18/09/2021 às 15h00min - Atualizada em 18/09/2021 às 15h00min

Alta dos combustíveis impacta motoristas de aplicativos e gera cancelamentos de corridas em Uberlândia

Profissionais relatam péssimas condições de trabalho devido falta de reajuste de empresas e alta nos custos; passageiros também passam por transtornos

GABRIELE LEÃO
Passageiros perceberam um aumento de 50% no valor das corridas | DIVULGAÇÃO
Passageiros que utilizam o transporte por aplicativos de motoristas particulares estão cada vez mais insatisfeitos com o serviço e entre os motivos estão a demora e o preço das corridas. Em Uberlândia, com o preço médio do combustível chegando a R$ 6,49 por litro, motoristas do município reclamam das condições de trabalho.

Gislane da Fonseca Silva é autônoma e, para ir ao mercado, visitas ao médico e fazer os serviços como faxineira, ela utiliza os aplicativos de corridas particulares. O que antes era facilidade e custo-benefício, hoje, se tornou uma despesa extra.

“Nos últimos meses percebi um aumento de 50% do valor que costumava pagar. Além disso, preciso sair até 30 minutos com antecedência, pois tenho sofrido muito com os cancelamentos. Os motoristas estão escolhendo quais corridas pegar e isso tem gerado desgaste no passageiro, pois a intenção dos aplicativos é tornar o deslocamento menos estressante e mais confortável, mas com esse aumento não é o que de fato acontece”, comentou Gislane.

Rodrigo Passos começou a trabalhar como motorista de aplicativo em setembro de 2016. Na época, Rodrigo largou o trabalho como caminhoneiro e investiu na carreira autônoma. No início, a facilidade de trabalhar no município e ficar próximo da família era uma vantagem. Mas, com o recorrente aumento dos preços dos combustíveis e dificuldades de apoio das empresas que oferecem o serviço, Rodrigo tem pensado em outras alternativas.

“Nossa categoria está passando fome e as condições de trabalho estão cada vez piores. Isso porque as empresas que oferecem o serviço não fazem um repasse justo dos valores das corridas, o que acaba saindo mais caro para o passageiro também, pois os motoristas estão escolhendo as corridas. Estamos pagando para trabalhar e as condições estão desumanas. Por exemplo, trabalhamos mais de 14h por dia e no final do mês não conseguimos tirar mais que R$ 1,2 mil, isso se não houver nenhum tipo de imprevistos com o veículo”, comentou o motorista.

O motorista confirmou que cancela de propósito as corridas de curta distância. O argumento é de que o custo com combustível não compensa o trabalho. Além disso, o valor pago pelas empresas, que deveria aumentar para acompanhar a inflação, só diminuiu, segundo o motorista.

Buscando uma nova oportunidade no mercado de trabalho, Passos contou que começou a fazer cursos e distribuir currículos. “O mercado ainda não está aquecido para abraçar os motoristas que estão saindo da plataforma. Já conversei com diversos parceiros que precisaram entregar o carro para os bancos e locatários. Estamos vivendo uma situação realmente crítica e quem paga por isso é o passageiro”.

Rodrigo contou ainda ao Diário que chegou a solicitar melhorias na plataforma e em Uberlândia se reúne com outros profissionais e entidades públicas para pedir reajustes e regulamentação da profissão.

Wellington Souza Silva trabalhou como motorista de aplicativo durante quatro anos para ajudar no sustento da família de cinco pessoas após não receber uma oportunidade para se recolocar no mercado.

Precisando trabalhar, optou por usar o carro para corridas particulares, mas, após anos de serviço, a insatisfação com a empresa e situações da jornada de trabalho também impediram que ele continuasse. Desde fevereiro ele optou por voltar para o mercado de trabalho como consultor comercial.

“Além de nos oferecerem poucas oportunidades de trabalho, o motorista de aplicativo vive um cenário de muita vulnerabilidade, pois está suscetível a assaltos e sem nenhum tipo de amparo das empresas. Por conta própria, os motoristas criaram um sistema de segurança para acompanhar as viagens e assim alertar os outros colegas caso esteja em perigo”, comentou.

Ele ainda explicou que outro fator que tem desmotivado a categoria é não haver transparência no valor que é repassado nas corridas. “Estamos sendo desvalorizados e realmente pagando para trabalhar, o aplicativo paga cerca de R$0,79 para cada km rodado”, comentou.
 
 
 
 

 
 
 
 

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