27/02/2022 às 12h00min - Atualizada em 27/02/2022 às 12h00min

Projeto promove saúde física e cognitiva para idosos diagnosticados com Alzheimer em Uberlândia

Profissionais ressaltam importância da atividade física para pacientes que convivem com a doença

GABRIELE LEÃO
O Alzheimer acomete cerca de 15 milhões pessoas com mais de 60 anos de idade no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz). A doença, que provoca o declínio das funções cognitivas, é estudada há anos com o objetivo de promover conhecimento e tratamentos aos que convivem com o transtorno. Pensando nisso, o projeto MoviMente, em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), realiza ações para oferecer qualidade de vida e bem-estar a idosos diagnosticados com Alzheimer.
 
O projeto atende idosos a partir de 65 anos diagnosticados com a doença. A proposta do programa é oferecer saúde através de exercícios físicos de forma gratuita. A doutoranda e responsável pelo projeto, Denise Rodrigues Fernandes, contou que as atividades físicas são uma das maneiras de evitar o agravamento da doença.

“Os treinos ajudam no desenvolvimento da capacidade funcional e isso cria uma independência para o idoso. Desta maneira, ele consegue lidar com situações do dia a dia e diminui as demandas dos familiares e cuidadores”, explicou.

Denise explicou ainda que, além dos exercícios, outra estratégia foi adotada para incentivar o desenvolvimento cognitivo dos idosos.
“Durante as atividades incentivamos que eles trabalhem algumas memórias, como fatos do passado, nome dos filhos, netos e até combinações de frutas ou de uma letra específica, por exemplo. Ao fazer isso, eles precisam desenvolver duas atividades ao mesmo tempo, o que instiga a concentração mental e física”, comentou.

Antes da pandemia da covid-19, a ação acontecia de forma presencial. No entanto, os atendimentos precisaram ser adaptados para a forma online. Agora, os 35 alunos matriculados para as aulas recebem vídeos de até 20 minutos com exercícios para serem praticados em casa por três vezes na semana.

O médico geriatra, Rodrigo da Silva Dias, também reforça a importância das atividades físicas para a qualidade de vida dos idosos que convivem com a doença. “Já temos diversas comprovações científicas de que o exercício físico diminui problemas mentais na velhice e reduz a ocorrência de perda de memórias. Pessoas que já tem o quadro demencial em curso devem fazer atividade física, pois isso influencia na redução da progressão do quadro”.

O médico comentou que pessoas diagnosticadas com algum tipo de demência, como o Alzheimer, têm mais propensão a acidentes, perda da habilidade de usar utensílios e até mesmo a analisar risco. “Manter uma rotina de atividade física evita que o paciente tenha danos mais graves ao sofrer uma queda, por exemplo, além de impactar nos movimentos motores do dia a dia”. 

O geriatra ainda ressaltou que para garantir a saúde global do idoso, principalmente em tempos de isolamento social, a família deve se manter atenta à inclusão. “Isolar essa pessoa ajuda no desenvolvimento de outros transtornos como a ansiedade e depressão. Manter os cuidados como vacinação e proteção pessoal são essenciais, mas cuidar da mente se faz ainda mais necessário”, encerrou.

RELATO
A técnica de enfermagem, Waldilene Figueiredo Batista, é responsável pela mãe Creusa Figueredo apresentar, de 82 anos, que convive com o Alzheimer. O diagnóstico veio há três anos após perceber que ela apresentava sinais de esquecimento.

A profissional da saúde então começou a buscar na internet informações sobre a doença e foi através das mídias que conheceu o projeto MoviMente. Creusa Figueredo está há dois meses nas aulas online e a melhora do quadro já é percebido pelos familiares.

“Desde que começou com a rotina de exercícios, temos analisado que ela fica menos agitada, além da melhora do quadro físico, pois agora ela tem mais disposição e consegue fazer coisas básicas, como cuidar da higiene pessoal”, comentou.

A técnica de enfermagem contou que foi necessário criar um cronograma para que a mãe conseguisse fazer os exercícios, já que ela reveza os cuidados com o marido. “Pela manhã ela faz as atividades que são enviadas através do WhatsApp e à tarde conseguimos manter os cuidados com a casa e alimentação. Os exercícios são realizados três vezes na semana”, contou.

Waldilene Figueiredo ainda falou sobre a importância da atividade física na rotina da mãe. “É muito difícil ser diagnosticado com Alzheimer e como profissional da saúde, e filha, vejo o quanto esse estímulo é muito valioso para a saúde da minha mãe”, contou.


 
 
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