23/07/2021 às 11h55min - Atualizada em 23/07/2021 às 11h55min

Pesquisadores do Hospital do Câncer descobrem proteína que influencia agressividade do câncer de mama

Descoberta é importante para definir tratamento individualizado e mais efetivo do tumor, podendo reduzir a mortalidade

LORENA BARBOSA
Descoberta foi feita pelo Núcleo de Projetos, Prevenção e Pesquisa em Câncer (NUPPPEC), do Hospital do Câncer em Uberlândia | Foto: Arquivo Diário
O Núcleo de Projetos, Prevenção e Pesquisa em Câncer (NUPPPEC), do Hospital do Câncer em Uberlândia, tem trabalhado em um estudo em mulheres acometidas pelo câncer de mama triplo-negativo, uma das formas mais graves da doença. Através das pesquisas, o Núcleo descobriu a presença da proteína EGFR solúvel no sangue de pacientes com o tumor. Trata-se de um importante passo para a individualização do tratamento e consequente redução da mortalidade.

O câncer de mama triplo-negativo é responsável por cerca de 15% dos casos e é mais comum em mulheres com menos de 40 anos. Ele é considerado mais agressivo por crescer e se espalhar mais rápido e por ter opções mais limitadas de tratamento. O médico cancerologista Rogério Araújo, coordenador do NUPPPEC, destaca que esse tumor ainda é um mistério para os oncologistas.

“A gente faz, às vezes, uma bomba de quimioterapia para o paciente extremamente agressiva, que talvez ela não precise. Então, agora, já que a gente detectou uma proteína que mostra que aquele tumor é ruim, a gente vai tratar de uma maneira diferente”, explicou o médico e pesquisador.

A EGFR é produzida naturalmente pelo corpo. Em geral, ela é benéfica e importante para o intestino, coração e pulmão. No entanto, em pacientes diagnosticados com o câncer de mama, ao invés de trabalhar para o bem, essa proteína faz com que o tumor cresça.

O estudo foi publicado na última edição do maior congresso oncológico do mundo, organizado pela ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), que aconteceu no final do mês de junho. Esse foi apenas o primeiro passo dos pesquisadores, o próximo é encontrar uma droga que possa inibir os efeitos da EGFR.

“Pesquisa demora, essa proteína a gente tá estudando há quatro anos. A gente vai enviar para a Comissão de Ética e Pesquisa, e no ano que vem a gente vai estar selecionando pacientes com câncer de mama triplo negativo para começar os testes, que podem levar até cinco anos”, finalizou o médico.


 

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