01/07/2021 às 14h30min - Atualizada em 01/07/2021 às 14h30min

Conta de energia fica mais cara a partir desta quinta-feira (1º)

Com os baixos níveis dos reservatórios de água, a geração de energia do país fica comprometida, motivando o aumento dos valores

NILSON BRAZ
Casal Vanderluce Rosa e Marcos Teixeira Rosa tenta economizar energia para sentir menos o impacto dos aumentos I Foto: Arquivo pessoal
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou na última terça-feira (29), a resolução que estabelece valores adicionais nas bandeiras tarifárias. A mudança começa a valer a partir desta quinta-feira (1°). A bandeira tarifária já estava no valor do patamar 2 desde o início de junho. Com a mudança, o valor, que era de R$ 6,243 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, vai passar a ser de R$ 9,492.

De acordo com a ANEEL, a alteração da tarifa foi necessária para contemplar os custos de geração de energia elétrica. Isso porque grande parte do sistema de geração de energia no Brasil é composto por usinas hidrelétricas. Com os baixos níveis dos reservatórios de água, a geração de energia do país fica comprometida. Segundo informações do Operador Nacional do Sistema (ONS), essa pode ser a maior crise hídrica dos últimos 90 anos no país.

Com o sistema hidrelétrico comprometido, a alternativa para garantir o fornecimento de energia para a população é encontrar outras fontes de energia, como as termelétricas. Fontes, estas, que acabam sendo mais caras. Esse foi o motivo da criação do sistema de bandeiras tarifárias e, agora, desse último reajuste no valor das tarifas que foi anunciado.

REFLEXOS DOS AUMENTOS
Na casa da artista plástica Vanderluce Maria de Oliveira Rosa e do aposentado Marcos Teixeira Rosa, os aumentos já vinham sendo sentidos. O casal conta que, para o impacto dos aumentos não serem tão grandes, eles têm economizado energia como podem, desligando os aparelhos da tomada sempre que possível e evitando de usar outros, como panelas elétricas e aspirador de pós, por exemplo.

“A tecnologia trouxe muita facilidade pra gente, mas como que usa com a energia tão cara? Até tomar banho frio a gente tava tomando para economizar. Mas como que toma banho gelado nesse frio que está fazendo agora?”, questionou a artista.

Ela conta que anos atrás era ainda pior, porque tinham os filhos em casa. Hoje, moram apenas ela e o marido. O consumo médio do casal é de 90 kWh. Com a nova tarifa, a conta do próximo mês já vai ficar R$ 8,54 mais cara, mesmo economizando no consumo de energia. “Eu deixei de ligar o som, que eu gostava de ouvir uma música, agora só no celular. Ferro? Eu só passo roupa uma vez no mês, agora”, afirmou.

Ainda segundo a ANEEL, uma nova consulta pública será aberta nos próximos dias para avaliação do novo valor da bandeira tarifária.

IMPACTOS ECONÔMICOS
Por mais que a conta de energia residencial mais cara impacte no orçamento das famílias, esse ajuste da tarifa tem reflexos em toda a economia. De acordo com o economista Benito Salomão, o crescimento do país acaba sendo mais acelerado do que a capacidade de produção de energia. Com isso, o sistema está ficando defasado, provocando crises hídricas e de abastecimento de energia elétrica com frequência.

“Nós tivemos um racionamento de energia em 2001, outro entre 2014 e 2015, e agora nós temos, de novo, em 2021. Então, 20 anos se passaram e o Brasil continua tendo problemas com energia por causa de chuvas. Repare que depois de 20 anos o problema não é mais hídrico ou elétrico, é moral, porque as políticas públicas adotadas nesse período não resolveram o problema”, afirmou o economista.

Benito comenta que o maior impacto desses aumentos de tarifas e até mesmo na necessidade de colocar as bandeiras tarifárias em vigência acaba sendo dos setores econômicos específicos, como a indústria. Um aumento no valor pago pela energia gasta na indústria causa aumento em toda a cadeia, chegando até o consumidor final em aumentos nos produtos e serviços também, e não apenas na conta de energia residencial.

“A indústria demanda muita energia. Então, muitos desses setores acabam tendo a geração própria, mas é pouco. O que o governo deveria fazer é incentivar ainda mais esse modelo de geração própria de energia. Usar os bancos públicos para financiar esse tipo de alternativa, porque esse é o futuro da energia no Brasil. Não dá pra ficar contando com hidrelétricas para sempre”, finalizou Benito.

CEMIG
Aproximadamente 70% do armazenamento de água do Sistema Interligado Nacional (SIN) está localizado na região Sudeste. De acordo com informações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), muitos desses reservatórios apresentam baixos níveis de armazenamento por causa dos baixos volumes de chuva, que acabaram não sendo necessários para recuperar os reservatórios a níveis satisfatórios. Dos reservatórios operados pela companhia, o reservatório de Nova Ponte está com apenas 15% de volume útil, e o de Emborcação com 18,4%.

Por meio de nota, a Cemig informou que a preocupação, neste primeiro momento, é a análise do uso da água, desde o abastecimento humano, irrigação até a navegação e outros exemplos. "Temos diversos usos da água que também dependem desses reservatórios. Vamos ter que articular esses usos para atravessar esses meses [de seca] em que teremos vazões muito baixas dos rios e armazenamentos muito baixos nos reservatórios", explicou Ivan Sérgio Carneiro, gerente de Planejamento Energético da Cemig.

O representante da companhia esclareceu ainda que em relação ao suprimento energético, o abastecimento vem de um sistema que é interligado, o SIN. Desta forma, o abastecimento energético não é uma questão regional, mas de gestão nacional. Sendo assim, em casos de déficit de capacidade de geração em determinada região, a energia necessária para o suprimento vem de outras regiões.


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