07/07/2021 às 13h05min - Atualizada em 07/07/2021 às 14h50min

Coronavírus responde por quase metade das mortes em Uberlândia no primeiro semestre

Entre janeiro e junho de 2021, foram 3.869 óbitos na cidade, sendo que 47,8% destes foram causados pela covid-19

SÍLVIO AZEVEDO, com informações da Agência Brasil
Covid reduziu expectativa de vida do brasileiro I Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Dados levantados pelo Portal da Transparência do Registro Civil, mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (ArpenBrasil), mostraram que quase metade das mortes registradas em Uberlândia no primeiro semestre foram causadas pela Covid-19.
 
Segundo dados da entidade, entre janeiro e junho de 2021, foram 3.869 óbitos em Uberlândia, sendo que 1.850, 47,8%, foram causados pela Covid-19. Se compararmos com o mesmo período de 2020, início da pandemia, 95 pessoas perderam a vida por causa da doença. As mortes associadas ao agravamento da Covid, como a síndrome respiratória aguda grave (SRAG), não são contabilizadas.
 
O mês com maior número de óbitos registrados em cartório foi março, com 780 mortes, 234,7% a mais que o mês anterior. Janeiro teve o menor número, 73. Após um mês com quase de 800 vítimas, abril registrou uma queda de 51,6%, com 377 mortes. Maio registrou 232 e junho, 189 de registros.
 
O dia com mais óbitos causados por Covid-19 do semestre registrados em cartório foi 8 de março, com 55 mortes.
 
O Portal não traz dados específicos de Uberlândia sobre sexo e faixa etária, mas em Minas Gerais, nesse primeiro semestre de 2021, das 35.310 vítimas da Covid-19, morreram mais idosos com idades entre 60 e 69 anos, sendo 4.578 homens e 3.866 mulheres.
 
Após o óbito, a família tem até 24h o falecimento em Cartório que, por sua vez, tem até cinco dias para efetuar o registro, e depois até oito dias para enviar o ato feito à Central Nacional de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), que atualiza a plataforma.
 
EXPECTATIVA DE VIDA
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com as americanas Harvard e Princeton, apontou diminuição na expectativa de vida do brasileiro ao nascer em cerca de dois anos por causa do número de idosos vítimas da Covid-19. As informações foram publicadas na plataforma MedRxiv com dados de 2020, porém a expectativa é de que em 2021 o índice será pior.
 
De acordo com o estudo, os nascidos em 2020 viverão, em média, 1,94 ano a menos do que se esperaria, de volta aos patamares de 2013. É a primeira queda desde a década de 1940. De acordo com o IBGE, uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em média, até os 76,6 anos de idade. Para os homens eram 73,1 anos de idade e para as mulheres 80,1 anos de idade.
 
Na faixa etária dos 65 anos de idade, o levantamento indica redução da expectativa de vida no ano passado foi de 1,58 ano, o que coloca o Brasil de volta aos níveis de 2009.
 
O professor e pesquisador Cássio Turra, do Departamento de Demografia da UFMG explica que esse efeito na expectativa de vida traduz, de forma simples, o impacto do excesso de óbitos. Para os nascidos em 2021, o cálculo já indica uma redução de 1,78 anos na expectativa de vida em relação a 2019. Para ele, essa flutuação tende a ser temporária e é possível que o nível seja recuperado no próximo ano.
 
“Eu sou um otimista cauteloso com relação a 2022, imaginando o seguinte: se a vacinação em 2021 avançar para patamares que permitam a redução da mortalidade de forma significativa, certamente a expectativa deve voltar aos níveis de 2019 ou para o que estava projetado para 2022. No médio prazo, depende de quais as marcas diretas e indiretas que a doença vai deixar nas pessoas, como de outras doenças que deixaram de ser acompanhadas nesse período”, disse.
 
Ainda segundo Cassio Turra, é preciso analisar também a seletividade da mortalidade, já que no excesso de óbito está contida também a perda da população que inicialmente já poderia ser mais suscetível à morte.
 
“Isso pode ter um efeito no médio prazo. Acho que os ganhos anuais vão voltar, mas num ritmo menor. No longo prazo, os efeitos seculares predominam. A gente vai ter um ritmo de aumento na expectativa de vida, quanto mais profundas forem as mudanças estruturais que já estão acontecendo no Brasil, como o aumento da escolaridade e a melhoria da saúde preventiva. Se olharmos um pouco além da nossa conjuntura atual, são movimentos que vem favorecendo a nossa expectativa de vida”, explicou.




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