14/10/2021 às 14h58min - Atualizada em 14/10/2021 às 14h58min

Preenchimento de vagas temporárias em Uberlândia esbarra na falta de capacitação

Empreendedores relatam dificuldades para conseguir efetivar contratações; Prefeitura de Uberlândia e Senac assinam convênio para oferecer 2,5 mil vagas de cursos profissionalizantes gratuitos

GABRIELE LEÃO
Estimativa é que o varejo brasileiro produza a maior oferta de trabalho temporário desde o Natal de 2013 | AGÊNCIA BRASIL
Apesar de uma expectativa de 3,8% no aumento das vendas para o Natal, lojistas de Uberlândia estão preocupados com outra questão neste fim de ano: a falta de profissionais qualificados para fazer as contratações necessárias. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a estimativa é que o varejo brasileiro produza a maior oferta de trabalho temporário desde o Natal de 2013. No entanto, a falta de capacitação dos candidatos, de acordo com empreendedores ouvidos pelo Diário, pode diminuir bastante essa projeção.
 
É o que aponta a empresária Denise Basso, que é dona de três lojas de segmentos diferentes em Uberlândia. Há cinco meses, a lojista vive em um longo processo de seleção para as vagas em aberto nas unidades. Segundo a proprietária, a falta de mão de obra qualificada está gerando dificuldades.
 
“Temos três vagas em aberto que não consigo preencher. Para a vaga, pedimos experiência e capacitação básica, como informática. Mas, pelo longo período de pandemia, percebemos que as pessoas estão desacostumadas de trabalhar presencialmente, além disso, faltam profissionais no mercado para conseguir suprir essa demanda do comércio”, comentou.
 
Em entrevista ao Diário, a empreendedora contou também que para conseguir gerenciar as lojas recentemente está trabalhando com escalas de trabalho e contratando por períodos específicos até que as vagas sejam preenchidas.
 
“Ficamos preocupados com esse tanto que vagas sendo ofertadas e a falta de profissionais no mercado. A internet facilitou a manter o contato com o cliente durante o isolamento social, mas agora a demanda mudou e é necessário que os profissionais estejam mais qualificados. Para se ter uma ideia, apenas 20% dos selecionados com perfil para o cargo aparecem para a entrevista”, contou.
 
A situação não é diferente para a empresária Tathiane Lellis, que é proprietária de uma loja de sapatos. A loja está há três meses com o processo seletivo em aberto para conseguir contratar cinco funcionários. Entre as queixas da comerciante estão a falta de capacitação dos profissionais e do comprometimento.
 
“Já perdi as contas de quantas pessoas foram selecionadas para o período de experiência e não apareceram para o primeiro dia de trabalho. É muito desgastante, pois agora que o movimento está voltando e ainda temos mais uma nova dificuldade é encontrar funcionários para o final do ano”, comentou.
 
A lojista disse ainda que para suprir as dificuldades no momento, está contratando profissionais freelancer e universitários. “Parte das profissionais que são selecionadas não têm com quem deixar os filhos, ou não querem ingressar na vaga por ser de carteira assinada. É preocupante, pois estamos voltando à normalidade e não conseguimos contratar”, explicou Lellis.
 
CAPACITAÇÃO
Um caminho para mudar este cenário e abraçar uma oportunidade no mercado de trabalho pode estar nos cursos técnicos. Com a retomada do comércio e ofertas de novas vagas, a Prefeitura e o Senac assinaram nesta quarta-feira (13) um acordo para oferecer 2,5 mil vagas para cursos profissionalizantes gratuitos.
 
Para o diretor da Escola Senac, Antônio Vasconcellos Júnior, com o retorno gradativo da economia, os empresários buscam o Senac como auxílio para retomada, mas ainda há uma grande parcela dos desempregados sem qualificação.
 
“Foi pensando nos candidatos que estão em buscas de oportunidades e dos empresários que criamos uma cartela de cursos gratuitos e rápidos para oferecer capacitação profissional. Com o aquecimento do comércio o candidato precisa estar preparado e temos percebido a dificuldade em contratar e agora estamos chegando em um momento onde o comércio é mais aquecido, por causa da Black Friday e festas de final de ano. Os cursos são uma oportunidade para quem está buscando trabalho consiga ingressar em uma das vagas”, explicou.
 
Entre os cursos ofertados pela Prefeitura estão atendente de farmácia, operador de caixa, empreendedorismo digital, recepcionista gestão financeira, e-commerce, organizador de eventos, entre outros.
 
As turmas poderão acontecer nas modalidades presencial ou à distância com aulas online horários estabelecidos. As vagas são destinadas para famílias de baixa renda com até dois salários mínimos.
 
Os cursos serão oferecidos nos Centros Profissionalizantes Campo Alegre, Lagoinha, Luizote de Freitas, Morumbi, Planalto e Tocantins. Além da Estação da Juventude, Praça da Juventude e ônibus itinerante. Na solenidade, o Senac se comprometeu a oferecer mais 3,9 mil vagas para os cursos oferecidos de janeiro a dezembro do próximo ano.
 
Segundo informações da Prefeitura, desde 2017, mais de 15 mil pessoas já realizaram cursos de capacitação nos Centros Profissionalizantes e 5 mil ingressaram no mercado de trabalho.
 
INVESTIMENTOS
O deputado estadual Arnaldo Silva Júnior (DEM) informou, durante a cerimônia de anúncio dos cursos, a indicação ao Governo de Minas do repasse de R$1 milhão para investimentos na educação municipal.
 
Segundo o deputado, a expectativa é que em novembro o convênio entre Estado e Município seja assinado para o pagamento dos recursos ainda esse ano. A verba será utilizada para compra de equipamentos de informática, mesas, cadeiras e utilidades para funcionamento das escolas.
 
PESQUISA CNC
De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), se considerado o cenário nacional, a estimativa é de que as vendas de Natal aumentem 3,8% em relação ao ano passado, com expectativa de contratação de 94,2 mil trabalhadores temporários para atender ao aumento sazonal das vendas neste fim de ano no Brasil. A expectativa é que varejo brasileiro produza a maior oferta de trabalho temporário desde o Natal de 2013. Ainda de acordo com a pesquisa da CNC, Minas Gerais deverá disponibilizar 10,67 mil vagas temporárias.
 
 
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