07/03/2021 às 12h00min - Atualizada em 07/03/2021 às 12h00min

Uberlandenses relatam queda de cabelo após contaminação pela Covid-19

Dermatologista e psicóloga explicam motivos da sequela deixada pelo vírus

IGOR MARTINS

Mesmo após um ano da descoberta do Sars-CoV-2, causador da pandemia da Covid-19, muitos cientistas e profissionais da saúde ainda investigam as sequelas e os sintomas causados pelo vírus. Recentemente, uma das principais queixas de pessoas que foram contaminadas pelo coronavírus diz respeito a uma intensa queda de cabelos, que estaria diretamente relacionada à enfermidade.

O caso aconteceu com a uberlandense Cristina Kelly Costa Silva. Em dezembro, a analista financeira foi contaminada pela Covid-19 e precisou ficar sete dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na cidade. Uma das sequelas relatadas pela mineira foi, justamente, a queda de cabelos acentuada.

“Depois que recebi alta, fui orientada a começar tratamentos para tratar das sequelas. Depois de 25 dias, comecei a notar uma queda expressiva do cabelo. Eu fiquei muito preocupada, procurei dermatologista, ginecologista e endocrinologista para saber a possível causa disso. Hoje, continuo com a queda de cabelos, mas estou bem menos preocupada do que anteriormente”, detalhou.

Segundo Cristina Silva, de 46 anos, o lado psicológico contribuiu para a aceitação da sequela causada pelo vírus. A analista financeira, que mora em Uberlândia, contou que possui outras amigas que também foram contaminadas pela Covid e que tiveram sequelas “muito piores”, conforme dito por ela própria. Entretanto, a doença também deixou outras sequelas na sua vida.

“Eu precisei fazer fisioterapia respiratória. Quando fui internada, 30% do meu pulmão já estava comprometido. Senti um cansaço muito grande logo após minha alta. Fiquei, realmente, debilitada, os hormônios foram alterados, tive alteração do sono e no olfato. Até hoje, não sinto o cheiro das coisas”, disse Cristina Silva.
 
DERMATOLOGISTA EXPLICA
Em entrevista ao Diário, a dermatologista Thalita Carlesso explicou sobre a queda de cabelos decorrente da Covid-19. Segundo ela, a sequela é uma reação do vírus que acontece entre um e três meses após a contaminação. O termo utilizado, de acordo com a profissional, é “Eflúvio telógeno pós Covid”, que pode ocorrer também após outras infecções, como a dengue.

A tricologista (área da dermatologia que cuida da saúde dos cabelos e do couro cabeludo) informou que ainda há muito a se estudar sobre os efeitos colaterais e as sequelas que a Covid-19 pode deixar no corpo humano.  Em sua visão, a queda de cabelo pode acontecer por diversos fatores.

“A pandemia já causou problemas como a falta da vitamina D no organismo. Os baixos níveis dessa substância podem provocar o surgimento de doenças e enfraquecer o sistema imunológico da própria pessoa, acometendo e destruindo os tecidos saudáveis do corpo. Quando a pessoa tem Covid, ela geralmente perde peso, e isso, por si só, já complica o estado de saúde do paciente. A Covid-19 provoca uma instabilidade hormonal ocasionada pelo estresse agudo e crônico”, explicou a profissional de saúde.

Thalita Carlesso falou, ainda, sobre a necessidade de procurar um especialista caso a pessoa apresente queda de cabelos acentuada. De acordo com a especialista, os casos, geralmente, são individuais e o tratamento é específico e baseado na realidade de cada paciente.

“Só o médico conseguirá examinar e fazer um diagnóstico para direcionar o tratamento. Alguns casos são ministrados com shampoos específicos, mas, em outros, a pessoa precisará se alimentar melhor, evitar estresse e se hidratar mais. Existem casos também em que é recomendado o uso de antibióticos. O principal é procurar um especialista e saber a causa da queda de cabelos”, detalhou.
 
LADO PSICOLÓGICO
A reportagem também conversou com a psicóloga Caroline Pozzobon Francisco, que afirmou que a saúde mental é fundamental para ter uma boa recuperação da Covid-19. De acordo com a especialista, o momento de incerteza com relação ao futuro fez com que o nível de estresse de grande parte da população aumentasse muito nos últimos tempos.

“Toda vez que a gente tem uma desregulação da sensação de estresse, nós vivemos situações estressantes. Com isso, temos um aumento de um hormônio chamado cortisol, que facilita muito a questão da queda de cabelos. Acredito que muito disso tenha a ver com uma questão hormonal, mas não conseguimos fazer essa regulação se não fizermos uma ressignificação de todo o contexto. Se o meu pico de estresse está lá em cima, se eu estou com muito medo e se tudo o que eu vejo é uma ameaça, mais eu aumento o nível de cortisol”, disse.

Ainda segundo a psicóloga, o aumento do cortisol facilita não só a queda do cabelo, mas a ausência de nascimento do couro cabeludo posteriormente. Caroline Pozzobon Francisco define a queda de cabelos como “um dos sintomas mais agudos de estresse”, e pede atenção à população com outros fatores, como a insônia, crise de ansiedade, falta de apetite, irritação e fadiga crônica.

A especialista comentou também sobre o crescimento na procura por psicólogos depois do início da pandemia. De acordo com ela, várias pessoas que já possuíam algum transtorno ou alguma desregulação acabaram sofrendo com alguma piora com o avanço da doença em Uberlândia.

Por fim, Caroline Pozzobon Francisco orientou que pessoas que estejam passando por algum tipo de crise de ansiedade procurem um psicólogo para ajudar no tratamento. Segundo ela, é importante ter consciência do momento vivido atualmente e respeitar as regras sanitárias para evitar a proliferação do vírus na cidade.

“É importante que as pessoas pensem que a pandemia um dia irá acabar. Nós não sabemos quando ou como, mas nós não viveremos isso para sempre. Eu sei que está difícil e dolorido, mas é importante cada um fazer a sua parte. Eu recomendo também que as pessoas mantenham vínculos com pessoas que são importantes. Uma das coisas mais importantes também é a prática de atividades físicas, porque isso regula a nossa ansiedade. Se precisar de ajuda, é fundamental que você busque com psicólogos, psiquiatras, nutricionistas e dermatologistas. Nós não temos que passar por essa pandemia sozinhos”, declarou.



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