17/08/2021 às 17h53min - Atualizada em 17/08/2021 às 17h53min

Operação Diamante de Vidro resulta em 13 prisões, incluindo de um policial militar em Uberlândia

Principal investigado, que segue foragido, atua como financiador do crime na cidade; ação foi realizada na madrugada desta terça-feira (17)

LORENA BARBOSA
Força-tarefa contou com três promotores de justiça mineiros e 200 policiais | Foto: PCMG/Divulgação

As polícias Militar e Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) deflagraram, na madrugada desta terça-feira (17), a operação Diamante de Vidro com o foco de descapitalizar uma organização criminosa, em Uberlândia. A ação resultou em 10 prisões preventivas e três em flagrante, incluindo a de um policial militar que atuava como suporte da organização. Na manhã desta terça, os responsáveis pela operação concederam uma coletiva de imprensa para repassar mais detalhes sobre as investigações. 

 

O trabalho começou a partir de prisões feitas em junho de 2020, depois de uma investigação que resultou em 21 inquéritos. A Polícia Civil e o Grupo Especial de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) fizeram três prisões em Uberlândia, além de identificarem um homem que administrava o grupo criminoso. “Com essas prisões, a polícia descobriu o núcleo da facção criminosa que atuava com diversos crimes violentos, como tráfico de drogas, corrupção, homicídios, extorsões, roubos, receptação e estelionatos e lavagem de dinheiro'', explicou o promotor Thiago Ferraz.

 

Há mais de 5 anos, o homem trabalhava como banqueiro dos criminosos e é suspeito de ter envolvimentos com casos de estelionato, receptação, roubo, extorsão e explosões de caixa eletrônicos. “Para cometer um crime, o criminoso precisa de dinheiro para iniciar a sua empreitada. Ele precisa de dinheiro para roubar, precisa se manter em hotel, quando uma pessoa busca droga na fronteira, é preciso de dinheiro para o frete. Ele (o suspeito) atuava em todos os ramos da criminalidade”, explicou o delegado da Polícia Civil, Daniel Azevedo.

 

O principal investigado da operação chegou a ser preso em outra ocasião, mas foi solto por questões técnicas. O delegado Daniel Azevedo destacou o luxo em que o homem vivia. Na ocasião da prisão dele, ele estava em uma casa de R$ 2 milhões, com veículos avaliados em mais de R$ 600 mil. 

 

Um dos mandados cumpridos nesta terça-feira foi em um apartamento de luxo que pertence a esse homem na região de Barra Funda em São Paulo. Existe ainda mandado de busca e apreensão em aberto para ele e para a esposa, que estão foragidos. Conforme dito pelas autoridades, ele é de Uberlândia e estava tentando mudar o ramo de atuação para atividades lícitas em São Paulo, onde não é conhecido pela polícia. 

 

Ainda de acordo com a força-tarefa, a autorização para divulgar o nome do suspeito será pedida à justiça para ajudar que ele seja localizado. O nome dele também vai ser lançado na lista de procurados da Interpol devido ao alto poder aquisitivo que pode ajudar em uma fuga para outro país. O intuito da investigação é que ele seja autuado também pelas receitas Estadual e Federal pela não declaração dos bens de luxo.

 

O intuito da operação não é efetivamente prisões, mas sim a apreensão de capital das facções criminosas. Além das 10 prisões preventivas e três em flagrante, foram apreendidas duas lanchas e 20 veículos de luxo, uma arma de fogo e mais de R$120 mil em dinheiro. Durante o cumprimento dos mandados, um dos presos tentou resistir à prisão, mas foi contido. Foi preso também na operação um policial militar que atuaria como um suporte da organização.

 

A OPERAÇÃO 

A operação foi denominada Diamante de Vidro em referência à origem das investigações, que decorreu da prisão de indivíduos suspeitos de estarem negociando diamantes em Uberlândia, mas que no decorrer das apurações foi verificado que o material era vidro.

 

Ao todo foram expedidos 46 mandados de busca e apreensão e 28 mandados de prisão preventiva. Além de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 13 milhões. Mandados judiciais estão sendo cumpridos também nos municípios mineiros de Araguari, Tupaciguara, Paracatu, Córrego Dantas, Jaíba e em São Paulo. 

 

A operação realizada nesta terça-feira contou com a participação de três promotores de justiça mineiros, 100 policiais civis e 100 policiais militares de Minas Gerais, assim como da unidade regional do GAECO de Paracatu e o apoio da Polícia Civil de São Paulo. Foram utilizadas na operação duas aeronaves, uma da Polícia Civil e outra da Polícia Militar de Minas Gerais.


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