceber que o microfone estava ligado, o parlamentar pronunciou a frase “tudo bem, eu já vendi”, no momento em que os colegas votavam de forma nominal um projeto de lei.
 
Momentos antes, os parlamentares discutiam a respeito de uma proposta que tinha como objetivo incluir doadoras de leite materno em uma legislação que estabelece a isenção da taxa de inscrição para estas pessoas em concursos públicos e processos seletivos realizados pela Administração Direta e Indireta do Município de Uberlândia. A autora do projeto é a vereadora Dandara (PT).  
 
Terminada a discussão, após vários parlamentares defenderem a aprovação da proposta, que tinha parecer favorável da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, o líder do prefeito Antônio Carrijo (PSDB) solicitou à presidência da Casa que a votação do projeto fosse nominal (formato em que cada parlamentar informa seu voto de maneira aberta no plenário).
 
Durante a manifestação de votos dos vereadores Amanda Gondim (PDT) e Anderson Lima (DC), Charles Charlão, que acompanhava a sessão fora do plenário de forma remota, deixou o microfone aberto e pronunciou a frase: “tudo bem, eu já vendi”. Logo após, o parlamentar foi alertado pelo presidente da Câmara, Sérgio do Bom Preço (PP), de que seu áudio estava ligado.     
 
Neste momento, a autora da proposta que estava sendo discutida questionou a fala do colega, perguntando a que ele estava se referindo. “Queria registrar que o áudio do vereador Charles Charlão está aberto e ele está dizendo: ‘eu já vendi’, ‘eu já vendi’, eu queria saber do que se trata esse ‘eu já vendi’, se é ‘já vendeu o voto’, porque se for isso é muito sério, presidente, é muito grave”, disse Dandara (PT).
 
Charlão respondeu que se tratava de um imóvel. “Uma casa, eu sou construtor”. A discussão entre os dois foi interrompida pelo presidente, que solicitou que todos os microfones fossem desligados para que a votação continuasse.
 
DISCUSSÃO DO PROJETO
Antes da polêmica, os vereadores favoráveis ao projeto subiram à tribuna pedindo apoio para aprovação da proposta, que teve manifestação contrária do líder do prefeito e dos vereadores da base.   

A autora da proposta argumentou que o projeto só traria benefícios à população. “É um projeto muito simples, a gente chama no nosso gabinete de projetinho de dia-a-dia, não é um projeto complexo, mega elaborado, que depende de orçamento, não é competência privativa do prefeito, não vai afetar as contas do município, não vai alterar nada na administração direta do município, é apenas para estimular a doação de leite para o nosso banco de leite”, defendeu Dandara.
 
O líder do prefeito, Antônio Carrijo (PSDB), subiu à tribuna para defender a reprovação da matéria. “O projeto fere as matérias que são privativas e exclusivas do prefeito e nesse caso ela está dizendo que o benefício é mediante a apresentação de documento expedido pela entidade coletora de leite, ou seja, isso é complexo, como vai operacionalizar essa questão? Então eu peço aos colegas vereadores que votem contra o projeto”, disse Carrijo.
 
A proposta foi rejeitada pela maioria, com 10 votos contrários, 9 favoráveis e 7 ausências.
 
O Diário entrou em contato com o vereador Charles Charlão solicitando um posicionamento a respeito de sua fala nesta segunda (9), mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
 
CREMOSINHO
Esta não é a primeira vez em que o nome do vereador Charles Charlão (PP) é envolvido em polêmica na Câmara. Em julho do ano passado, durante sessão remota na Câmara de Uberlândia, enquanto o colega Thiarles Santos (PSL),
que faleceu de covid-19, discutia um projeto do Legislativo, um áudio de Charlão (PP), que acompanhava a sessão de casa, vazou causando espanto e certa indignação dos demais presentes.⠀

“Oi amorzinho, eu tô cremosinho.... Amorzinho, eu tô cremosinho”, disse Charlão, que, depois de ser avisado, afirmou que estava falando com a esposa no telefone. ⠀


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RETALIAÇÃO
Esse foi o segundo projeto do dia de autoria de vereadores da oposição reprovado pela Câmara. Nos bastidores, ventilou-se a ideia de uma possível retaliação, já que, na última sexta, um grupo de nove parlamentares protolocou um documento solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar a gestão da saúde municipal em Uberlândia.
 
Além do autor do requerimento, Murilo Ferreira (Rede), assinaram o documento os vereadores Amanda Gondim (PDT), Cláudia Guerra (PDT), Cristiano Caporezzo (PL), Dandara (PT), Dudu - Luiz Eduardo (PROS), Fabão (Pros), Liza Prado (Patriota) e Odair José (Avante).
 
Na sessão desta segunda (9), a vereadora Liza Prado alertou os colegas sobre a situação. “O nosso parlamento não sabe distinguir o que é uma política de estado, o que é uma política de governo, e nesse momento, por causa das assinaturas na CPI, houve uma polarização na Câmara. Então o governo tá fazendo um rearranjo e a gente percebe que vai endurecer um pouco. Como a gente não tem as políticas públicas como prioridade, vamos observar comportamentos esdrúxulos. Então, eu aconselho aos colegas que têm matérias boas, que são importantes que haja uma mobilização social grande”, disse Liza.  
 
O líder do prefeito, Antônio Carrijo, disse que a base do governo não vai aceitar a CPI. “Aqueles que assinaram a CPI vão votar sempre em bloco daqui para frente para unir a posição deles e nós não vamos aceitar que esta casa vire palanque político, por que a saúde de Uberlândia é exemplo”, afirmou.
 
VEJA COMO VOTOU CADA VEREADOR
 
FAVORÁVEIS AO PROJETO
Amanda Gondim (PDT)
Anderson Lima (DC)
Cláudia Guerra (PDT)
Cristiano Caporezzo (PL)
Dandara (PT)
Luiz Eduardo - Dudu (Pros)
Fabão (Pros)
Liza Prado (Patriota)
Murilo (Rede)
 
CONTRÁRIOS AO PROJETO
Antônio Carrijo (PSDB)
Antônio Augusto "Queijinho" (Cidadania)
Charles Charlão (PP)
Eduardo Moraes (PSC)
Ivan Nunes (PP)
Leandro Neves (PSDB)
Neemias Miqueias (PSD)
Raphael Leles (União)
Thais Andrade (PV)
Zezinho Mendonça (PP)
 
AUSENTES
Gláucia da Saúde (PSDB)
Gilvan Masferrer (DC)
Odair José (Avante)
Ronaldo Tannus (DC)
Sargento Ednaldo (PP)
Sérvio Túlio (União)
Walquir Amaral (SD)


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