11/07/2021 às 09h00min - Atualizada em 11/07/2021 às 09h00min

Falta de prevenção e de diagnóstico precoce prejudica combate ao câncer

Muitas vezes, autoexames e exames periódicos são negligenciados, gerando descoberta tardia da doença

LORENA SILVA
Rosangela Moreira acredita que se tivesse descoberto o câncer de mama antes, o tratamento teria sido menos agressivo I Foto: Arquivo pessoal
Quando o assunto é câncer, a maioria das pessoas já conhece a máxima de que quanto mais cedo tiver o diagnóstico, maiores são as chances de cura. Mas ainda assim os autoexames, a prevenção e os exames periódicos acabam sendo negligenciados.

A comerciante Rosangela Moreira de Meireles, de 44 anos, sentiu na pele a importância do diagnóstico precoce. Ela percebeu um pequeno ferimento na mama, mas só depois de muita insistência e de consultar quatro médicos, descobriu que se tratava de um tumor maligno. Com medo da covid-19, ela pediu para esperar a pandemia passar para fazer a cirurgia, mas foi convencida do contrário, já que esperar poderia piorar a situação.

“Foram 13 tumores na axila e cinco na mama. Quando eu apalpava, estava sentindo o menor deles, eles já estavam bem grandes. O médico disse que se eu esperasse para fazer a cirurgia ele (o câncer) poderia espalhar pelo corpo todo”, disse a comerciante.

Um estudo apresentado no maior congresso sobre câncer do mundo, o ASCO Annual Meeting 2021, aponta que o diagnóstico tardio pode ser fatal para pacientes oncológicos. Os pesquisadores identificaram que quase metade dos pacientes com câncer no Brasil, 45%, faziam uso de quimioterapia no último mês de vida.

O estudo ainda precisa passar por revisão, mas, de acordo com os responsáveis pela pesquisa, o uso do tratamento com a doença já muito avançada pode aumentar ainda mais a debilidade e prejudicar a dignidade. Afirmam ainda que as taxas de quimioterapia no fim da vida variam em todo o mundo, mas são altas no Brasil, e que a quimioterapia deve ser pensada de forma individualizada para não trazer mais mal do que bem.

Mas, de acordo com o médico oncologista Rogério Agenor de Araújo, mais importante do que tratar o câncer, é evitá-lo. A chamada prevenção primária. Caso a pessoa não siga essa orientação, é necessário que ela pelo menos faça a prevenção secundária, que é o checkup que deve ser feito pelo menos uma vez por ano. “É o diagnóstico precoce. Que é a importância de fazer mamografia, papanicolau e principalmente o exame de toque retal nos homens para prevenir o câncer de próstata”, disse o especialista.

O médico lembra que esses exames são oferecidos gratuitamente pela rede pública, mas ainda assim não são procurados pela população. "Sempre tá sobrando vaga de mamografia. Então não sei se o acesso está realmente comprometido ou se a pessoa desleixa. Principalmente nessa época de pandemia, que a pessoa tá preocupada com outras coisas, aí enfia os pés pelas mãos e não faz aquela mamografia que tá ali disponível", afirmou o oncologista.

A comerciante Rosangela Moreira acredita que se tivesse descoberto a doença antes, o tratamento seria menos agressivo. Ela passou por cirurgia e ainda faz sessões diárias de radioterapia. “Graças a Deus conseguiu tirar tudo. O tempo é primordial, você estar se observando é ideal, se apalpar. O toque foi o fator principal pra mim. Cria-se muito o mito do câncer. Quando a pessoa cria coragem para procurar o médico, já está em estado muito avançado”, disse.

ATENÇÃO PRIMÁRIA
Quando se trata de atenção primária, que nada mais é do que a prevenção do câncer, o oncologista afirma que é o caminho ideal, já que a doença é resultado de um acúmulo de fatores durante a vida do paciente. “Não é fumar hoje e aparecer o câncer amanhã. Não é pegar sol hoje e o câncer aparecer amanhã. São 20, 30 anos de exposição”, afirmou Rogério Agenor.

O médico indica seis cuidados importantes que as pessoas precisam tomar e que podem reduzir em até 70% as chances de desenvolver um câncer. Quanto mais cedo as mudanças e cuidados forem adotados, menor vai ser a possibilidade de a doença aparecer.
 
- Evitar exposição ao sol entre 10h e 16h
De acordo com o especialista, o câncer mais comum no Brasil hoje é o de pele, que pode ser evitado tomando o sol nas horas corretas. Além disso, a proteção no dia a dia é essencial, assim como o uso do protetor solar. Se for necessária a exposição ao sol entre 10h e 16h, o ideal é usar a proteção de roupa, como chapéu e blusas de manga.
 
- Não fumar
O cigarro ocasiona cerca de 30% de todos os tumores. O tumor induzido pelo tabaco pode aparecer em qualquer parte do corpo.
 
- Manter uma alimentação saudável
Ainda de acordo com o médico oncologista, 50% da população brasileira estão obesos ou com sobrepeso e essa obesidade está relacionada a 16 tipos de tumores, incluindo o câncer de mama, próstata, intestino e fígado. O excesso de peso é tão prejudicial quanto o cigarro.
 
- Fazer atividade Física
O ideal é fazer 150 minutos de exercícios físicos por semana. Qualquer atividade, o importante é se movimentar. Além de controlar o peso, ajuda na diminuição do colesterol. Faz bem para o coração e reduz as chances de câncer.
 
- Beber com moderação
O excesso de bebida alcoólica está ligado ao câncer de faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado e intestino.
 
- Barreiras de proteção de vírus
17% dos tumores do mundo são induzidos por vírus. No Brasil, é o terceiro tumor mais frequente nas mulheres. O HPV é um vírus sexualmente transmissível. Ele está extremamente ligado aos cânceres de colo do útero, canal anal e pênis. Além da vacina contra o HPV, é extremamente importante o uso do preservativo nas relações sexuais.


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