31/03/2021 às 20h00min - Atualizada em 31/03/2021 às 20h00min

Comerciantes reclamam de prejuízos e falta de apoio e pedem reabertura em Uberlândia

CDL faz campanha #ReabrirJá e propõe abertura de comércio e serviços com horários escalonados

FERNANDO NATÁLIO
Franqueada, que tem loja fechada em shopping, reclama da falta de auxílio financeiro I Foto: Arquivo Pessoal
Com o comércio há quase um mês e meio fechado devido às restrições nas atividades econômicas, comerciantes de Uberlândia reclamam de prejuízos e falta de apoio dos governos municipal, estadual e federal e pedem a reabertura dos estabelecimentos com responsabilidade.

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Uberlândia (CDL) Cícero Heraldo Novaes, a entidade está fazendo a campanha #ReabrirJá para mostrar à cidade a importância da reabertura e sensibilizar os poderes constituídos de que é possível reabrir o setor de comércio e serviços de forma responsável e com diálogo. A campanha prevê a colocação de 2.500 faixas com o slogan da mesma nas fachadas dos estabelecimentos comerciais. A fixação dos cartazes foi iniciada nas avenidas centrais Floriano Peixoto e Afonso Pena e chegará aos comércios de bairros nos próximos dias.

“Propomos que essa reabertura seja feita com todos os protocolos e cuidados necessários e em horários diferentes dos habituais para não gerar aglomerações. Por exemplo: o comércio pode abrir às 10h e fechar às 19h. Abre e fecha mais tarde para não coincidir com o horário de abertura do setor de serviços, que poderia abrir uma hora antes do horário padrão e fechar uma hora antes. A indústria também adotaria um horário diferente. Assim, não haveria aglomeração nas ruas e no transporte público”, explicou Cícero Novaes. “Saúde e economia têm que andar juntas e queremos mostrar que isso é possível”, completou.

Ainda segundo o presidente da CDL Uberlândia, o comércio local foi duramente afetado pelas restrições e não aguenta mais o fechamento das atividades. “Nos últimos seis meses, acreditamos que mais de 4 mil estabelecimentos fecharam as portas na cidade. Desde o início da pandemia ninguém ajudou este setor, de comércio e serviços, que é responsável por 55% dos empregos no país e 30% do PIB nacional (Produto Interno Bruto). Nenhum dos governos federal, estadual e municipal ajudaram este setor. O que o governo federal deu foi empréstimo, que não resolve nosso problema, pois, meses depois, temos que pagar. Não tivemos redução de imposto, que era o mais importante”, disse.  
 
PEDIDO DE APOIO
A franqueada Ariana Cardoso também se queixou da falta de apoio financeiro durante a pandemia do coronavírus ao micro e pequeno empresário. Ela lembrou que, no ano passado, o governo federal disponibilizou o programa de manutenção do emprego e renda (BEm), que permitia a redução de jornada e salário dos funcionários das empresas, com o governo assumindo parte do custo com as remunerações. Mas, em 2021, mesmo com o país vivendo o ápice da segunda onda da Covid-19, programas como este ainda não saíram do papel.

“Em 2020, estes apoios nos ajudaram muito, mas, agora, estão demorando demais. É um governo tão focado na área econômica e no momento em que mais precisamos não libera o que é preciso. É contraditório”, avaliou a empresária, que tem uma franquia de cama, mesa e banho em um shopping.

Como sua loja, assim como as outras instaladas em shoppings da cidade, está fechada desde o fim de fevereiro, ela tem apostado nas vendas online para se manter. “Estamos aprendendo muito sobre redes sociais, engajamento, enfim, saindo da zona de conforto, para continuarmos vendendo”, explicou a franqueada, que, até o momento, conseguiu manter, sem demissões, sua equipe de trabalho formada por 10 profissionais. “Eu sempre disse: posso negociar com os fornecedores, mas não abro mão dos meus funcionários”, afirmou.
 
ACADEMIA MAIS SEGURA
Proprietário de uma academia no bairro Umuarama, Cristiano Azevedo Silva também defendeu a reabertura de seu negócio, que está fechado há mais de um mês. “Minha academia é muito mais segura que o transporte coletivo. Na academia, temos distanciamento, nos ônibus, as pessoas ficam aglomeradas nos horários de pico. Nas filas dos caixas nos supermercados também vemos isso. Então, é possível abrir as academias, mantendo todos os cuidados, com álcool gel, uso de máscara, espaçamento”, pontuou.

De acordo com o empresário, devido à paralisação das atividades em seu negócio, ele já desligou três dos 10 funcionários que tinha e não conseguiu manter os 10 prestadores de serviços que davam aulas em sua academia. “Além disso, estou com a folha de pagamentos atrasada e dificuldades para pagar os quatro financiamentos que fiz no ano passado para pagar as obras que realizei ao tentar diversificar as atividades da academia e, devido à pandemia, passar a usar mais os espaços ao ar livre, oferecendo práticas como o vôlei de areia”, afirmou.
 
 
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