24/06/2021 às 08h30min - Atualizada em 24/06/2021 às 08h30min

Negócios nas redes sociais viram oportunidade e crescem com pandemia

Moradores de Uberlândia mudam rumos profissionais e esperam manter vendas

LORENA BARBOSA
De acordo com Larissa Cristina, o negócio, que foi aberto por ela no ano passado, já se mantém sozinho I Foto: Arquivo pessoal
Com o isolamento social e a crise econômica gerada pela pandemia do coronavírus, as pessoas precisaram pensar em outras formas de gerar ou complementar a renda. À medida que empresas não conseguiram se manter no mercado e fecharam as portas, empreendedores surgiram da necessidade e viram nas redes sociais oportunidades de sustento.

A pesquisa do Centro Regional de Estudos do Brasil mostrou que 78% das empresas brasileiras estão em pelo menos uma mídia social. Com as empresas procurando espaço no mundo digital, as redes sociais vêm como ajuda necessária no atendimento e negociação de vendas. Hoje, o Instagram tem mais de 95 milhões de usuários no Brasil e é parte essencial na vida de quem se aventurou a ter o próprio negócio.

A pesquisa CX Trends 2021, que reúne dados sobre a experiência do cliente no Brasil, apontou que desde 2019, houve aumento de 38% no número de empreendedores que fazem atendimentos e vendas também pelo Whatsapp. Outro estudo feito pela consultoria Kantar, que analisa o comportamento de consumo dos brasileiros, mostrou que o Facebook, Instagram e Whatsapp cresceram em média mais de 40% desde o início da pandemia.

Se os dados mostram esse crescimento, na prática não é diferente. Sem capital de giro, ou investimento, foi nas redes sociais que os pequenos empreendedores se apoiaram. É o caso da Pamela Diniz, de 28 anos, que é de Macapá, no estado do Amapá, e veio para Uberlândia no começo de 2019 em busca de oportunidades de trabalho. Durante a crise do novo coronavírus, o empreendedorismo surgiu da necessidade. Ela monta caixas com personalizados, uma versão moderna da conhecida cesta de café da manhã.


“Eu trabalhei um pouco na minha área do marketing, depois eu fiquei pegando freelancer. Eu já tinha essa ideia e com a falta de emprego fixo que veio com a pandemia eu resolvi colocar ela em prática”, disse Pamela.

A Viva Box Gourmet foi criada no Dia das Mães deste ano e Pamela não parou mais de vender e investir no projeto. A alta nas vendas é sempre em datas comemorativas. Para manter o fluxo, ela está sempre pensando em como chamar a atenção. Com as festas juninas suspensas por causa da covid-19, a empreendedora pensou na caixa junina. As comidas típicas entregues em casa. Tudo sempre postado e divulgado no Instagram.

CASAL EMPREENDEDOR
Foi também no período de crise que a TPMimos foi criada. Um trabalho feito a quatro mãos pelo casal Lara Carolina Ferreira de Sousa e Gustavo Henrique de Oliveira, de 22 e 19 anos. Lara conta que trabalhava em um shopping e quando as lojas precisaram fechar. Ela foi mandada para casa com uma redução de salário. A ideia da TPMimos surgiu em um dia de TPM (tensão pré-menstrual), como o próprio nome sugere. Ela estava em casa em um dia frio e chuvoso e sentiu a vontade de comer um chocolate, mas queria também a comodidade de um serviço que fosse entregue na casa dela e com preço acessível. Foi quando acendeu a luz do empreendedorismo no casal.

“Nem nas plataformas de comida online tem tanta empresa voltada para as guloseimas mesmo. A gente criou então três modelos de caixas e nelas vêm balinhas, salgadinhos, refrigerantes, chocolates e doces”, disse a estudante.

A empresa, que foi pensada a partir de uma carência na TPM, hoje atende a todo mundo que quer presentear alguém. A maior parte das vendas é feita pelo Instagram porque por lá as pessoas podem conhecer o trabalho e de lá mesmo o cliente pode ser encaminhado para o site ou para o whatsapp para concluir a negociação.

Lara investe muito em colaborações com outras empresas, como incluir um acessório de uma loja parceira em alguma caixinha. “Isso chama tanto o nosso público para conhecer outras páginas parceiras, quanto o público dessas parcerias a conhecerem nosso Instagram, nosso trabalho”, explicou.

A ideia do casal é expandir os negócios e no futuro ter uma loja física para atender, principalmente, o mercado feminino. No momento, Lara e Gustavo são estagiários, ela em Estética e Cosméticos, e ele em marketing. A empresa vem como um complemento da renda. “Tem os seus altos e baixos, mas a gente mantém um fluxo de caixa relativamente bom”, concluiu.

MOTIVAÇÃO
Larissa Cristina, de 27 anos, sempre quis abrir um negócio próprio, mas não sabia qual. A jovem, formada em Direito, está cursando Administração, o que ajudou bastante na criação do novo negócio. O último empurrão que faltava veio de um momento de dor, a perda do pai para a covid-19. “O meu pai acabou falecendo de covid e aí eu fiquei meio desnorteada, me perguntando o que fazer”, disse.

Foi na comemoração dos mesversário da sobrinha recém-nascida que ela encontrou a resposta. Os docinhos que ela preparava começaram a chamar atenção da família. Deles, nasceu o Atelie Labeli. “Eu tenho, no total, 19 sabores de docinho, cada um numa massa diferente. Eu sou do Pará e muita coisa eu aprendi lá. Os docinhos de cupuaçu, que é uma fruta de lá. Aí o resto eu vou pegando a receita e dando o meu toque”, contou.

Hoje, a renda vem toda do ateliê e exige dedicação total de Larissa. O principal canal de vendas dela também é a rede social. “Eu já fiz investimento no Instagram, já paguei para algumas pessoas divulgarem. Hoje em dia o marketing é digital. Eu tenho mil e poucos seguidores já, consegui bem rápido. O pessoal vai conhecendo, vai marcando. É aquilo, vai chegando tudo pelo Instagram”, explicou.

Segundo Larissa, o início é sempre difícil, ela ainda não tem um lucro expressivo, mas o negócio, que foi aberto neste ano, já se mantém sozinho e ela não se arrepende da decisão. “Eu tenho estudo, tenho duas faculdades, sou formada em inglês e queriam pagar um salário bem baixo. Eu falo que é melhor tu empreender em algo do que tu ficar atrás de emprego, porque não vão pagar o que tu tem que receber”, aconselhou a doceira.


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