10/06/2021 às 14h50min - Atualizada em 10/06/2021 às 14h50min

Sindicato dos Professores Municipais pretende questionar retorno às aulas

Prefeitura de Uberlândia anunciou retomada de atividades escolares para próxima segunda-feira (14)

NILSON BRAZ
Comunidade escolar do ensino municipal de Uberlândia é composta por aproximadamente 69 mil estudantes I Foto: Secom/PMU
A Prefeitura de Uberlândia anunciou, na última quarta-feira (9), a definição pelo retorno às aulas presenciais na cidade, programado para a próxima segunda-feira (14). Mas, de acordo com o Sindicato dos Professores Municipais de Uberlândia, essa decisão do município ainda será questionada, uma vez que o movimento não concorda com a retomada das atividades, mesmo que em sistema híbrido.
 
O presidente do sindicato, Edenilson Pereira da Silva, disse que o órgão ainda não foi informado oficialmente sobre o retorno, mas que uma reunião está agendada para o fim da tarde desta quinta-feira (10) com alguns diretores de escolas, para saber como foi o comunicado feito pela Prefeitura. Edenilson afirma ainda que sem o anúncio oficial do município ao sindicato, não é possível judicializar qualquer decisão, mas que ainda assim pretende tomar medidas para questionar o retorno às aulas.
 
“Nós vamos abrir um protocolo na Promotoria Pública Federal para resguardar o servidor público com relação aos 22 dias que o organismo leva para ter uma resposta à primeira dose da vacina. Porque vacinou, há poucos dias, parte dos profissionais do ensino infantil, e já chama para esse trabalho presencial”, afirmou o presidente do sindicato.
 
Na manhã desta quinta-feira (10), a secretária de Educação Tânia Toledo e o assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde, Clauber Lourenço, concederam uma entrevista coletiva para falar sobre como será esse retorno. Questionada sobre uma possível resistência dos servidores em retomar as atividades, a secretária disse que está contando com estes servidores e que o início da vacinação dos profissionais do ensino infantil vai trazer mais segurança para essa retomada das atividades presenciais.
 
“Nós sabemos das dificuldades, das resistências para um retorno presencial, mas eu creio que, assim como os trabalhadores de todos os setores que continuam atuando, sem esquecer os profissionais da saúde, que mesmo sem vacina não disseram que não iriam trabalhar, a educação não está em outro lugar”, afirmou Tânia.
 
Clauber Lourenço complementou a fala da secretária afirmando que o ideal seria a vacinação de toda a população, mas que o retorno das aulas é possível por causa da existência de meios que evitam o contágio da doença, como o uso de máscara e a higienização das mãos e dos ambientes. Ele aponta ainda que o grupo de servidores da educação que já receberam o imunizante pode ser ainda maior, já que muitos pertencerem a outros grupos prioritários.
 
“É fundamental que o grupo escolar seja vacinado, sem dúvida nenhuma, e aqueles com comorbidades [que também são servidores da educação] com certeza estão mais adiantados ainda, porque é um grupo que estamos vacinando há duas semanas. Está quase finalizando, nós já vacinamos quase 70% deste grupo”, afirmou o assessor técnico.
 
POPULAÇÃO IDOSA
Os representantes da saúde e da educação afirmaram ainda, durante a coletiva, que existia a preocupação de que as crianças que estivessem indo para as escolas poderiam ter contato com idosos ao retornarem para casa, uma vez que geralmente são os avós que cuidam dos netos enquanto os pais estão trabalhando. Mas, com o adiantamento da imunização da população idosa, a decisão de retomar as atividades presenciais foi considerada ainda mais possível.
 
“Com essa população vacinada, o índice de internação dos maiores de 60 anos caiu significativamente. As mortes [das pessoas desta faixa etária] que acompanhamos são de pessoas que, infelizmente, estão internadas há quatro, cinco meses. Então a gente percebe que essa população de avós, de pessoas que cuidam das crianças estão protegidas”, afirmou Clauber Lourenço.
 
COMUNIDADE ESCOLAR
A comunidade escolar do ensino municipal de Uberlândia é composta por aproximadamente 69 mil estudantes e nove mil servidores, sendo que deste público, mais de três mil são do ensino infantil. Com relação a outras esferas da educação, os representantes das secretarias de Educação e Saúde informaram que são aproximadamente mais 25 mil professores e que, conforme for estabelecido, por meio de nota técnica do Ministério da Saúde, e haja disponibilidade de doses por parte do Governo Federal, será feita a vacinação de todos os profissionais da educação, independente de qual esfera de atuação.
 
AULAS UFU
Com a decisão do município de retomar as aulas em regime presencial, todas as instituições de ensino também poderão voltar às atividades, desde que obedeçam a todos os critérios de segurança estabelecidos pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da cidade. Sendo assim, escolas e universidades públicas e privadas poderão restabelecer o ensino presencial.
 
Porém, a Universidade Federal de Uberlândia se pronunciou sobre a decisão do município, afirmando que as atividades da instituição ainda não serão retomadas de forma presencial.
 
"A evolução da pandemia da Covid-19 tem sido acompanhada diariamente pelo nosso Comitê de Monitoramento. Nesse momento, as condições não são favoráveis, até mesmo porque não há como deixarmos de considerar os fatos de que nossa comunidade acadêmica é de aproximadamente 30 mil pessoas e temos estudantes de graduação oriundos de mais de 1.000 cidades espalhadas pelo Brasil e por outros países. A princípio, aguarda-se a vacinação de todos os profissionais ligados à educação superior, algo ainda sem data prevista", afirmou, em nota, o reitor da UFU, professor Valder Steffen Jr.
 
ESCOLAS PARTICULARES
A reportagem do Diário de Uberlândia também conversou com a representante do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Triângulo Mineiro (Sinepe-TM) sobre um possível retorno das instituições privadas da cidade.

A presidente do Sinepe-TM, Átila Rodrigues, disse que o setor aguardava com muita expectativa uma decisão positiva para o retorno das atividades presenciais. Segundo Átila, as escolas particulares já tinham um protocolo preparado para a retomada e as instituições devem retomar as aulas presenciais também na próxima semana.

“Vamos ter que adaptar a uma situação, pois pelo protocolo só poderemos trabalhar com 50% da capacidade da turma. As aulas remotas vão continuar para os pais que optarem pelo ensino remoto. Nosso preparo será reforçado para o reinício das aulas no próximo dia 14”, disse.

ESCOLAS ESTADUAIS
A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) também se posicionou sobre o retorno das atividades presenciais. De acordo com a Secretaria, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) autorizou, nesta quinta-feira (10/6), o retorno das atividades presenciais nas Escolas Estaduais de Minas Gerais.
 
O estado informou que as unidades de ensino da Rede estadual iniciarão suas atividades no dia 14 de junho, com o retorno dos profissionais da educação. Já os estudantes retomarão as atividades presenciais no dia 21 de junho. A volta será gradual, começando com as turmas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental, facultativo às famílias. A Secretaria também disse que, nos casos em que os pais ou responsáveis optarem por não liberar o estudante ao ensino presencial, será mantido o regime totalmente remoto, para garantir a continuidade dos estudos.
 
O retorno das atividades presenciais será apenas para os municípios que estiverem na onda verde ou amarela do Plano Minas Consciente e onde a Prefeitura não apresentar restrições.
 
Para a retomada, todas as escolas devem realizar um check list para aplicação dos protocolos sanitários, com adequações no ambiente e disponibilização dos equipamentos de proteção e produtos de higiene e limpeza. Ainda segundo a Secretaria, as estratégias de implementação do ensino híbrido levam em consideração o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os estudantes nas salas de aula, com alternância de semanas de trabalho presencial e remoto.
 
O retorno dos demais anos de escolaridade será gradual, com avaliação das condições locais e indicadores epidemiológicos. A SEE/MG destaca que o Regime de Estudo não Presencial ainda é obrigatório, pois a carga horária e frequência dos estudantes continuam a ser contabilizadas por meio do Plano de Estudo Tutorado (PET) e das atividades complementares elaboradas pelo professor.


NA PRÁTICA
Esta retomada segue em conformidade com a cartilha do protocolo sanitário adotada a partir de janeiro de 2021 pelo município. Sendo assim, as aulas na Rede Municipal de Ensino retornarão em sistema híbrido, com revezamento entre aulas presenciais e remotas. Pais e responsáveis poderão optar pela permanência de estudantes no ensino remoto, sem risco de penalizações.
 
O sistema híbrido estabelecido pelo protocolo sanitário prevê que as turmas sejam divididas em dois grupos de revezamento: enquanto em uma semana, metade dos estudantes vai para o ensino presencial, a outra metade segue o conteúdo à distância. Na semana seguinte, os que tiveram aulas presenciais passam para o ensino remoto e vice-versa. Dessa forma, as instituições serão mantidas diariamente com metade da capacidade de atendimento físico, garantindo a adoção de normas de distanciamento.

* Matéria atualizada às 16h12 e às 16h42 para acréscimo de informações.

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